Felipe Nasr
Felipe Nasr conquistou a sexta e a sétima vitória de 2011 em Paul Ricard

Há duas semanas, quando a F3 Inglesa esteve em Nurburgring para a disputa da rodada alemã da categoria, escrevi que Felipe Nasr teve um desempenho digno de campeão, pois mesmo sem o melhor carro do final de semana o brasileiro tinha sido o maior pontuador da etapa e aberto uma importante diferença no campeonato.

Dessa vez, a F3 Inglesa foi a Paul Ricard para a etapa francesa do certame. Nasr voltou a ter um bom desempenho e , mais do que isso, provou que tem outro trunfo para brigar pelo título: sorte de campeão.

Na França, ao contrário do que havia acontecido na Alemanha, Felipe começou na frente desde o primeiro treino e perdeu por pouco a pole-position para o companheiro Kevin Magnussen. Depois, na primeira corrida (que você pode ler como foi clicando aqui), o brasileiro aproveitou um erro do dinamarquês logo na largada para conquistar a vitória.

Na segunda prova da etapa, Nasr não foi bem. Cometeu erros e acabou sendo punido, terminando com a 16ª colocação apenas. Na terceira disputa, o brasileiro voltou a mostrar que continua no auge. Para ler como foi a corrida decisiva em Paul Ricard, basta clicar aqui.

De qualquer forma, eu resumo. Nasr largou bem, mas não conseguiu ultrapassar Kevin Magnussen. Os dois, ao lado do português Antonio Félix da Costa, começaram a duelar desde o início da prova, ficando sempre com uma diferença inferior de 2s entre o trio. Em meio a toques entre os três, o luso ultrapassou o piloto da Carlin depois de um emocionante duelo e partiu para cima do dinamarquês na última volta. Na curva final, Félix da Costa bateu em Magnussen e a vitória caiu no colo de Felipe Nasr. Sorte de campeão, portanto.

Kevin Magnussen
Kevin Magnussen mais uma vez não conseguiu converter as pole-position em vitória

Apesar disso, há algumas coisas que é necessário ressaltar sobre essa disputa. Em primeiro lugar, falando assim, parece que Nasr venceu por acaso e talvez não merecesse a conquista. É uma tremenda besteira pensar assim. Acidentes acontecem em qualquer corrida e fazem parte do automobilismo. Então não dá para falar que Magnussen foi o vencedor moral, ou que o brasileiro só teve sorte.

Um bom contra-argumento é mostrar os tempos de volta. Não é por acaso que Felipe herdou a vitória. Ele estava no lugar certo na hora certa e, evidentemente, se aproveitou da batida entre os rivais para ganhar a prova. Nesse caso, o detalhe é que a volta mais rápida do brasileiro na corrida foi justamente a última. Isso demonstra, principalmente, que ele não desistiu da vitória e que tinha condições de brigar na pista por um resultado melhor que o terceiro posto.

O outro ponto interessante sobre o duelo contra Magnussen e Félix da Costa é que é o primeiro grande embate do brasileiro com pilotos considerados acima da média. Se levar em conta que Felipe terá todos esses garotos como rivais em uma eventual disputa por vaga na F1, ele precisa mostrar que está o mais preparado possível para isso. Como o grid da F3 Inglesa nessa temporada aparenta ser relativamente fraco, é bom que o brasileiro consiga sair-se vencedor contra pilotos bem cotados no cenário internacional.

Isso porque, no desenvolvimento de Felipe até aqui, há uma lacuna de duelos contra grandes adversários. Além do grid enfraquecido deste ano, na última temporada da F3 o brasileiro pouco pode fazer contra James Calado ou Jean-Eric Vergne devido ao equipamento. Basta ver o desempenho de Nasr, hoje, com a Carlin, em relação aos pilotos da Double R, a antiga equipe.

Na F-BMW, o brasileiro também não teve grandes adversários. Michael Christensen e Daniel Juncadella ainda não demonstraram que podem ser considerados fora de série. Assim, a grande conquista do brasileiro anteriormente, além de ter feito uma temporada impecável na categoria germano-europeia, foi ter batido Robin Frijns – esse, sim, muito acima da média – com extrema facilidade em um ano que os dois eram novatos e o holandês tinha melhor equipamento.

Felipe Nasr em Paul Ricard
Felipe Nasr mais uma vez foi o maior pontuador - com folga - do final de semana da F3 Inglesa

Voltando ao desempenho do brasileiro na F3, bater Félix da Costa e Magnussen é uma prova de que ele está em condições de brigar de igual para igual com os grandes nomes das categorias de base do automobilismo mundial.

E atenção quando eu falo brigar. Talvez até me contradizendo, o que acontecer na F3 Inglesa talvez não sirva de parâmetro para analisar o piloto brasileiro. Isso porque Nasr tem um campeonato a perder e os dois rivais, não. Felipe reclamou que Magnussen foi agressivo demais. Certamente o dinamarquês poderá fazer a mesma observação sobre o português que lhe tirou a vitória, embora, sem as imagens, fique difícil dizer de quem foi a culpa.

Superar Magnussen, aliás, parece ser o caminho mais rápido para a conquista da F3 Inglesa por antecipação. Como o dinamarquês tem feito uma segunda parte de temporada muito boa, parece que o vice-campeão em potencial é ele.

Com as duas vitórias, o brasileiro foi, obviamente, o maior pontuador do final de semana. Felipe marcou 41 dos 54 pontos possíveis em uma etapa (em Nurburgring, havia levado 42). Magnussen, que aparece somente em quinto no campeonato, marcou apenas 17 mesmo largando na pole-position em duas oportunidades. Félix da Costa, por sua vez, acumulou 29, mas sem nenhuma pretensão de título.

Entre os ponteiros, Carlos Huertas marcou 26; Lucas Foresti, apenas seis, e Jazeman Jaafar só cinco. Muito pouco para quem pensa em brigar pelo título. Por outro lado, o destaque do final de semana foi William Buller, companheiro de Foresti na Fortec, que ganhou 31. Rupert Svendsen-Cook garantiu 25, assim como Jack Harvey.

Dessa forma, Nasr detém uma vantagem de 104 pontos para Huertas e pode ser tornar campeão com pelo menos duas rodadas de antecipação. Lembrando que as próximas corridas da categoria são em Spa-Francorchamps e em Rockingham, onde o brasileiro é amplo favorito. Na Bélgica, porém, será interessante ver como a corrida vai se desenvolver devido ao elevado número de pilotos convidados por dividir a pista com o campeonato da FIA de F3.