Felipe Massa
Vendo a complexidade do mercado de pilotos e o atual plantel da Ferrari, é uma besteira o time de Maranello liberar Felipe Massa

As especulações envolvendo a segunda vaga da Ferrari – a de Felipe Massa – ganharam um novo capítulo com o nome de Jenson Button sendo ventilado. O piloto da McLaren entra em uma sucessão que já teve Sebastian Vettel, Robert Kubica e Nico Rosberg como principais concorrentes a companheiro de Fernando Alonso em 2012.

De todos, o inglês é o que faz mais sentido. A Ferrari precisa de alguém que se encaixe com o espanhol, algo quase inexistente na F1. Por encaixar, entende-se saber que as atenções e melhores equipamentos vão estar à disposição do asturiano, mas que a cobrança de resultados será igual para os dois.

Button vive algo semelhante na McLaren. Em grau menor, é difícil ver o time inglês abrindo mão de Hamilton para dedicar-se ao companheiro, a menos que seja uma final de campeonato com Lewis fora do páreo. Só que nesse cenário é importante ressaltar dois aspectos. A McLaren nunca falou abertamente em privilegiar um piloto, tampouco Button ou Hamilton tenha reclamado de falta de atenção do time. E segundo, Jenson é identificado com a McLaren. Tem bom relacionamento com o time, com os patrocinadores e é um inglês correndo em uma equipe inglesa.

Assim, a menos que Button tenha algum tipo de desejo de realmente pilotar pela Ferrari, uma transferência só deve acontecer por uma substancial quantia. Por outro lado, a McLaren já avisou que pretende renovar tanto com Hamilton quanto com Button.

Caso Button realmente esteja interessado em ir para a Ferrari, ele vai encontrar um time que, se já não foi construído para priorizar Alonso, tem o espanhol totalmente adaptado. Aí o retrospecto na F1 pode pesar. O asturiano teve seis companheiros na F1 desde que chegou à Renault: Trulli, Fisichella, Hamilton, Piquet, Grosjean e Massa. Dois tiveram a carreira destruída, um saiu de da equipe reclamando do espanhol, um só ficou na equipe porque Fernando foi para outro time e um conseguiu a proeza de expulsar Fernando da equipe em um dos piores anos da história da tal organização. O outro é Felipe Massa.

Ou seja, Button vai precisar ter muito sangue frio, pois a história indica que ele não terá vida fácil caso escolha uma transferência para a Ferrari. Por outro lado, a equipe italiana tem Felipe Massa. O brasileiro é identificado com a equipe – assim como Button é com a McLaren – e tem uma relação muito boa com os patrocinadores. O que pese o interesse de todos eles em investir no Brasil (não só no automobilismo), se aproveitando da figura de Massa como um semi-ídolo nacional.

Felipe Massa
Felipe Massa tem o trunfo de ser adaptado à equipe, gozar de uma boa relação com patrocinadores e representar um dos mercados que mais cresce no mundo

É verdade que Massa não vive seu melhor momento na F1, mas abrir mão da vaga na Ferrari talvez não seja tão interessante. É claro que é impossível determinar hoje quais são as possíveis vagas que o brasileiro teria no mercado. Mesmo que as outras quatro grandes equipes da categoria – McLaren, Red Bull, Renault e Mercedes – possam ter vagas abertas, Massa pode não ser um favorito na lista desses times. Além disso, se o brasileiro pudesse escolher deixar a Ferrari para buscar uma chance de título longe de Fernando Alonso, seria difícil, a situação que ele encontraria na McLaren de Hamilton ou na Red Bull de Vettel não seria tão diferente.

O último fator que pesa é o contrato de Alonso. O espanhol renovou recentemente até 2016. Então, quem for para a Ferrari precisa saber que durante cinco anos o número 1 do time já foi escolhido. Ou seja, talvez para a Ferrari fosse mais interessante manter Massa por mais alguns anos, apostando também em uma recuperação do brasileiro. Digamos que Felipe renove até 2014. A Ferrari poderia estudar lançar uma jovem promessa na equipe a partir de 2015 pensando já na aposentadoria do bicampeão.

Esse cenário não seria algo tão novo no time. Felipe Massa quando entrou na Ferrari foi para substituir o próprio Barrichello na reestruturação que o time sabia que iria passar após o fim da era Schumacher. Por outros fatores, Felipe ainda chegou a ser companheiro de Schumacher por uma temporada, em 2006, quando Rubens Barrichello optou por transferir-se para a Honda.

Com a dificuldade que é lidar com Alonso, com os valores comerciais envolvidos e com a complexidade do mercado de pilotos para os próximos anos, a melhor opção para a Ferrari é manter Felipe Massa.