Reed Sorenson e Ron Fellows
A corrida da Nationwide foi tão disputada, que veio a bandeirada e precisou de mais duas voltas até saber quem ganhou

Antes de mais nada, quero dizer que não tenho nada contra Kyle Busch, Brad Keselowski ou Carl Edwards, mas a etapa da Nationwide Series, disputada neste sábado, dia 25, provou que a divisão de acesso da Nascar não precisa deles. Caso você não tenha visto a prova épica, com três prorrogações e muito drama, basta clicar aqui e ver o texto com a qualidade de sempre.

Quando Brad Keselowski venceu a etapa do Kansas da Sprint Cup, escrevi aqui que esse era o resultado que a Nascar queria para justificar de forma acertada a mudança na regra sobre a forma de classificação para o Chase em 2011. É possível traçar um paralelo e dizer que o triunfo de Reed Sorenson em Elkhart Lake foi o que a categoria precisava para confirmar o sucesso da medida adotada que proíbe um piloto de somar pontos nas três principais divisões.

Sem pontuar na Nationwide, Kyle Busch e Brad Keselowski já haviam decidido de antemão não participar da corrida em Road America, afinal, em termos logísticos, esse é o pior final de semana da Nascar. Como a Sprint Cup está na Califórnia para a corrida de Sonoma, voar para Wisconsin e correr no misto de Elkhart Lake é uma correria sem tamanho entre jatinhos e helicópteros. O último ingrediente acabou sendo a desistência de última hora de Carl Edwards, que optou por ficar em Infineon para melhorar o carro e defender a liderança na Cup.

Assim, essa foi a primeira corrida desde a etapa de Nashville de 2005 sem Edwards competindo na divisão de acesso. Para você ter uma ideia, eu não acompanhava a Nascar nessa época e hoje você lê o que eu escrevo sobre a categoria.

Michael McDowell
Imagina se na primeira corrida sem pilotos da Sprint desde 2005, o carro número 18 vence?

Da mesma forma, essa também foi a primeira corrida sem nenhum piloto da Sprint Cup desde então. Aliás, quase foi. Isso porque Michael McDowell é um piloto da divisão principal que corre para a fraquíssima equipe Parsons que só faz start-and-park. Ainda assim, seria um anti-clímax tremendo na primeira etapa sem Edwards deste milênio, ser vencida por um piloto meia-boca da Sprint e, pior, correndo no carro número 18, do sempre dominante Kyle Busch.

Para piorar, McDowell dominou boa parte da prova e só foi perder a ponta na segunda prorrogação. De qualquer forma, foi bom que ele não tenha vencido. Em caso de triunfo dele, geraria muita especulação envolvendo aquele famoso questionamento se o primeiro colocado teria sido ele mesmo ou qualquer um no 18 conseguiria repetir a façanha.

Só que ainda bem que McDowell não é Kyle Busch. Além de ter perdido a liderança de forma limpa para Justin Allgaier, o hoje piloto da Joe Gibbs perdeu a cabeça ao ver a primeira vitória da carreira na Nascar indo por água abaixo. Depois de fazer uma corrida sólida, o piloto se envolveu em uma série de acidentes em um intervalo de três ou quatro curvas (!!). Um salseiro, um melê completo, que acabou chamando a bandeira amarela novamente.

Essa besteira generalizada de McDowell e de tantos outros deu ainda mais emoção à corrida que já estava dramática. Allgaier viria a sofrer uma pane seca, enquanto Sorenson e Ron Fellows continuariam brigando pela vitória mesmo duas voltas após a bandeirada final (!!!). Desculpe Kyle Busch e Carl Edwards, mas ter tanta gente ruim e em desenvolvimento correndo junto foi o que deu a graça dessa etapa da Nationwide.

Aos dois, assim como a Keselowski, Kevin Harvick, Joey Logano e todos outros que insistem em fazer as duas categorias de forma simultânea, tenho um pedido a fazer: FORA! Hoje ficou comprovado que a categoria não precisa de nenhum de vocês para ser divertida. É claro que não estou levando em conta os valores comerciais que significam a não participação deles nessas provas, mas quanto à emoção, as corridas ficam muito melhores sem eles.

Nessas horas, aliás, eu sempre faço uma comparação interessante. Se o Neymar fosse jogar a Copa São Paulo de Futebol Júnior, é claro que esse torneio ia ter mais audiência, assim como se Vettel e Alonso voltassem à GP2, ou LeBron James desistisse de conquistar o título da NBA pelo Miami Heat e fosse disputar o basquete universitário novamente. Claro que eles seriam reis nesses casos, mas a época deles nesses torneios já passou. O mesmo vale para a Nascar.

Só que como no turismo americano não há nenhuma proibição – e acertadamente não deve ter – caberia ao bom senso de patrocinadores, equipes, pilotos e fãs não dar espaço para esse tipo de invasão. Algo que, infelizmente, não existe. Assim só resta fazer uma campanha, ‘Fora Kyle Busch! A Nationwide não precisa de você’. O mesmo, claro, vale para Carl Edwards e Brad Keselowski.

P.S.: pelas questões comerciais já citadas, é impossível que os pilotos da Sprint Cup deixem à Nationwide, mas um bom caminho para a Nascar seria fazer a logística entre essas duas categorias ser mais vezes impossível ao longo do ano. Se os circuitos mistos já são colocados no calendário a conta-gotas para não banalizar o tipo de prova que tivemos neste sábado, também seria legal que mais eventos fossem controlados de forma tão detalhada para desencorajar os pilotos da divisão principal a participarem

P.S.2: vendo a Nascar nesses últimos anos, aprendi que não importa o quão boa a prova da Nationwide for, a da Sprint será sempre muito melhor no dia seguinte. A etapa em Sonoma, portanto, deverá ser um corridão. Caso você esteja lendo esse post após a corrida na Califórnia, diga aí embaixo se eu acertei

P.S.3: campanha Fora Kyle Busch! Já!