Matheus Stumpf
Eu não achei foto do carro, então, essa é cara do Matheus Stumpf, para quem - assim como eu - não conhecia

Por trabalhar com automobilismo, todos os dias recebo dezenas de press-releases das mais variadas categorias e pilotos, contando todo o tipo de história. Um deles, hoje, chamou a atenção. Era da equipe de Amir Nasr – que é tio do Felipe Nasr caso alguém não saiba – anunciando uma nova dupla para a etapa do Rio de Janeiro da Stock Car: Ricardo Sperafico e Matheus Stumpf.

Sperafico já tem um longo histórico ao lado da equipe de Amir Nasr, já Matheus Stumpf é o motivo do post de hoje.

Em primeiro lugar, é bom ver a equipe ANR de volta às pistas. Nos últimos anos, coincidindo com a ascensão de Felipe na Europa, a equipe tem passado por dificuldades. Das últimas três temporadas da Stock Car, eles perderam etapas em duas e foram, mas não foram rebaixados na outra. Em 2011, pularam as duas últimas etapas, mas voltaram a correr no Rio de Janeiro após um acordo de pareceria com a Mico’s, que desconheço por completo.

Segundo, Matheus pode ser desconhecido na Stock Car, mas é uma das grandes promessas do esporte a motor no Brasil. Lembra do site Driver Database, que contabiliza dados estatísticos sobre os pilotos ao redor do mundo? Pois então, segundo a lista de jovens promessas deles, Stumpf aparece na 39ª colocação com maior número de vitórias.

Explico. Esse site pega todos os pilotos cadastrados por lá com menos de 22 anos e contabiliza todas as vitórias que eles já tiveram na carreira. A partir disso, geram uma lista de 100 jovens promessas para que os fãs do automobilismo possam ficar de olho. Em caso de empate no número de conquistas, o critério utilizado é a porcentagem de vitórias por corrida. Assim, Matheus acumula 18 triunfos computados em 65 provas cadastradas, ou 27,7%.

O gaúcho é o piloto mais bem colocado do Brasil nessa lista que conta também com Bruno Andrade, atual vice-campeão da F3 Sul-americana. No momento, o país só tem os dois como representantes, mas Felipe Nasr, Victor Corrêa e Lucas Foresti estão próximos de entrar lá. Como eles são mais jovens, possuem menos anos de automobilismo e, portanto, menos vitórias. A lista completa você pode ver clicando aqui.

Agora vale falar como o Driver Database funciona. Ele depende do esforço coletivo, assim como a Wikipedia. Qualquer um, registrado na página, pode inserir resultados de corridas e campeonatos. Os dados são conferidos e lançados e as estatísticas são geradas. Stumpf só tem vitórias contabilizadas a partir de 2009, então, possivelmente ele tenha mais triunfos, porém ninguém os arquivou no por lá.

Se o critério estatístico não é absoluto no caso de Matheus, vale o currículo. O piloto é o atual campeão do GT Brasil ao lado de Valdeno Brito. Não que esse título tenha tanto peso, mas o segredo da dupla é justamente o desempenho do gaúcho. Como as regras visam o equilíbrio ao parear estrelas da Stock Car com gentleman drivers, a diferença geralmente não é feita pelos grandes nomes do automobilismo no Brasil. Allam Khodair, Daniel Serra, Ricardo Maurício e Valdeno, por exemplo, têm rendimento semelhante na pista. A diferença é na hora que entram os companheiros. Com Marcelo Hahn, Chico Longo, Bruno Garfinkel e Stumpf competindo um contra o outro, o gaúcho faz valer a experiência de quem teve uma boa formação no automobilismo de base do Rio Grande do Sul e leva o Ford GT às vitórias.

Por isso a estreia do piloto na Stock Car é interessante. Sendo alguém que há quatro anos – aos 18, portanto – resolveu seguir carreira no turismo brasileiro, Matheus Stumpf é uma daqueles pilotos que tem todas as condições de alcançar o sucesso correndo por aqui de turismo, seguindo passos de Cacá Bueno e Miguel Paludo, por exemplo. Aliás, com tão pouca idade, o gaúcho, no futuro, pode pensar em seguir a carreira internacional como seus antecessores.

P.S: Matheus Stumpf fechou na última colocação os treinos desta sexta-feira. Não que pudesse se esperar mais de um novato em uma equipe que perdeu duas etapas, apenas notificando