Red Bull future
No futuro, os carros da F1 poderão ter capota. P.S.: imagem meramente ilustrativa

A FIA é chegada em uma polêmica e em alguma ideia bizarra. A F1, evidentemente, acompanha os devaneios da entidade que a comanda. Por exemplo, nos últimos anos houve debates sobre sistema de medalhas, atalhos na pista, asa traseira móvel para ultrapassar e chuva artificial. Só coisa bizarra e sem sentido, portanto.

Nesta sexta-feira, dia 15, a entidade anunciou que está estudando o uso de capotas nos carros em um futuro não tão distante.

Mas ao contrário da chuva artificial, da asa móvel e das demais ideias já mencionadas, penso que as capotas, na realidade, podem ser um grande acerto por parte da federação, mesmo que em um primeiro todo mundo vá torcer o nariz.

Para começar, a grande vantagem das capotas é a segurança dos pilotos. Há uma corrente muito forte que acredita que a próxima morte na F1 não vai acontecer por um grave acidente de visual espetacular. Assim, o piloto irá falecer depois de ser atingido na cabeça por detritos que estavam na pista.

Algo bastante próximo do que aconteceu com Felipe Massa na Hungria, mas vale lembrar que na ocasião ele foi atingido por uma simples mola e as proporções foram enormes. A nova morte, portanto, precisará que algo mais pesado que uma mola – ou seja 99% do que compõe o equipamento – se desprenda do carro.

Esse cenário não é absurdo. Henry Surtees, filho de John Surtees, morreu em uma corrida da F2 nessa situação. Na corrida em questão, o inglês foi acertado na cabeça por um pneu que voou de uma batida que não o envolveu, em um primeiro momento.

E não foram só Surtees ou Massa que já passaram por essa situação. Lucas Di Grassi sofreu um acidente semelhante ao falecido piloto inglês em uma etapa da GP2 em Barcelona, quando o carro de Álvaro Parente por muito pouco não caiu na cabeça. Há outras cenas clássicas como Bryan Herta e Alex Barron, em Road America, e Michael Schumacher e Vitantonio Liuzzi em Abu Dhabi.

A organização da Le Mans Series determinou um regulamento pedindo a obrigatoriedade da cobertura do piloto em alguns carros. A Audi, por exemplo, foi uma das equipes forçadas a tampar o cockpit para 2011. O resultado deu muito certo. A equipe se envolveu em dois grandes acidentes na tradicional prova francesa e os pilotos saíram praticamente ilesos. Embora não seja possível relacionar esses dois fatores, a batida de Allan McNish não teria grandes proporções para um carro descoberto, mas a de Mike Rockenfeller, que destruiu completamente o equipamento ao se chocar frontalmente com o guard-rail a mais de 300 km/h, poderia ter consequências piores.

O outro argumento para o uso das capotas, do ponto de vista estético, remete ao futuro. Durante muitos anos, video-games e filmes passaram a ideia de que no futuro distante, os carros de corrida serão similares a pequenas naves espaciais, cobertos portanto. Em algum momento da evolução, eles precisaram ganhar a capota. Pode ser que esse momento seja agora.

Quando e se as capotas forem adotadas, os fãs da F1 realmente vão ter um tempo para se adaptarem ao novo visual da categoria, mas, se essa alteração ocorrer, além de bem-vinda é algo realmente necessário e que deverá ganhar rapidamente a simpatia dos torcedores menos conservadores.