GP3 2011 Silverstone
Esse é o grid de 30 carros da GP3 na etapa de Silverstone da categoria. Lembrou o caso da Michelin em Indianápolis

A GP3 viveu um momento curioso na etapa deste sábado, dia 9, em Silverstone. Naquela que pode ser considerada a melhor corrida da curta história da categoria até aqui, o suíço Nico Muller se aproveitou da chuva para vencer pela primeira vez em 2011. O piloto da Jenzer, que quebrou um longo jejum de vitórias, no entanto, foi o menos importante dessa prova.

Antes de contar o que aconteceu, pergunto se alguém já viu os gurus da meteorologia das equipes da F1 trabalharem? Eles fazem assim: pegam uma série de informações nos computadores, como pressão, temperatura e outras coisas mais e traçam uma probabilidade de chuva. Aí aparece um time e fala que não vai chover nos próximos quinze minutos. Detalhe: tem nuvens negras cobrindo o autódromo daquelas que qualquer um que olhe muda de ideia na hora de sair de casa. Como resultado, chove para caramba e sempre tem um time ou outro que fica com aquela cara pasma por deixar os pilotos na pista no meio de uma intempérie.

Neste sábado, na GP3, aconteceu algo semelhante. As nuvens eram ameaçadoras, mas os times queriam porque queriam largar com pneus para pista seca. Aí foram todos para a volta de apresentação e desabou o mundo por lá! Dos 30 pilotos, 19 foram correndo para os boxes, antes da largada, para trocar os pneus. Nico Muller, o sexto no grid, foi alçado para primeiro porque não tinha mais nenhum adversário! Todos os rivais sairiam do pit-lane, isto é, só poderiam acelerar depois que o último carro passasse.

Adrian Quaife-Hobbs
Por besteira Adrian Quaife-Hobbs perdeu a bela pole-position que conseguira em Silverstone

Todo esse pessoal que saiu dos boxes começou a ganhar terreno na pista e ultrapassar um a um os adversários. Aos poucos o grid ficou misturado, mas Muller se manteve firme na liderança e praticamente venceu de ponta a ponta. Alexander Sims, da Status, fez uma p.. grande corrida de recuperação e terminou em segundo mesmo tendo sido um dos que fizeram a parada na volta de apresentação.

O destaque da prova, no entanto, acabou ficando com os pilotos que ocuparam da segunda à sétima posição: Sims, Nick Yelloly, Adrian Quaife-Hobbs, Luciano Bacheta, James Calado, Lewis Williamson e Dean Smith. Notou algo? Não? Então, são todos britânicos. A torcida inglesa, que lotou Silverstone, só não pôde comemorar ainda mais porque o vencedor foi um suíço. Por outro lado, pela regra do grid invertido, os sete primeiros para a segunda prova do final de semana – a deste domingo – são pilotos da casa, portanto.

Embora o fator ‘casa’ tenha pesado no resultado da etapa inglesa, o domínio dos britânicos já vem acontecendo faz algumas corridas. Em Valência, por exemplo, Quaife-Hobbs e Calado dividiram as vitórias, enquanto Williamson e Sims também subiram ao pódio. Juntos em 2011, os sete garotos do Reino Unido somam três vitórias, nove pódios e 21 corridas chegando aos pontos. Tudo isso fora as duas pole-positions e quatro voltas mais rápidas.

O sucesso dos ingleses na GP3 contrasta com a realidade da F3 Inglesa. O último piloto do país a vencer o título por lá foi Mike Conway, em 2006. Antes disso, Robbie Kerr, Marc Hynes, Jonny Kane, Olivier Gavin e Kevin Burt (só gente relevante…) foram os responsáveis pelos triunfos nos últimos 20 anos. Em 2011, a realidade é a mesma. O melhor britânico na classificação da F3 é Rupert Svendsen-Cook, em sexto somente.

Fazendo um pequeno levantamento, dos sete pilotos da GP3, apenas Quaife-Hobbs e Bacheta não competiram na F-Renault UK. Os demais, portanto, fugiram do caminho lógico do automobilismo inglês, que seria o pulo para a F3 local. Aliás, de todos, apenas dois chegaram a correr na F3 Inglesa: Dean Smith e James Calado, sendo este o atual vice-campeão do certame.

Outro dado curioso é a média de idade avançada deles. Alexander Sims é o mais velho, com 23 anos, enquanto Adrian Quaife-Hobbs, o mais novo, com 20. A efeito de comparação, Nico Muller, vencedor em Silverstone, tem 19. Nigel Melker, vice-líder do certame, comemorou 20 no início do ano. Mitch Evans, o líder, é uma exceção de apenas 17 anos recém-completados. Felipe Nasr, por exemplo, nasceu em 1992 (então faz 19 esse ano) assim como Lucas Foresti.

Apesar dos pilotos ingleses estarem sendo a sensação da metade da atual temporada da GP3, não vejo futuro para eles em termo de F1. A menos que conquistem o campeonato no final do ano e arrumem uma bela transferência para a GP2, o momento de estrear na F1 vai passar, enquanto eles vão continuar a chamar atenção nas categorias menores.