Bruno Junqueira
Bruno Junqueira entende Indianápolis como poucos. Sabe que lá é o lugar dos protagonistas correrem

Pela segunda vez em três anos, Bruno Junqueira não vai largar nas 500 Milhas de Indianápolis. Depois de classificar o segundo carro da Foyt na 19ª colocação – e sem precisar passar pelo tenso Bump Day –, o piloto brasileiro mais uma vez foi sacado. Dessa vez, para a entrada de um dos pilotos da Andretti: Ryan Hunter-Reay ou Mike Conway, que não conseguiram se classificar por meios normais.

Na outra ocasião, em 2009, Junqueira assinou com a Conquest para correr apenas a Indy 500. Naquele ano, a equipe de Eric Bachelart vivia uma crise brava – muito por conta da perda do patrimônio após a fusão entre ChampCar e IRL – e estava sendo acalmada pelo desempenho razoável de Alex Tagliani, ao menos nos circuitos mistos.

Só que o equipamento era ruim mesmo. Com uma concorrência não tão assustadora como a desse ano, Junqueira só conseguiu se classificar em 31º, enquanto o canadense ficou fora da corrida. Os poucos patrocinadores da Conquest queriam que Tagliani corresse, afinal, todo o marketing do time era voltado nele. Aí, não teve jeito. Bruno fora e Alex dentro.

No ano passado, Tagliani se redimiu e ofereceu um carro da precária, mas organizada FAZZT a Bruno Junqueira. O brasileiro se classificou para a corrida com certa facilidade mesmo treinando praticamente apenas no Bump Day antes de abandonar logo na primeira volta da prova.

Em 2011, o mineiro mais uma vez teve que ficar de fora. Aos 34 anos, Bruno entende que a época em que as atenções estavam voltadas para ele em Indianápolis já passou. Hoje, Tagliani, Ryan Hunter-Reay e Mike Conway estão na mídia. Eles disputam o campeonato de forma integral e ficar de fora da corrida tradicional é um grande fiasco.

Tanto Foyt quanto Junqueira sabem o que representa correr em Indianápolis. Para eles, em 2011, mais vale uma grana extra a colocar um segundo carro não tão eficiente cujo preço é deixar de fora protagonistas em potenciais.

Vale lembrar que Mike Conway e Ryan Hunter-Reay se envolveram em um terrível acidente na última volta da Indy 500 de 2010 e, portanto, foi anti-clímax tremendo ambos terem ficado de fora – e aqui, culpe a Andretti – da prova que poderia marcar a redenção. Independente de quem correr, RHR ou Conway, parte da atenção estará voltada a eles por conta da batida.

Essa mesma atenção que esteve em Helio Castroneves, em 2009, depois da absolvição no escândalo fiscal, e no próprio Bruno Junqueira, em 2010, que conseguiu uma heróica classificação como presente do sempre alegre Tagliani. Agora, cabe a Michael Andretti não só responder na pista a vaga comprada, como, também, mostrar alguma gratidão a outro brasileiro.