Victor Franzoni Guilherme Silva Luir Miranda
Victor Franzoni, Guilherme Silva e Luir Miranda são os destaques da temporada 2011 da F-Futuro até aqui

A renovação dos pilotos brasileiros não só na F1 como nos principais campeonatos do mundo é e sempre será um assunto recorrente. A falta de categorias de base no Brasil e o pouco suporte dado aos jovens brasileiros no exterior são reclamações batidas, mas verdadeiras. Apesar disso, em relação ao que acontecia uns três ou quatro anos atrás, hoje o país vive um momento um pouco melhor.

Falo isso, pois neste final de semana tive tempo para acompanhar um pouco da F-Futuro pelo Sportv. Já tinha visto trecho de corridas antes, além de ouvido coisa aqui e ali, mas dessa vez consegui assistir e avaliar à prova e, claro, aos pilotos.

Em um primeiro momento, confesso que me diverti assistindo. A corrida – a segunda da etapa de Londrina – foi bem animada e ainda serviu para confirmar alguns pontos sobre essa novíssima geração de pilotos brasileiros. De uma forma geral, são três garotos acima da média: Guilherme Silva, Luir Miranda e Victor Franzoni.

Na corrida, Guilherme largou na pole-position e deu adeus para os adversários ao melhor estilo Sebastian Vettel, abrindo rapidamente cerca de 10s (!!) para os demais concorrentes, em carros que são praticamente iguais. Enquanto isso, no meio do bolo, as brigas foram bastante emocionantes, com Victor Franzoni e Luir Miranda conseguindo avançar à frente. Os três terminaram a prova nessa ordem, mas Silva foi punido por queimar a largada, enquanto Franzoni foi penalizado por um toque em Felipe Donato na briga por posições. Dessa forma, Luir Miranda acabou herdando a vitória e, de quebra, pulando para a liderança isolada do campeonato.

Largada F-Futuro Londrina
Logo no início Guilherme Silva (14) se distanciou dos rivais. Depois ele seria punido por queimar a largada

Sobre Guilherme, eu já tinha escrito aqui na semana passada que ele teria que fazer uma escolha difícil sobre onde correr, já que o inteligentíssimo calendário do automobilismo brasileiro colocou etapas da F3 Sudamericana e da F-Futuro para acontecer no mesmo final de semana. O garoto, que era líder de ambas as categorias, até tentou voar de uma pista para outra, mas no final não deu muito certo. Em Interlagos, na F3, acumulou algumas quebras mecânicas ao longo dos treinos e corridas. Em Londrina, não treinou, se enroscou, bateu, largou na pole, queimou largada, dominou, foi punido. Um final de semana intenso, portanto.

No press-release, ele disse que foi um final de semana para esquecer. Discordo. Foi uma p… experiência para um garoto de 16 anos sair voando de uma cidade para outra. A grande frustração, evidentemente, foi perder a vitória e a liderança isolada do campeonato da F-Futuro por um erro bobo: ter queimado a largada. Mas isso faz parte do aprendizado. Estamos falando de um menino que está no primeiro ano nos monopostos. Eu acho que valeu a tentativa e o conhecimento adquirido ao longo das dificuldades. Além disso, os problemas do final de semana mostraram que não adianta o garoto ser cotado como acima da média, vai ter que provar na pista se quiser ser campeão de ambos os certames.

Se Guilherme foi um dos destaques por abrir uma gigantesca diferença desde o início da corrida, o outro nome da prova foi Victor Franzoni. O piloto mais jovem da categoria – o que não quer dizer muita coisa – foi agressivo desde o começo e tentou tomar posições na marra. Destaque para o bom duelo contra John Louis – que destruiu os pneus do vencedor da prova do sábado – e para a épica ultrapassagem por fora em Luir Miranda. O estilo de Franzoni lembra um pouco o de Lewis Hamilton. É o esquema de faca nos dentes o tempo todo.

Mas, por favor, perceba que eu não estou dizendo que ele é o novo Lewis Hamilton. É só que é divertido assistir um garoto ainda em início de carreira alucinado para ganhar posições. Isso faz parte do automobilismo e é assim que se destaca contra tantos outros jovens promissores. Para continuar a comparação com o piloto da McLaren, Franzoni teve um dia típico de Hamilton. Saiu ultrapassando geral, mas acabou tocando em Felipe Donato quando duelava pela quinta colocação (nada diferente do toque entre o inglês e Pastor Maldonado, em Mônaco, por exemplo).

Victor Franzoni Luir Miranda
A ultrapassagem por fora de Victor Franzoni (23) em Luir Miranda (42) foi o melhor momento em Londrina

Assim como aconteceu com Lewis nas últimas etapas, não acho que o toque fosse para punição. Foi um incidente de corrida. Entretanto, por se tratar de uma categoria de acesso do automobilismo cujo objetivo é preparar os pilotos, creio que foi uma decisão acertada. Como a punição depende do comissário, nunca se sabe o que vai se encontrar pelo mundo, então certa cautela – tanto da direção de prova como do próprio Victor Franzoni – é necessária.

Se Franzoni tem um pouco de Lewis Hamilton, Luir Miranda mostrou um estilo mais parecido com o de Jenson Button, talvez por ser mais experiente que os adversários (tem 18 anos contra 16 dos outros dois). O carioca, que já havia subido ao pódio no sábado, avançou posições de forma tão rápida quanto Victor, mas sem a pirotecnia nas ultrapassagens. Além disso, estava no lugar e na hora certa, quando os adversários foram punidos, para herdar a vitória. Curioso é que dos três, o único que eu não tinha ouvido falar antes do início da temporada era justamente de Luir, que agora é o líder do campeonato.

Pelo pouco que pude ver, parece que ele vem do kart indoor, então entendo que ele não estava no circuito das principais competições do kartismo nacional e mundial. Se for isso, é interessante ver que há alternativa para o desenvolvimento de futuros pilotos.

De qualquer forma, é bom deixar claro que a temporada da F-Futuro ainda está na metade, e esses três garotos vão precisar mostrar na pista – e na continuação das carreiras – do que são capazes. É muito cedo para avaliar quem daí pode ter sucesso, até porque outros fatores ($) são fundamentais, mas não deixa de ser um alívio ver bons nomes competindo nas pista aqui mesmo do Brasil.