Ernesto Viso e Ryan Briscoe
Ernesto Viso foi um dos destaques da corrida ao tomar posições na marra. Afinal, se batesse, seria só mais um acidente para a coleção..

A etapa brasileira da Indy a cada ano vem ensinando aos organizadores como se faz uma corrida. Se em 2011, eles precisaram refazer todo o asfalto da pista, agora, para 2012, será o sistema de drenagem que precisa ser observado. Isso é algo terrível, na verdade. Como alguém se sujeita a fazer uma corrida em pista de rua e se esquece de ver coisas básicas como asfalto e drenagem? E olha que desde o lançamento da prova, no início do ano passado, as questões sobre o que aconteceria na pista caso chovesse já eram levantadas.

No entanto, mesmo com esses problemas, a corrida da Indy em São Paulo sempre é bem divertida. Ao contrário dos marasmos que foram as provas de São Petersburgo e de Barber, a etapa brasileira até teve uma certa dose de drama. Primeiro, porque a qualquer momento Will Power, ou outro piloto de ponta, poderia acabar escorregando em uma poça de água e ir parar no muro. Segundo, por conta da atuação de Takuma Sato (!), que conseguiu desafiar o australiano líder do campeonato e fez uma baita corrida.

Como a chuva não perdoou a cidade de São Paulo, a diversão ficou restrita aos momentos em que a bandeira verde eram acionadas. Cautelosos ou não, tirando o acidente logo na primeira volta ainda no domingo, os pilotos conseguiram passar bem pelas relargadas. Tanto é que gente como Sato, EJ Viso e Marco Andretti – conhecidos por causarem acidentes – se utilizaram das filas duplas para ganhar uma série de colocações. Infelizmente para eles e para o clímax da corrida, o trio acabou se perdendo na tática de paradas nos boxes e o triunfo ficou mesmo com Power. Um final insosso para uma etapa até que disputada.

Aliás, falando sobre as estratégias nos boxes, destaco mais uma vez a Andretti. Se em Barber já tinham apostado em um plano ruim de não trocar os pneus de Danica no final, no Brasil, Marco colocou pneus de pista seca faltando menos de dez voltas. Não deu certo e o piloto acabou sendo cerca de 5s por volta mais lento que os líderes. Por outro lado, valeu a tentativa, já que se desse certo poderia produzir um resultado tão surpreendente como foi a pole-position de Nico Hülkenberg no GP do Brasil de 2010 da F1, em condições muito parecidas.

Se Sato, Viso e Andretti tiveram seus momentos de fama, os brasileiros viveram uma péssima prova. Helio Castroneves está em uma tremenda má-fase, que até culminou em uma brincadeira de Justin Wilson colocando uma faixa sobre as batidas do piloto da Penske. Já Tony Kanaan, que além de ter sentido o carro de Danica cair sobre a mão esquerda – ainda bem que a ex-companheira é magrinha.. –,  viveu um dia típico do compatriota da Penske nessa temporada: foi coadjuvante do bom rendimento dos demais pilotos da equipe. (Embora aqui seja uma sacanagem comparar Viso/Sato a Briscoe/Power). Bia e Rapha Matos se envolveram em acidentes caseiros, enquanto Vitor Meira teve a corrida estragada depois de rodar na tempestade do domingo. É bem verdade que o piloto da Foyt, pelo segundo ano seguido, foi o brasileiro melhor classificado, mas creio que a 17ª posição ficou bem abaixo do esperado.

Entre os estrangeiros, quem merece destaque é JR Hildebrand. Salvo o acidente no final da etapa de Long Beach, o piloto da Panther vem se recuperando de treinos classificatórios muito ruins para terminar a corrida sempre próximo do décimo lugar. No Brasil, foi justamente ele quem completou o grupo de top-10. Hildebrand pode até estar sendo ofuscado pelo amigo James Hinchcliffe, da Newman/Haas, como melhor novato do ano, mas a evolução corrida após corrida está acontecendo.

Antes de encerrar o texto, a etapa brasileira marcou o fim da primeira fase de circuitos mistos do calendário. Com isso, os resultados em ovais devem mudar a dinâmica do campeonato. A Chip Ganassi e a Andretti devem crescer em detrimento de HVM, KV e Sam Schmidt.

Takuma Sato
Takuma Sato foi o nome da prova da Indy em São Paulo. Ironicamente, o único que proporcionou diversão ao não bater

Destaque:

Takuma Sato. Difícil falar outro nome essa hora. O japonês saiu passando todo mundo na chuva até tomar a liderança da corrida. A partir daí, mesmo com um carro rápido, Sato optou por economizar combustível e evitar uma nova parada por conta das bandeiras amarelas. Não deu, mas o asiático teve o melhor desempenho na Indy até agora.

Simona de Silvestro também merece ser mencionada. A suíça foi a autora da melhor volta da corrida e deu um banho em Helio Castroneves e Tony Kanaan na disputa entre os pilotos que estavam nove voltas atrás.

Decepção:

KV. Não é exagero dizer que a equipe tirou a vitória de Sato. A tática nos boxes não deu certo e o time precisou se conformar com o oitavo lugar do japonês e com o 13º de Viso, que chegaram a fazer 1-2 durante a corrida.

Ryan Hunter-Reay é outro que vai mal. O piloto rodou e bateu tanto no final de semana, que precisou pegar uma asa de Mike Conway emprestada para terminar a corrida. O americano é o 23º no campeonato. Na frente apenas de Viso, Bourdais e Bia.

Head 2 Head:

Em 2011, o World of Motorsport vai fazer uma competição diferente entre os pilotos da Indy. Eles foram sorteados de uma forma extremamente imparcial e pareados em chaves de duelos. A regra é simples: quem terminar na frente na corrida avança para a próxima fase, até chegarmos a uma final.

Haverá chaveamento tanto para ovais quanto para circuitos mistos. Assim, no final, chegaremos a um campeão dos mistos e um dos ovais. Na corrida seguinte, eles se enfrentam para definir quem será o campeão do World of Motorsport Indy Head 2 Head 2011.

Em São Paulo, o acidente na largada do domingo tirou as chances de Tony Kanaan e de Danica Patrick continuarem na competição. Eles precisariam que os adversários abandonassem para conseguir descontar as voltas e tomar a posição, mas isso não acabou acontecendo. Dessa forma, a final do Head 2 Head em circuitos mistos será entre Ryan Briscoe, da Penske, e Oriol Servia, da Newman-Haas. Maldosamente posso dizer que, assim, finalmente um deles ganhará algo na categoria.

Briscoe chegou à decisão passando a primeira fase como cabeça-de-chave e avançando nas três rodadas seguintes por abandonos de rivais. Embora, apenas em Barber o australiano não tenha feito uma atuação convincente. Servia, por sua vez, também avançou direto no duelo inicial, mas eliminou pilotos como Mike Conway e Will Power (talvez esta a grande surpresa do Head 2 Head) para chegar à grande final. A decisão está marcada para o dia 10 de julho, em Toronto. (clique na imagem para ampliar)