Regan Smith
Regan Smith conquistou a primeira vitória da carreira na Nascar em Darlington

A etapa de Darlington da Sprint Cup, na noite deste sábado (7), comprovou o que os fãs da categoria já desconfiavam: a temporada 2011 da Nascar está cheia de corridas legais. Na prova na Carolina do Sul não foi diferente. Ao todo, durante a etapa, foram 21 mudanças de liderança entre 12 pilotos, duas bandeiras amarelas causadas por Jimmie Johnson, uma briga literal entre Kyle Busch e Kevin Harvick, além da surpreendente vitória de Regan Smith. Para quem não viu a corrida, a história com a grande qualidade de sempre pode ser vista bastando clicar aqui.

Em um resumo rápido, as primeiras 360 voltas foram boas, principalmente em se tratando de Darlington, que desde aquele clássico duelo entre Kurt Busch e Ricky Craven nunca teve um bom espetáculo. Mas o interessante mesmo foram as voltas finais, após o motor de Jeff Burton estourar.

Na relargada após o carro 31 ter recolhido às garagens, Kyle Busch bateu em Kevin Harvick, que coletou Clint Bowyer e deixou o piloto do carro número 29 puto da vida com o adversário da Toyota. O acidente fez a corrida ir para a prorrogação, com Regan Smith, que não havia parado no final, na liderança. Smith foi beneficiado por um empurrão de Brad Keselowski no último recomeço, o que bloqueou os ataques de Carl Edwards. Assim, o piloto da Furniture Row foi direto para a bandeira quadriculada, conquistando o primeiro triunfo da carreira.

A vitória de Smith pode ser explicada em dois momentos-chave. No primeiro, a importância do ar limpo, que ficou evidente em toda a corrida. Sempre que alguém assumia a primeira colocação conseguia imprimir um bom ritmo de prova para não ser incomodado por algum tempo.

No segundo, o próprio Carl Edwards admitiu que a parceria de Keselowski/Smith foi o suficiente para deixá-lo sem ação na relargada. Assim, mesmo com pneus mais velhos – o que era comprovadamente mais lento – Regan Smith pôde manter a primeira colocação. O que foi bastante importante, já que na bandeira verde tanto Edwards quanto Smith estavam lado a lado, ou seja, o ar limpo seria razoavelmente igual para ambos.

Táticas à parte, Regan Smith teve todos os méritos da vitória. Aliás, se levarmos em conta todos os pilotos que ganharam pela primeira vez na carreira nos últimos anos na Nascar, o piloto da Furniture Row é o primeiro desde Casey Mears a vencer uma corrida que não terminou antecipada por conta da chuva nem foi disputada em super-oval. E olha que nesse grupo entra gente como David Reutimann, Brad Keselowski, Joey Logano e Trevor Bayne.

Porém, embora o triunfo de Regan Smith tenha chamado a atenção, a grande atração da noite foi a briga entre Kyle Busch e Kevin Harvick. Como dito acima, nas últimas voltas da prova os dois duelaram por alguma posição intermediária e, em meio a bumps, Busch se irritou e mandou Harvick para o muro. (Aqui, é importante lembrar que na etapa de Homestead de 2010 aconteceu justamente o contrário, com Busch sendo retirado da corrida pelo adversário).

Clint Bowyer
Clint Bowyer com o bom-humor de sempre, praticando arremesso de HANS a distância

Puto da vida com o rival, Harvick passou a perseguir o carro número 18 depois da corrida, incluindo uma patética cena à Tom & Jerry na entrada dos boxes. No final, Harvick estacionou o Chevrolet no pit-lane para bloquear Busch e caminhou até o Toyota para dar uns belos sopapos no adversário. Para evitar um conflito, Busch acelerou e mandou o carro 29 para o pit-wall, .

Não sou nenhum defensor do bom-mocismo nessa hora. Acredito que em alguns momentos é difícil evitar um conflito físico, até porque isso deve fazer parte da natureza humana. Mas o que aconteceu em Darlington foi uma palhaçada. Ao invés de ficar aquele perseguição, a briga deveria ter acontecido no pit-lane logo. Aí ou os pilotos iam para as vias de fato, ou a turma do deixa disso agia rápido.

O fato de Kyle Busch empurrar um carro desocupado, no pit-lane, é uma irresponsabilidade tremenda. Imagina se o carro pega alguém? Seja um fiscal, um repórter, ou membro de qualquer uma das equipes, o problemão que ia dar. E não dá para alegar que a atitude foi para evitar um conflito. Ele, dentro do carro, de capacete, com aquela rede lá, estaria com medo de um soco de um piloto? Por favor né? De capacete, até eu iria brigar com Harvick que deve ter o dobro da minha altura.

Aliás, o acidente entre Kyle Busch e Kevin Harvick ainda coletou Clint Bowyer, deixando-o com um excelente humor depois da corrida. Bowyer está no último ano de contrato com a equipe de Richard Childress e está com dificuldades em renovar o contrato por questão de patrocinador. Para piorar, o piloto acabou se queimando com Harvick, no final de semana, ao faltar no briefing da Nationwide, onde iria correr pela equipe do companheiro. Com isso, Bowyer foi obrigado a abdicar a segunda posição no grid para sair em último. Kevin, que também é um cara cabeça-fria – como a briga com Busch demonstrou – foi no Twitter e esbravejou algumas palavras sendo a mais dura algo como “espero que semana que vem todo mundo consiga chegar ao briefing a tempo”.

De qualquer forma, é difícil que Bowyer saia da equipe de Richard Childress pois  não tem vaga disponível na Nascar.  Os outros pilotos que estão no último ano de contrato são Brian Vickers, Carl Edwards e Juan Pablo Montoya. Salvo uma troca com Edwards, Bowyer estaria dando um tiro na própria carreira se mudasse de equipe. E uma mudança para a Roush-Fenway é deveras improvável, até porque Edwards é o líder do campeonato e vem fazendo um grande início de 2011.

A próxima etapa da Nascar é em Dover e deverá ser vencida por Jimmie Johnson. Caso contrário, Kyle Busch e Carl Edwards têm chances. Aliás, Busch tem caso Harvick permita que ele termine a corrida.