A escolha por Pedro de la Rosa no Canadá

Pedro de La Rosa
Pedro de la Rosa era a escolha óbvia da Sauber, mas em uma F1 onde não se pode treinar, estaremos condenados a ver cada vez menos apostas em jovens talentos

A Sauber promoveu o (novo) retorno de Pedro de la Rosa à F1, neste final de semana de GP do Canadá, depois de Sergio Pérez ter se sentindo mal após o primeiro treino livre. Com toda certeza, essa foi a decisão mais sensata, mas é de lamentar que uma equipe como a Sauber não tenha dado uma chance a Esteban Gutiérrez.

Primeiro, falando sobre De La Rosa, era claro que ele seria o favorito a entrar no carro. Da mesma forma que não seria supreendente se Daniel Ricciardo ou Lucas  Di Grassi recebessem o mesmo tipo de convite. Afinal, esses são pilotos mais experientes que, mesmo não estando entre os titulares da F1, não deixaram de pilotar em 2011. Só que no caso do espanhol, pesa a demissão na metade do ano passado.

Para quem não se lembra, durante toda a metade da temporada 2010 era apontado que Pedro de la Rosa talvez não tivesse o dinheiro para fazer o ano todo, por isso o nome de Luca Filippi era especulado constantemente. Para o GP de Cingapura, de fato o catalão foi sacado, mas no lugar entrou Nick Heidfeld, que segue como substituto nº 1 de pilotos. Como o alemão já arrumou uma vaguinha por aí para este ano, Peter Sauber precisou recorrer justamente ao seu antigo piloto. É claro que em business não existe muito o que chamamos de hipocrisia, mas não deixa de ser algo a ser criticado.

Por outro lado, a Sauber sempre foi conhecida a dar chances a jovens promessas. Para não voltarmos muito no tempo, foi por esse próprio time que Kimi Raikkonen estreou em 2001, quando tinha corrido somente de F-Renault na carreira. Cinco anos depois, foi a vez de Robert Kubica pular da World Series para a vaga de Jacques Villeuneve, enquanto, no ano seguinte, Sebastian Vettel fez salto semelhante para cobrir o polonês que se acidentara no GP do Canadá de 2007.

A diferença entre esses três exemplos e Esteban Gutiérrez é quo trio conhecia um carro de F1 de cor. Eles eram pilotos de testes (ou puderam aproveitar a extensa pré-temporada no caso de Kimi) para se adaptar ao equipamento da categoria principal. O mexicano, por sua vez, quando muito participou de dois treinos para novatos.

Mas não ter treinado não é culpa de Gutiérrez. O regulamento hoje proíbe testes para todo mundo. Talvez seja por isso que tem tanto piloto na casa dos 40 correndo e os novatos que conseguem vaga na categoria são porque pagaram (e muito) pelas vagas. Paul Di Resta está aí para provar que isso não é mentira. Ele foi um dos poucos que conseguiu treinar nessa época de restrições, conseguiu uma vaga na F1 e está se destacando.

Voltando ao Esteban Gutiérrez, se a Sauber jamais considerou colocá-lo no carro para correr, pergunto por que assinou com ele como reserva. Será que foi para tirar mais um dinheirinho do Carlos Slim? Ou para evitar que outra equipe ficasse de olho nele? Não sei.

Outro ponto que pesa contra o mexicano é que ele não poderia fazer o salto para a F1 pois está indo muito mal na GP2. O companheiro dele, Kamui Kobayashi, ia mal na categoria de acesso. Isso não é parâmetro.

É claro que depois de apresentado todos os argumentos, fica claro que a decisão sensata era trazer De La Rosa. Só que é justamente quando se contraria a ordem das coisas que se consegue as grandes evoluções na F1. Jogar Kobayashi – que andava no meio do pelotão da GP2 – em Interlagos talvez não parecesse a coisa mais prudente. Nem colocar um Kimi cuja única experiência era F-Renault. Ou talvez tirar o competente Roberto Moreno da Benetton, em 1991, para colocar um tal Michael Schumacher vindo sem muito destaque dos carros protótipos não fosse algo tão elogiado.

Às vezes é necessário correr o risco. Hoje a Sauber perdeu essa chance.

4 comentários sobre “A escolha por Pedro de la Rosa no Canadá

  1. bom, menos mal… mas ainda assim, eu tô achando ele um dos pilotos mais “verdes” do grid da GP2 desse ano, sei lá… pode ser até uma impressão errada, mas nessa estou com o Peter Sauber

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  2. de boa, pelo que ele tá mostrando na GP2, deixa ele lá mais um ano pelo menos, não é hora de jogar o muleque em um carro de F1 em um circuito que ele nunca andou…

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    1. Só uma correção. Ele já correu em Montreal quando foi vice-campeão da F-BMW Americas em 2007.
      Marcou a pole-position para as duas corridas, conquistou uma volta mais rápida e terminou em 2º e em 6º.

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