Indy 500
Quem poderia imaginar que o grid da Indy 500 teria Alex Tagliani, Scott Dixon e Oriol Servià na primeira fila

O surpreendente grid de largada para a centésima edição da Indy 500, com Alex Tagliani na pole-position e dividindo a primeira fila com Scott Dixon e Oriol Servià fez chegarmos a algumas conclusões:

1) Talvez os melhores pilotos não estejam nas melhores equipes

O fraco resultado de Penske e Andretti, principalmente, comparado ao bom desempenho de gente como Tagliani, Servià, Buddy Rice e Dan Wheldon faz questionar se, por acaso, essas equipes grandes não tenham escolhido mal o plantel de pilotos. Na Penske, por exemplo, Ryan Briscoe é extremamente questionado e vai precisar se classificar no bump day. Helio também não faz um bom ano (de novo) e apenas Will Power tem salvado o time. Na Andretti, a vitória de Mike Conway – que também parece longe de fazer a 500 – foi um oásis no fraco desempenho do time até o momento no ano.

2) Bom ver os oldschools da CART na frente

Para quem assistia à CART/Fórmula Mundial na década de 90 é sempre legal ver Alex Tagliani e Oriol Servia indo bem. Afinal, os dois sempre se mostraram bastante rápidos, mas nunca conseguiram uma grande conquista na carreira. Depois de rodarem por 23842384 times, parece que tanto o canadense quanto o espanhol conseguiram se estabilizar na Sam Schmidt e na Newman/Haas, respectivamente. Já bastante experientes, pode ser a hora do sucesso para eles.

3) Deveria haver mais corridas em ovais longos no calendário da categoria e menos provas em mistos em que ninguém passa ninguém

A Indy é extremamente incoerente em se tratando do calendário onde corre. A categoria, que vive pregando a máxima de altas velocidades e disputas emocionantes, anda em lugares como St. Pete, Barber e Mid-Ohio, onde ninguém passa ninguém. Sem Kers, pneus Pirelli e asa móvel fica difícil boas corridas nesses lugares. Enquanto isso, as provas em ovais, geralmente decididas na última volta, acontecem com uma frequência cada vez menor. Chicagoland e Kansas deram adeus ao calendário. Auto Club e Michigan não devem retornar. Assim, enquanto acontece um treino sensacional em Indianápolis, nas demais etapas sabemos de cor e salteado que Will Power vai largar na frente.

4) Will Power está cada vez mais adaptado aos ovais

Will Power é o mestre dos circuitos mistos, mas não leva muito jeito para correr em ovais. Foi assim que ele perdeu o campeonato de 2010. Só que o australiano está melhorando. Em Indianápolis foi o melhor carro da Penske na classificação. Único a avançar à decisão da pole-position. Levando em conta que Ryan Briscoe e Helio Castroneves são especialistas em ovais, o feito de Power parece ainda maior. O australiano, assim, parece caminhar mais tranquilo para o campeonato.

5) Essa Indy 500 está com cara de Ganassi, embora nunca seja bom subestimar a Penske

Com os problemas da Penske e da Andretti e com o domínio das equipes menores nos treinos, a única grande que se salvou foi a Ganassi. Em uma longa corrida de 500 Milhas, o trabalho da equipe é importantíssimo. Por isso, Dario Franchitti e Scott Dixon levam vantagem ante às menos temidas Sam Schmidt, Newman/Haas, Panther e Bryan Herta. Por outro lado, excluir a Penske da vitória é um erro. Em 2001, o time retornava à disputa da tradicional prova pela primeira vez desde o vexame de 1995. Como preparação, eles participaram da etapa de Phoenix da IRL e fizeram feio. Na classificação, Gil de Ferran terminou em quinto (mesma posição de Power, hoje) e Castroneves, em 11º. O resultado da prova foi a dobradinha brasileira com Helio em primeiro.