Festival de Goodwood
Em Goodwood é assim: você espirra e acha um carro histórico, como esse Audi Quattro

Nunca tive paciência para esses livros ‘1001 blablaba para fazer antes de morrer’. Por exemplo, na coletânea de 1001 lugares para conhecer, você precisaria de cerca de três anos para rodar o mundo – sem contar as viagens de avião e só teria um dia em cada local – e conhecer todos eles.

Quer dizer, será que ninguém que compra esse livro trabalha? ‘Chefe, eu vou dar uma volta aí pelo mundo e em três anos eu to de volta caso nenhum voo atrase, tudo bem?’ Ou então, da onde vem todo esse dinheiro para gastar em viagens mundiais? Vou fazer ‘1001 loterias para ganhar antes de morrer’ e ficarei rico. Aí vou viajar o mundo todo conforme esses livros e conto para vocês como foi.

Para que estou falando tudo isso? Também não sei. Mas nessa minha viagem por aí, um dos locais em que eu iria visitar seria o Festival de Goodwood. Se você não sabe, o Festival de Velocidade de Goodwood é um evento que acontece na Inglaterra no início do verão europeu – neste ano acontece entre os dias 1º a 3 de julho – e reúne os carros mais famosos da história do automobilismo para uma exibição.

O Festival de Goodwood começou em 1993 como ideia do Conde de March e Kinrara. O nobre inglês queria que o autódromo de seu condado voltasse a receber corridas de carro, mas os custos para fazer a pista local ficar em condições de receber o automobilismo era muito alto se comparado ao fato de que jamais conseguiria receber F1 ou Le Mans por conta da concorrência com Silverstone, Donington ou Brands Hatch.

Aí o conde teve uma grande ideia. Pegou as terras de sua propriedade e criou uma estradinha de cerca de 2 km para que os carros pudessem passar por lá. O objetivo era simples: fazer com que os veículos mais importantes da história do automobilismo pudessem voltar à pista em um dia de exibição ao público.

Hoje, o evento reúne cerca de 150 mil pessoas e é um sucesso. Os grandes colecionadores de carros de corrida, assim como museus, equipes e campeonatos compraram a ideia do Conde March e todos os anos disponibilizam equipamento histórico e pessoal especializado para Goodwood.

Lewis Hamilton
Goodwood é marcado pela rústica estradinha no meio do feno e pela proximidade com o público

Tão legal quanto ver os carros históricos e ver quem estará pilotando qual máquina. Afinal, como uma série de grandes nomes do passado já morreu, ou não tem mais condição física de viajar e acelerar um carro – ou não tem interesse mesmo – acaba que a mudança é total. Em 2011, por exemplo, Dario Franchitti vai pilotar o carro com o qual Jim Clark correu na Indy 500 na década de 60, enquanto Dan Wheldon ironicamente pôde guiar uma Ganassi.

Fora isso, imagina a experiência que deve ser ir para a pista de Goodwood e esbarrar com um carro tipo a McLaren de Senna. Aí você olha para o lado e está o Franchitti tirando as fotos da máquina com a mesma cara de bobo que você. Do outro lado, está aquele carro que venceu a primeira Indy 500 ao mesmo tempo em que Sébastien Loeb conversa com Jackie Stewart.

É um lugar especial e estou mesmo animado para isso”, declarou. “Eu também quero ir como um fã. Vou levar a minha câmera comigo e caminhar perto de tantos carros históricos e conhecer grandes pilotos – também de moto e de rali – os quais eu admiro”. Quem disse isso foi o próprio Dario Franchitti.

Então, caso você tenha tempo na sua vida e queira conhecer 1001 lugares antes de morrer, a minha sugestão é que passe por Goodwood nessa época do ano.