Falar de Senna está na moda

Ayrton Senna
Se comparar a Ayrton Senna virou o assunto favorito da F1

É verdade que a temporada 2011 da F1 está morna em assuntos extra-pista. Além do acidente de Robert Kubica, o GP dos Estados em Austin e a recusa de Bernie Ecclestone em vender a categoria para Rupert Murdoch, não há nenhum grande destaque no noticiário da categoria. Só que um tópico que vem se tornando cada vez mais frequente nas entrevistas é Ayrton Senna. Aliás, são as comparações do grid atual com o brasileiro.

Nas últimas semanas, Sebastian Vettel, Lewis Hamilton, Sergio Pérez e Giorgio Ascanelli (engenheiro da Toro Rosso) falaram no tricampeão em algum momento. Claro que ninguém soltou ‘eu sou um novo Senna’, mas todo mundo, ao menos, mostrou certa admiração ao brasileiro.

O primeiro a se manifestar foi o próprio Vettel, atual campeão do mundo. O alemão disse que via corridas desde pequeno e tentava se espelhar no desempenho de Senna na pista. Algo, aliás, confirmado por Ascanelli. Para quem não sabe, o italiano, que atualmente exerce função de diretor da equipe B da Red Bull, trabalhou com Ayrton nas duas últimas temporadas do brasileiro na McLaren. Depois de 15 anos, Ascanelli fez parte do time da Toro Rosso que venceu o GP de Monza de 2008, com Sebastian Vettel.

Com conhecimento de causa, o engenheiro declarou que durante a carreira só viu dois pilotos cujo talento resolvia tudo: Senna e Vettel. Giorgio Ascanelli também falou de Michael Schumacher, mas disse que o alemão precisou trabalhar muito para conseguir chegar ao status de lenda do esporte, ao contrário dos outros dois, que naturalmente alcançaram (ou irão alcançar no caso do piloto da Red Bull) esse posto.

Sergio Pérez também foi um a se manifestar por esses dias. Embalado pelo bom início da F1, o mexicano foi sabatinado em diversas oportunidades para que as pessoas conhecessem um pouco mais desse novato que começa a dar trabalho a Kamui Kobayashi na Sauber. Sempre quando perguntado sobre o melhor piloto de todos os tempos, o garoto tem sido direto: Ayrton Senna.

Alain Prost e Ayrton Senna
Mesmo com quatro títulos, Alain Prost raramente é lembrado

Nenhuma situação, porém, tem sido mais curiosa que a de Lewis Hamilton. O atual piloto da McLaren foi perguntado pela imprensa do país de origem sobre quem é o maior rival no grid da F1. O inglês logo disparou que era Fernando Alonso e acrescentou dizendo que ele e o espanhol são como Senna e Prost – com Vettel fazendo o papel de Nigel Mansell. Lewis foi, então, provocado para tomar partido na antiga rivalidade e o campeão do mundo logo se viu como Ayrton.

E, de certa forma, ele está certo. Assim como Senna com relação a Prost, Hamilton foi companheiro do maior rival na McLaren e a estadia dos dois juntos na equipe inglesa não foi amistosa. Embora tanto Hamilton quanto Senna tenham chegado ao time de Woking sem o status de estrela ante a um companheiro com título mundial, os dois conseguiram conquistar a equipe sendo protegidos pela cúpula. A Prost/Alonso restou buscar a felicidade na Ferrari.

Vendo esse tópico recorrente, não é por acaso que tantas vezes Ayrton Senna seja citado. Há dois bons motivos para isso. Primeiro, o filme de Senna foi lançado no final do ano passado e, certamente, todos os pilotos assistiram. Como vida de esportista é cheia de situações parecidas, muitos se identificaram com o que viram na tela, além de desejarem alcançar o sucesso do brasileiro. Por isso tanta gente está dizendo que se espelha no tricampeão.

O outro motivo é que todos esses pilotos fazem parte da nova geração da F1, que cresceu vendo Ayrton Senna correr. Aliás, mais forte que isso, todos eram crianças e fãs da categoria quando presenciaram a morte do piloto. Hamilton, Vettel e Pérez não viram os heróis das antigas correr. Para eles, Jim Clark, Jackie Stewart, Jody Sheckter, Niki Lauda e até mesmo Nelson Piquet só são conhecidos pelos livros de história da categoria. Assim, a única referência no esporte é mesmo Ayrton Senna.

Isso é algo natural. Daqui dez anos, a grande maioria dos pilotos da F1 irão se espelhar em Michael Schumacher, afinal eram novos demais – ou sequer eram nascidos – no 1º de maio de 1994, quando Ayrton Senna faleceu em Ímola. O curioso é pensar, daqui uns 20, quem será o ídolo dos futuros competidores. Será Vettel? Hamilton? Ou Pérez?

4 comentários sobre “Falar de Senna está na moda

  1. Não dá pra comparar as histórias. Não há a mesma química e os pilotos não possuem o mesmo status. Os pilotos daquela época eram verdadeiras personalidades. Contestavam, batiam de frente uns com os outros e com o sistema, faziam declarações bombásticas sem qualquer receio. Na pista os pilotos tocavam rodas e até saiam no tapa. Hoje em dia são marionetes afetadas. o mais brabo correria naquela época de calcinha e sutiein.

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  2. Senna foi o piloto mais rápido que surgiu na F1. O que sempre buscava o limite. O mais obsecado pela velocidade. Chegou a dizer que gostava mais dos treinos pq podia testar seus limites sem se preocupar com o erros. Teve em Prost seu maior rival pq ele conseguia ser rápido e preciso, com poucos erros. Dois gênios da F1. O Schumi foi a união de um piloto rápido, preciso, está numa equipe que dominou as pista por uns 5 anos consecutivos além de ter poucos pilotos a sua altura na epoca, principalmente como companheiro (pegou o Piquet em fim de carreira). Sem dúvida tbm um fora de série. Piquet foi outro gênio, muito rápido e talvez um dos melhores acertadores de carros da F1. Na F1 atual existem 3 pilotos excelentes: Alonso, Hamilton e Vettel. Posso incluir nesta lista o Kubica.

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    1. Concordo plenamente com o seu comentário. Assisti ao documentário e cheguei a uma conclusão: se juntar todas as histórias e filmes sobre corridas jamais se chegará à intensidade das histórias que se passaram naqueles anos. A disputa entre Senna e Prost, este último com o apoio do “todo poderoso e tirano francês Jean Marie Ballestre”, presidente da FIA. Isso tudo contando com a presença marcante dos grandes como Mansell, Piquet, Lauda (até 1985), Rosberg, etc e ainda os grandes chefes de equipe. É certo que as tentativas de prejudicar Senna o levaram à uma superação que o mitificou no esporte. Tudo era melhor, maior e mais intenso naqueles tempos. Ainda bem que eu pude assistir a tudo isso. Ao vivo também, de 1986 a 1990. Eu estava em Jacarepaguá na dobradinha Piquet/Senna de 1986 e no show de Mansell de 1989. Na desclassificação de Senna em 1988 e na fechada que tomou de Nakagima em Interlagos, em 1990. Fui à despedida do Schummy em 2006. Enfim, somos privilegiados.

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