Largada da F3 em Spa Francorchamps
Roberto Merhi dominou desde a largada, enquanto Felipe Nasr (o carro amarelo) saiu lá atrás

Com um algo atraso, escrevo aqui sobre a sétima etapa da F3 Inglesa, que aconteceu no último final de semana, nos dias 29 e 30 de julho, em Spa-Francorchamps. Se as rodadas de Nürburgring e de Paul Ricard haviam sido marcadas pelo duelo entre Felipe Nasr, Kevin Magnussen e Antonio Félix da Costa, o português dessa vez não estaria presente na disputa por conta de um choque com o calendário da GP3.

Não teve problema. Saiu Félix da Costa, mas entraram nove pilotos vindos dos mais distinto campeonatos de F3 – principalmente a Euro Series – por conta da disputa da etapa da F3 International, que ocorreria de forma concomitante.

Nos treinos livres, a briga entre os pilotos do campeonato inglês e os convidados parecia acirrada. Nasr liderou um treino e Magnussen, o outro. Roberto Merhi, líder da F3 Euro Series e da International, ficou próximo dos adversários em ambas as oportunidades.

A partir daí começou a tal derrota de Felipe Nasr, descrita no título desse post. O treino classificatório foi disputado com chuva intermitente, como geralmente ocorre em Spa. A pista começou razoavelmente seca, molhou e voltou a secar. Essa inconstância climática propiciou aos acidentes, como o de Menaseh Idafar, que trouxe a bandeira vermelha para a sessão e serviu para que a pista mudasse ainda mais.

Resultado: no asfalto que secava cada vez mais rápido, Nasr e os companheiros de Carlin saíram com o pneu para pista molhada e tomaram uma sova dos adversários. Magnussen se classificou em 16º, enquanto o brasileiro foi somente o 20º. Na frente, Roberto Merhi colocava assombrosos 1s em relação ao segundo colocado, o ex-campeão Marko Asmer.

Pódio da F3 Inglesa em Spa
Um pódio sem brasileiros é algo raro na F3 Inglesa nos dias atuais. P.S: caso você não tenha reconhecido são Kotaro Sakura, Jazeman Jaafar, William Buller e Jack Harvey

É evidente que largar na 20ª colocação em uma corrida de 13 voltas prejudica qualquer um. É óbvio que o erro da Carlin custou um bom resultado de Felipe Nasr e dos companheiros, mas isso não esconde que a equipe não foi bem ao longo do final de semana.

Na primeira corrida, Nasr começou até que bem ao fechar a primeira volta em oitavo e chegar a andar em sétimo antes de ser ultrapassado por Magnussen e Rupert Svendsen-Cook, além dos rivais da International. No fim da prova, perdeu um duelo com o eterno rival Daniel Juncadella – de quem foi companheiro na F-BMW – e terminou a corrida em nono. Após a prova, o brasileiro reclamou de um problema no motor do carro, que teria lhe impedido de brigar pelas primeiras colocações.

Como o sorteio para a segunda prova, a do grid invertido, determinou que os sete primeiros largariam de forma invertida, Nasr manteve a nona colocação no grid para terminar em oitavo, mas viu Magnussen vencer ao sair na pole-position. Dessa vez, sem os problemas mecânicos, Nasr repetiu o desempenho da primeira prova: terminou a primeira volta em sexto, mas foi ultrapassado por Juncadella e por Laurens Vanthoor.

No entanto, dessa vez caberia como defesa o brasileiro não arriscar um abandono ao disputar posições com dois pilotos que não disputam – e, portanto, não pontuam – no campeonato inglês. Mesmo terminando em oitavo, Nasr foi o terceiro melhor colocado dentre os carros da F3 Inglesa, terminando atrás de Magnussen e Svendsen-Cook, vencedores no geral.

Marko Asmer
Na terceira corrida, Felipe Nasr passou quase todos os adversários da F3 Inglesa, mas não convidados como Marko Asmer

Na terceira corrida, Nasr largou novamente em 20º e fez a melhor apresentação do final de semana ao terminar em sétimo, ultrapassando os rivais gradativamente durante a prova de 40 minutos de duração. Mas aqui vai um detalhe: o brasileiro só superou pilotos da própria F3 Inglesa, os demais ou ficaram para trás desde o começo, ou abandonaram. Apesar disso, Felipe terminou em segundo entre os pilotos do certame britânico, o que não é de todo ruim, pelo contrário.

No final das contas, o final de semana em Spa-Francorchamps foi frustrante, pois o clima instável não permitiu ver Nasr e Magnussen em um duelo justo contra os rivais europeus. Como o automobilismo é um esporte injusto, os dois foram derrotados. Embora as circunstâncias devam ser levadas em contas, não é bom para a carreira de um piloto ser derrotado dessa forma quando uma competição reúne os mais promissores nomes de uma geração.

Em termos de campeonato, porém, o revés não pesou muito. Nasr marcou 30 pontos na Bélgica contra 20 de Carlos Huertas, o vice-líder. Lucas Foresti somou apenas 13 e caiu para a quinta colocação, enquanto Magnussen, mesmo tendo se destacado com uma vitória, obteve 31. O grande nome, porém, foi William Buller, que foi o único representante da F3 Inglesa a andar no ritmo dos europeus por não ter errado o pneu no treino. O piloto somou 47 pontos e pulou da sexta colocação no campeonato para a segunda.

Por outro lado, na pista, é desnecessário dizer que quem se destacou foi Roberto Merhi. Depois de colocar 1s em Marko Asmer no treino classificatório – o que poderia ser atribuído às condições da pista – o espanhol terminou as 13 voltas da primeira corrida com uma vantagem de 13s para Buller, enquanto finalizou as 17 voltas da terceira prova com assustadores 23s de diferença para Marco Wittmann.

Apesar do revés em Spa-Francorchamps, Felipe Nasr segue na ponta do campeonato com 114 pontos de vantagem para Buller e Huertas. Se ele sair de Rockingham, a próxima etapa, com 111 na frente, será o campeão. Vale lembrar que foi nessa pista onde o brasileiro conquistou a única vitória na temporada 2010 da F3 Inglesa após um bom duelo com o compatriota Adriano Buzaid e em um dia que Jean-Eric Vergne estava inspiradamente barbeiro. Foi sensacional, assim como a etapa de 2011 deverá ser.