Guilherme Silva
Até semana que vem, Guilherme Silva ainda é o líder tanto da F3 Sudamericana quanto da F-Futuro

Não gosto de escrever sobre a F3 Sudamericana aqui no blog. Como não acontece nada de relevante nela, parece que é enrolação escrever qualquer coisa por aqui. Bom, de certa forma isso é verdade, mas ainda assim aparece algum assunto relevante de vez em quando.

Alguns dias atrás, adiantei aqui que três pilotos argentinos – comandados por Fernando Croceri, campeão sul-americano de F3 em 1993 – testaram pela equipe Cesário em Interlagos visando a participar de corridas ainda neste ano da categoria.

Pois bem, os três testaram e um deles acabou permanecendo na categoria. Assim, Hernán Bueno fará a estreia na F3 – correndo na divisão Light – no próximo final de semana, dias 16 e 17 de julho, em Interlagos. O garoto é o líder da F4 da argentina e, bancado pela família, deve participar apenas da etapa de São Paulo, embora esteja negociando para correr também em Rosário, do outro lado da fronteira, no início do mês outubro. O objetivo continua sendo a tentativa de em 2012 haver uma equipe totalmente argentina na categoria. Eu continuo não acreditando nisso, mas ver que o treino deu algum resultado já é um grande avanço.

Ok, mas preciso confessar que até agora só enrolei você. O assunto principal do texto realmente só começa agora. O campeonato da F3, como talvez você saiba, tem a liderança de Guilherme Silva, que também é o primeiro colocado da F-Futuro e, ao que parece, o único piloto acima da média que milita pelas pistas brasileiras. O problema para o mineiro é que tanto a F3 quanto o Racing Festival correm no dia 17 de julho. Enquanto uma estará em Interlagos, como já dito, a outra vai estar em Londrina, tornando impossível que o piloto defenda a liderançaem ambas as competições.

As duas competições ainda vão ter choque de datas em mais duas oportunidades, então fica impossível se dedicar a ambas, a menos que ele tenha um vira-tempo. Se eu fosse Guilherme, correria cada dia em um campeonato e minimizaria os pontos perdidos. Ainda mais que na F-Futuro são apenas duas provas por etapa e a segunda tem grid invertido, logo correria somente a primeira e me mandaria para a F3 onde correria outras duas vezes. Se o mineiro fizesse isso, seria algo histórico. Imagina o garoto viajando de avião e helicóptero entre duas pistas para ser campeão de dois certames no Brasil no mesmo ano? Seria sensacional, ainda mais com a atual carência de ídolos no esporte a motor.

No entanto, creio que isso seja inviável, não só pela questão $$, mas tambem talvez até falando em termos de regulamento. Por isso, não faço ideia de onde o garoto vá correr. As duas opções parecem ‘boas’. Por ser piloto da Hitech e ter um futuro encaminhado na F3 Inglesa nos próximos anos, não é absurdo pensar que Guilherme vá priorizar a F3 Sudamericana, onde corre para a equipe inglesa. Por outro lado, o título da F-Futuro vale vaga na academia da Ferrari e bolsa para competir na temporada 2012 da F-Abarth italiana. Aí vai ser interessante ver qual desses caminhos o piloto de apenas 16 anos vá abrir mão.

De qualquer forma, é mais um exemplo de patético calendário que o automobilismo brasileiro tem. Se já não bastasse ter os limitados Trofeo Linea e Brasileiro de Marcas no mesmo final de semana, também teremos choque entre F3 e F-Futuro.

Quer dizer, passou a ser problema exclusivo dos garotos ocupar grids que mal chegam a dez carros. Desenvolvimento de pilotos no Brasil? Nada. Enquanto o Racing Festival apresenta um campeonato de seis etapas em seis meses – algo bastante plausível – a F3 tem absurdas oito etapas em dois meses e meio. Na média, corrida a cada dois finais de semana. Parece normal, não é? Mas a etapa de abertura do campeonato foi dia 26 de março, no Velopark. Faz quase quatro meses que a F3 não corre e quando decidiram voltar à pista é para bater na outra competição.

O pior é que os órgãos reguladores não percebem que F3 e F-Futuro não são concorrentes. São o último resquício de desenvolvimento de piloto no Brasil que ainda seguem de maneira heróica. São categorias bastante problemáticas cuja maior dificuldade é formar um grid decente. Por isso todos os méritos para quem conseguiu trazer Hernán Bueno e também todos os méritos para a formação do campeonato de Felipe Massa.

Enquanto isso, não dá para fingir que é normal um campeonato ter oito etapas em dois meses e meio após um intervalo de quatro meses sem corrida.