Nelsinho Piquet
Nelsinho Piquet bateu na última volta de três das últimas quatro corridas, quando estava no TOP 10

Pocono é uma pista que mistura corridas boas com tédios eternos. A etapa da Sprint Cup, deste domingo, dia 12, foi uma dessas que fizeram as pálpebras pesarem. Por isso, serei breve aqui na análise, até porque a prova da ARCA, no mesmo circuito triangular, mas realizada um dia antes, foi muito mais legal.

Na Sprint, Jeff Gordon fez uma boa corrida e esteve sempre no encalço de Denny Hamlin e Juan Pablo Montoya, por isso mereceu vencer. Com os problemas de Hamlin e o erro/falta de rendimento do colombiano, o piloto da Hendrick assumiu a primeira colocação e recebeu a bandeira quadriculada. Agora, com dois triunfos e na 11ª posição do campeonato, apenas uma falta de sorte muito grande o tira do Chase.

Agora vamos ao que realmente interessa: a corrida da Truck Series, na noite da sexta-feira, no Texas. Essa divisão da Nascar serviu como preliminar da Indy na pista de Fort Worth e ainda teve o infortúnio de acontecer logo após o jogo 5 da final da NBA entre o time da casa, o Dallas Mavericks, e o Miami Heat. Ou seja, ninguém deu muita bola para a prova.

O que foi uma pena. A corrida foi bem disputada e por muito pouco não consagrou nomes como James Buescher e Parker Kligerman, que estão em busca do primeiro triunfo na categoria, ou gente como Austin Dillon e Johnny Sauter, que até pouco tempo eram considerados novatos.

Matt Crafton e Austin Dillon
Mas não é só Nelsinho Piquet que anda batendo por aí..

No final, Ron Hornaday se aproveitou de uma queimada de largada de Sauter, em plena prorrogação, para vencer sem maiores dificuldades. Destaque também para os dois brasileiros que andaram no TOP 10 a maior parte da prova.

E é justamente os brasileiros que merecem alguma menção. Pela terceira vez na temporada – em nove etapas e – Nelsinho bateu na última volta. Acho que a justificativa de azar ou ter se envolvido sem culpa nos acidentes não cola mais. É muito azar para uma pessoa só.

Eu tenho uma visão um pouco diferente sobre o que acontece com ele. Penso que o segundo lugar obtido em Nashville – quando ficou atrás somente de Kyle Busch – o deixou mais ansioso por um bom resultado. Na ocasião, em plena prorrogação, o piloto tinha relargado em quinto e passado quase todos os adversários antes de receber a bandeira quadriculada em segundo.

Esse bom desempenho pode ter deixado o brasileiro mais ansioso em dois fatores. O primeiro, o óbvio, é fazer com que o filho do tricampeão queira conquistar logo a primeira vitória, afinal já ficou provado que é possível. O segundo é que a corrida em Nashville motivou o ex-piloto de F1 a tentar repetir sempre o desempenho dominante e as várias ultrapassagens das últimas voltas. Por isso, os contatos com outros pilotos e os erros se tornaram mais frequentes, afinal, as condições daquela corrida, como pneus em melhores condições, nem sempre se repetiram.

Por outro lado, não podemos esquecer que Nelsinho é um novato na categoria. Então, esse tipo de erro é bastante comum para pilotos com menos experiência. A gente cobra um pouco mais dele justamente por ser alguém que dominou tudo nas categorias de acesso europeias antes de chegar à F1. Só que ele também precisa de um tempo de adaptação. A 16ª colocação no campeonato, com 1 TOP 5 e 2 TOP 10 parece pouco perto do que ele já mostrou ser capaz, mas não é um resultado ruim. Se acalmar os ânimos, a tendência é que os resultados melhorem.

A próxima etapa da Sprint Cup é em Michigan, que, a exemplo de Pocono, pode ter corridas muito boas ao lado de provas terríveis. De qualquer forma, é uma etapa interessante para comprovar a fragilidade da Ford em ovais mais longos que 1,5 milha. Kevin Harvick é o favorito, mas Kyle Busch, Jimmie Johnson e a Penske não devem ser descartados.