Brian Vickers
A Red Bull não gostou dos fracos resultados e resolveu puxar o carro na Nascar

A grande notícia da Nascar nessa semana não foi a vitória de Denny Hamlin em Michigan, nem a punição recebida pela equipe de Joe Gibbs, na mesma prova, depois de tentar burlar o regulamento com uma peça não aprovada. O grande destaque, claro, foi a decisão da saída da Red Bull no final da atual temporada.

Antes de comentar esse caso, é importante deixar claro que a Red Bull desempenhava dois papeis na Nascar: de dono de equipe e de patrocinador. Não tem como entender a saída da empresa da categoria sem fazer essa separação. Red Bull equipe, seria um equivalente a dizer que a Hendrick saiu da Nascar. Por patrocinador, seria a Lowe’s, a GoDaddy ou a AMP caindo fora.

Dito isso, a história começou (ou terminou, dependendo do ponto de vista) nessa segunda-feira, dia 20, quando uma repórter da agência AP chocou a Nascar ao desvendar o que estava acontecendo nos bastidores energéticos. Ela contou que um representante da Red Bull veio da Áustria para a etapa de Michigan com o objetivo de contar ao time que eles não iriam continuar em 2012. Com certeza, deve ter agradecido os anos de trabalhos prestados, o consumo da bebida e foi-se embora.

Agora, sabe qual a importância que a Red Bull tem para a Nascar? Nenhuma. A Red Bull, como equipe, foi um time que em cinco anos na categoria conseguiu duas vitórias – a de AJ Allmendinger no Nascar Showdown nem para estatística conta – e se classificou uma vez para o Chase, com Brian Vickers em 2009, antes de o piloto ter os coágulos no sangue.

A equipe sempre foi um exemplo de desorganização e má-gestão de recursos humanos – leia-se, pilotos. Em nenhum momento o time conseguiu sair do buraco que estava. No máximo, conseguiu escalar um pouco. Em 2007, por exemplo, quando estrearam, Vickers só se classificou para 23 corridas, enquanto Allmendinger, para 17. No ano seguinte, sacaram AJ de algumas etapas do começo do campeonato, o que até pareceu acertado já que no retorno o californiano conquistou o Nascar Showdown e teve uma significativa melhora de desempenho.

Ainda assim, a Red Bull não teve paciência e logo o demitiu, antes mesmo do final de 2008. A história conta que enquanto a equipe jamais conseguiu estabelecer uma dupla de pilotos competitiva, Allmendinger foi para a GEM/RPM e hoje pode ser considerado um piloto do terceiro escalão da Nascar. Se considerarmos, por exemplo, Kasey Kahne como sendo do segundo, então não seria absurdo dizer que Allmendinger é um piloto de terceiro escalão conquistando resultados de segundo, enquanto Kahne fica na linha tênue entre segundo e terceiro quanto ao desempenho. Vale lembrar, ainda, que AJ chegou à Sprint Cup sem jamais ter pilotado um carro de turismo, vindo direto da ChampCar.

Kasey Kahne
Nem mesmo com Kasey Kahne a Red Bull ficou longe dos problemas

O substituto de Dinger foi Scott Speed. Speed entrou na categoria credenciado pela quinta colocação na ARCA, quando liderou o campeonato até a etapa final. Um desempenho impressionante se levarmos em conta que o ex-piloto de F1 competiu contra nomes como Justin Allgaier e Ricky Stenhouse Jr, que hoje fazem sucesso na Nationwide.

Esse, aliás, talvez tenha sido o motivo do fracasso de Speed na Nascar. Enquanto seus contemporâneos ainda estão sendo desenvolvidos nas categorias de acesso, Scott já teve a chance na Sprint Cup e, assim como Allmendinger, foi chutado sem dó. Agora, para 2012, a Red Bull percebeu que a solução não era chutar pilotos, então decidiram demolir toda a equipe.

A gestão da Red Bull na Nascar e na F1, aliás, são similares de certo modo. Demitir pilotos e trocá-los por jovens nem sempre preparados é algo recorrente em ambas as categorias. Em que pese a paciência extra que estão demonstrando para não cometer esse erro com Daniel Ricciardo.  Só que no turismo americano, os rubro-taurinos não encontraram um Adrian Newey disponível. Como essa função de projetista sequer existe por lá, talvez apenas a contratação de um Chad Knaus poderia ter impacto semelhante. Entre os pilotos, por melhor que Kasey Kahne seja, jamais será o que Vettel representa para a F1. Em longo prazo no turismo americano, a Red Bull conseguiria um monte de Ricciardos, mas dificilmente arrumaria um Vettel.

Cole Whitt
Cole Whitt pode ficar tranquilo, pois deve manter o patrocínio da Red Bull

Até aqui falei sobre a saída da Red Bull equipe. Agora, hora de tratar sobre a Red Bull patrocinador.

O grande choque da decisão da empresa de Dietrich Mastechitz em deixar a Nascar é que a categoria perde um investidor de peso, que, mais do que isso, está presente nas principais competições de todo o mundo. Mas sabe qual o peso isso tem na Nascar? Nenhum.

A Dupont, que patrocinou Jeff Gordon desde que o piloto estreou na categoria, em 1992, deixou o esporte neste ano. É verdade que decidiu voltar e patrocinar aqui e acolá, mas não tem mais a mesma participação. A GM Goodwrench, que investiu em Dale Earnhardt no auge do heptacampeonato, sequer existe mais. Quando essas empresas resolveram deixar a categoria, talvez fosse hora de equipes e dirigentes reverem o posicionamento no mercado. Quando a Red Bull sai, no máximo uma empresa ou outra vai querer reavaliar sua participação.

Só que a história é tão estranha, que a Red Bull patrocinadora talvez não saia da Nascar. Ainda não houve nenhum comunicado oficial, mas a tendência é que Cole Whitt, de 19 anos e vice-líder da Truck Series, continue patrocinado pelos energéticos e vai continuar a correr com o esquema de pintura característico da empresa em 2012 e no futuro. Whitt, porém, terá sempre que procurar um time para correr, como já acontece neste ano, onde ele compete ela Turn One Racing.

A Red Bull também pode ficar na Sprint Cup e patrocinar algum piloto. Aí seria interessante ver para qual equipe eles iriam. Uma hipótese possível é continuar na Toyota, indo para a equipe de Joe Gibbs, e viabilizando a contratação de Carl Edwards para o quarto carro do time. Caso a Chevrolet seja a escolhida, então a equipe de Tony Stewart e a própria Hendrick saem na frente, mas vale lembrar que Clint Bowyer segue sem patrocinador e ele já havia sido especulado em uma transferência para a própria Red Bull na época em que ela ainda existia.