BMW M3
A BMW já está em contagem regressiva para a entrada no DTM

Com 2011 ainda se aproximando da sua metade, é cedo para que a maioria das equipes do DTM busquem se organizar para a próxima temporada, afinal, o atual campeonato está longe de uma definição. Isso, no entanto, não se aplica à BMW. Com a montadora alemã prestes a estrear na categoria no próximo ano, a escolha dos pilotos e demais responsáveis pelo staff técnico está acontecendo a todo vapor.

Depois de deixar a F1, sair do WTCC e extinguir a F-BMW, a montadora alemã decidiu que o melhor jeito de se fortalecer é começando em casa, pela própria Alemanha, por isso, desde 2010, anunciaram que o foco passou a ser a estreia no DTM em 2012, ao lado das competições de endurance. Para isso, escolheram três times – e seis vagas, consequentemente – para representá-los: RBM, Schnitzer e Reinbold GmbH.

A montadora alemã faz mistério sobre quem serão esses seis pilotos, mas é possível identificar, ao menos, quem são os favoritos. Nesse breve post de adivinhação, primeiro vou colocar as peças do quebra-cabeça da BMW e depois tentarei montá-lo.

O que se sabe até agora: a BMW vai escolher pilotos que possam vencer corridas já no primeiro ano; a BMW deve escolher alguns pilotos com ligação à empresa; a BMW deve ter entre dois ou três pilotos alemães; a BMW pode escolher um jovem talento; a BMW pode escolher um piloto com passagem pela F1.

Dito isso, hora de identificar quem é quem. Por entender que a BMW quer alguém para vencer corridas, também fica claro que a montadora vai buscar um piloto que esteja atualmente empregado pela Audi ou pela Mercedes. Na realidade, os estreantes vão tocar o terror no mercado. Isso porque, Audi e Mercedes sempre tiveram um acordo de não contratar pilotos uma da outras. Isto é, para evitar uma guerra salarial e manter o DTM rentável, o mercado interno foi extinto. Com a BMW na busca de um líder, as duas fabricantes que atualmente estão na série, vão precisar elevar o salário das principais estrelas para continuar com eles.

Augusto Farfus
Augusto Farfus preenche os requisitos do que a BMW precisa e dificilmente ficará de fora do DTM

No primeiro escalão do DTM, hoje, se encontra: Bruno Spengler, Gary Paffett, Timo Scheider, Mattias Ekström. Desses, Paffett renovou com a Mercedes e Ekström tem contrato com a Red Bull, parceira da Audi. Assim, viáveis seriam Spengler e Scheider. Teoricamente, o alemão é mais caro que o canadense devido ao recente bicampeonato, além disso é mais identificado à Audi que o rival,  à Mercedes.

Caso a BMW não consiga arrancar Scheider e/ou Spengler, o favorito é Jamie Green, que voltou à Mercedes HWA na atual temporada depois de passar anos em times satélites. Outra opção pode ser Martin Tomczyk, recentemente chutado da Abt (principal time da Audi), mas atual líder do campeonato.

Entre esses citados, apenas um ou dois devem ir para a BMW. As outras cinco vagas começariam a ser preenchidas por gente com ligação à fabricante. Atualmente, eles têm sete pilotos sob contrato: Andy Priaulx, Augusto Farfus, Jorg Muller, Dirk Muller, Dirk Werner, Joey Hand e Bill Auberleen. Destes, quatro são ex-WTCC e dois fizeram carreira na ALMS. Sinceramente, seria uma zebra muito grande se Priaulx e Farfus ficarem de fora. Ambos estão na montadora há quase uma década e sempre foram priorizados pelos alemães. Enquanto Priaulx é um megacampeão, Farfus tem um histórico recente de conquistas, além de ser bastante novo, apenas 27 anos.

Jorg Muller é outro que eu não descartaria. O piloto fez carreira correndo pela Schnitzer tanto no WTCC quanto na Le Mans Series. É alemão e bastante experiente. Dirk Muller, que não é parente, é outro que pode aparecer, mas corre por fora assim como Dirk Werner.

Nick Heidfeld
Nick Heidfeld tem uma loooonga relação com a BMW

Outro lugar em que a BMW pode buscar piloto é na F1. A Mercedes, por exemplo, sempre recorreu à categoria principal para trazer algum reforço, como Mika Hakkinen, David Coulthard e Ralf Schumacher. Já a Audi preferiu investir em outras frentes para se reforçar. Caso a BMW queria seguir o caminho da rival de três pontas, ela vai encontrar no mercado nomes germânicos como Nick Heidfeld, Timo Glock e Adrian Sutil, além de outros como Jarno Trulli. Heidfeld, óbvio, é a melhor escolha. Se Robert Kubica retornar, Quick Nick está fora da F1 novamente e vai ter de brigar por uma das poucas vagas disponíveis. Assim, ele poderia fazer uso da boa relação com a montadora – para quem correu por anos na F1 – e ir para o DTM. Sutil e Glock são mais jovens, bastante arrojados, mas não estão em boa fase.

A BMW, porém, pode optar por algum ex-piloto da categoria. O nome mais cotado foi o de Pedro Lamy, mas faz algum tempo que nada se ouve a respeito. Não acho que Lamy seja o melhor nome para levar os germânicos ao topo do DTM, mas é uma escolha até que curiosa.

Por fim, pensando em longo prazo, algum jovem piloto pode ser escolhido. Como não conheço nada dos campeonatos de turismo germânicos, ficarei nos monopostos. Durante anos, a Mercedes se reforçou pegando jovens vindos da F3 Europeia. Ainda é um bom caminho, mas a categoria entrou em uma decadência nos últimos anos. De qualquer forma, Daniel Juncadella, Felix Rosenqvist e Marco Wittmann não seriam escolhas ruins. Roberto Merhi parece ter futuro ao menos na GP2, por isso não o citei.

No entanto, no meu ponto de vista, não ficaria restrito à F3, tentaria trazer alguém da GP2. Na categoria de acesso da F1, em 2011, cinco pilotos têm chamado a atenção: Romain Grosjean, Charles Pic, Giedo Van Der Garde, Davide Valsecchi e Sam Bird. É óbvio que a F1 não terá vaga para todos eles. Assim, quem sobrar poderia ver com bons olhos uma ida para o DTM. Outro nome que pode aparecer é o de Álvaro Parente.

Claro que todas essas opções são as escolhas com maior probabilidade. No entanto, vale lembrar que a BMW segue nas categorias de turismo mesmo sem representação oficial. Ou seja, não seria nada impossível que alguém  como Rob Collard ou Colin Turkington que correm pela montadora  em torneios como o BTCC e o STCC apareçam.  Ainda que tenham chances remotas.

Eu chutaria Priaulx, Farfus, Heidfeld, Jorg Muller, Pedro Lamy e Martin Tomczyk ou Jaime Green. Será que acerto algum até o fim do ano? E você, em quem apostaria?