F3 Italiana 2011

Victor Guerin
Victor Guerin é o representante brasileiro na F3 Italiana

Não é exagero dizer que dentre todos os campeonatos de F3, o italiano e o espanhol seriam os mais fracos (isso se não contarmos o histórico recente do sudamericano). No entanto, a temporada 2010 parecia ser a redenção da F3 Italiana. Com a implosão da F3 Euro Series, o certame da Velha Bota conseguiu atrair pilotos e equipes de uma maneira nunca vista antes chegando até mesmo a alinhar 30 carros na etapa de abertura em Misano.

Em 2010, vindos da F3 Europeia estavam Cesar Ramos, Andrea Caldarelli e Christopher Zanella. A eles se juntaram pilotos como Stéphane Richelmi, Frederic Vervisch (campeão da F3 Alemã em 2008), Tom Dillmann (atual campeão da F3 Alemã), Daniel Mancinelli (campeão da F-Renault Italiana), Jesse Krohn (protegido de Mika Salo), Gianmarco Raimondo e Gabby Chaves (campeão da F-BMW Americas em 2009).

Esse salto tanto no número de pilotos quanto na qualidade não só foi proporcionado pela derrocada da F3 Euro Series como também por um momento em que a Ferrari começava a montar a academia para jovens pilotos. Então, era de interesse de todos esses jovens ficarem perto da equipe de Maranello. Apesar disso, a história no final já conhecemos. Cesar Ramos foi campeão ao superar Richelmi por oito pontos, mas nenhum desses conseguiu uma vaga na Ferrari.

No final de 2010, a maior parte desses pilotos mudou de categoria. Ramos e Richelmi foram para a World Series by Renault; Zanella, à F2; Vervisch está na Superleague; Caldarelli, na F-Nippon; e Chaves e Dilmann; na GP3. Apenas Mancinelli e Krohn (que curiosamente agora são companheiros na RP) permaneceram na categoria.

Reflexo disso foi a diminuição no número de participantes. Dos 30 carros da abertura de 2010, apenas 16 estão inscritos para o novo campeonato. Entre os pilotos, a internacionalização iniciada no último encerrou. De todos os inscritos, apenas seis não são italianos (embora seja possível considerar Kevin Giovesi monegasca e Eddie Cheever americano).

É curioso pensar os motivos que levaram o campeonato a encolher. A F-Abarth, por exemplo, que também corre na Italia, passou de mais de 40 carros em 2010 para cerca de 15 este ano. Talvez seja uma recessão na Itália, ou então uma diminuição do apoio de fábricas e montadoras em relação aos jovens pilotos. Esse achatamento do número de inscritos não confirma o bom momento dos campeões da categoria. Nos últimos anos, Mirko Bortolotti, Daniel Zampieri e Cesar Ramos tiveram a oportunidade de disputar os principais campeonatos europeus e não fizeram tão feio assim. Logo, a categoria continua em alta.

O lado bom é que um grid tão enxuto é mais fácil de apresentar. A BVM/Target perdeu o campeão Cesar Ramos, mas buscou o italiano Sergio Campana (5º colocado em 2010) para liderar a equipe. As demais vagas do time de Minardi são dos franceses Maxime Jousse e Brandon Maisano, sendo o segundo, integrante da Academia da Ferrari. Maisano, aliás, não é o único piloto de Maranello no certame. Raffaele Marciello, da Prema, é o outro.

Marciello terá como companheiros o compatriota Andrea Roda (22º em 2010) e o americano Michael Lewis, destaque da pré-temporada depois de fazer péssimas temporadas na F-BMW europeia. O outro norte-americano é Eddie Cheever III, filho do ex-piloto de F1 e Indy homonimo, mas que corre com a bandeira italiana. Cheever é um dos pilotos da Lucidi, que contou com Richelmi/Campana/Raimondo, e agora terá Kevin Giovesi e o brasileiro Victor Guerin. Para terminar, destaque também para a dupla da RP já citada acima (Jesse Krohn e Daniel Mancinelli), além dos pilotos da ARCO (antiga Ghinzani do ex-piloto de F1 Piercarlo Ghinzani): o argentino Facu Regalia e o italiano Edoardo Liberati (9º em 2010).

Em um comentário geral, mesmo com os pilotos da Ferrari, o nível da F3 Italiana caiu muito. Grids extensos são sempre mais interessantes porque estisticamente a chance de sair alguém bom é maior. Esse não é o caso de 2011. Embora os pilotos tenham certo currículo na carreira, a geração como um todo parece mais fraca que a anterior. O que é sempre preocupante se levarmos em conta que esses jovens vão disputar as vagas na World Series e na GP2 com meninos – talvez mais preparados – vindos das demais F3 do mundo, além da GP3. Eu não acredito em um bicampeonato brasileiro, agora com Victor Guerin. Mesmo que o piloto brasileiro tenha boas chances de assegurar o campeonato, vejo outros três ou quatro piloto (Mancinelli, Campana, Regalia e Marciello) em situações melhores nesse momento.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s