Nascar em Charlotte: quando a ousadia deu resultado

Kevin Harvick
Kevin Harvick apostou na tática de combustível e venceu as 600 Milhas de Charlotte (clique na imagem para ampliar)

Às vezes eu acho que esses figurões do automobilismo leem o blog. Depois da prova de Dover, eu critiquei a equipe de Richard Childress, na Nascar, que aparecia com aquele discurso de que por conta das então duas vitórias de Kevin Harvick poderiam arriscar mais nas provas, mas o resultado era o oposto e o time perdia a chance de lutar pelos triunfo pois eram conservadores de mais.

Em Charlotte, na etapa seguinte, – caso você não lembre ou não tenha visto como foi, para ler o texto genial de sempre basta clicar aqui – a RCR arrisca deixar Harvick na pista, sem combustível, e ele ganha pela terceira vez no ano. Ou eles se inspiram no meu post, ou fizeram isso como uma resposta.

Brincadeiras à parte, a estratégia de Harvick, em Charlotte, não foi somente uma aposta arriscada para as voltas finais. Realmente a equipe do carro 29 sabia o que estava fazendo naquele fim de corrida. Depois de perder duas provas seguidas nessa situação, talvez estivessem mais espertos dessa vez.

Em primeiro lugar, a história conta que a maioria das etapas recentes das 600 milhas em Charlotte foram definidas na economia do combustível. Então, poupar a gasolina+etanol no fim da prova não era uma ideia absurda. Pelo contrário.

Só que ao contrário do que a imensa maioria dos times fez, isto é, decidiram economizar ali nas últimos giros (ou talvez somente atrás do safety-car), a equipe de Kevin Harvick passou boa parte das 100 últimas voltas com um ritmo menos alucinado para conseguir chegar à linha de chegada. É claro que essa era uma aposta, mas se mostrou muito válida, visto que posição de pista contou muito em Charlotte. E com uma parada a menos, ou apenas um splash&go, era natural que o carro 29 fosse avançar.

Kevin Harvick e Dale Earnhardt Jr
Na última curva Kevin Harvick conseguiu ultrapassar o carro parado de Dale Jr para vencer pela terceira vez no ano

Acompanhando pelo tempo de volta, ficou claro depois da última parada que Harvick fez (na volta 347, acho) a estratégia foi mesmo de poupar combustível até o fim. O Chevrolet era cerca de 0s5 a 0s8 mais lento por volta que os líderes e pelo menos 0s2 mais devagar que os carros próximos. Nos últimos dez giros, o ritmo do carro mudou do nada e ele passou a ser 0s6 mais rápido chegando, até mesmo, a ser o mais veloz da pista em alguns momentos.

Uma mudança brusca assim não acontece por acaso. Muito provavelmente a equipe deve ter informado o piloto de que ele teria poupado combustível suficiente para chegar até o final. No entanto, para aumentar a dramaticidade, o motor de Jimmie Johnson estourou e a corrida foi para o Green White Checkered, ganhando mais duas voltas.

Esses giros adicionais foram um pesadelo para os participantes, que mal tinham combustível para completar as previstas 400 voltas, quanto mais outras duas. Para Harvick, não. Ele estava tranquilo para terminar a prova, faltava apenas garantir que a prorrogação não o faria morrer na praia. Por precaução, o piloto desligou o equipamento nas voltas atrás do safety-car sendo empurrado pelos companheiros Paul Menard e Jeff Burton. Algo válido pelas regras.

Na relargada, sem ajuda nenhuma, Harvick nem precisou desviar do carro de Kasey Kahne (que estava na mesma estratégia do piloto da RCR, mas que teve a pane seca) e partiu feito um foguete passando os adversários que iam parando pelo caminho. Ironicamente, o último a cair foi Dale Jr, cuja seca de vitórias já dura 105 corridas e que ocupava a liderança até a entrada da curva 4.  Sem se preocupar com o problema do adversário, Harvick ultrapassou o ídolo da torcida e cruzou a linha de chegada, conquistando o terceiro triunfo em 2011.

Essa vitória foi bastante importante para o piloto pois, de uma vez por todas, o garantiu no Chase. Como a nova regra estabelece que os dois pilotos que mais obtiverem vitórias e terminarem a temporada regular entre a 11ª e a 20ª posição estejam nos playoffs, será muito difícil que o piloto de Richard Childress não consiga entrar por, pelo menos, esse critério. Quanto a Dale Jr, é de partir o coração, mas faz parte de corrida. JR Hildebrand que o diga.

A próxima etapa da Nascar é no Kansas. É a primeira vez que a categoria corre na primavera americana por lá. Antes, só no Chase mesmo. O Kansas sempre apronta alguns resultados estranhos, então nunca se sabe. Além disso, a Ford ainda é favorita, mas Tony Stewart é muito bom nessa pista.

2 comentários sobre “Nascar em Charlotte: quando a ousadia deu resultado

  1. Enquanto isso Greg “não economizo combustível, pois a equipe me paga para acelerar” Biffle não dá a menor impressão de que possa ser protagonista de um Chase.
    Fosse eu, começava a preparar seriamente a sucessão do #16, afinal Stenhouse Jr e Bayne estão aí para isso.

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  2. A National Guard deve ter ficado contentíssima no domingo hein… viu os dois pilotos que ela patrocina na Indy e na Nascar perder a corrida na última curva da última volta…

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