Sepang
As duas grandes retas tornam KERS e asa traseira móvel fundamentais para um bom resultado na Malásia

A primeira parte da fase asiática da temporada 2011 da F1 começa neste final de semana na pista de Sepang, na Malásia. Se na Austrália as novidades da categoria não puderam ser vistas – já que a asa traseira móvel não funcionou e a temperatura estava amena -, em Kuala Lumpur a situação deve ser bem diferente.

Para começar, a Pirelli fez uma estimativa de três a quatro paradas na corrida, o que parece exagêro. A não ser que chova, cada carro deve ir três vezes ao boxes e olhe lá. Do contrário, se chover – o que é bem comum na Malásia – a corrida deve ganhar bastante em diversão e o segredo será ir aos boxes no momento certo, o que nem sempre premia o piloto mais rápido na pista.

Depois de uma prova não tão emocionante na Austrália, são justamente esses novos elementos – somados ao tempo instável – que terão a responsabilidade de evitar um novo passeio da Red Bull. O time austríaco, aliás, deve ter uma maior dificuldade nessa segunda corrida porque o trunfo do KERS light (peça mais leve usada em Melbourne com o único objetivo de funcionar na largada) não estará mais presente. Em Sepang, com enormes retas, os rubrotaurinos seriam presas fáceis tendo tanto a asa traseira móvel (em caso de uma perseguição) quanto a falta do KERS como desvantagem.

É nesse cenário que aparecem McLaren e Ferrari. A equipe inglesa fez uma boa prova na Austrália, bem diferente do que as catastróficas previsões após a pré-temporada indicavam, já os italianos seguiram o caminho contrário e voltaram a decepcionar a exemplo do início de 2010. Fernando Alonso está devendo, embora nunca possa ser desconsiderado, e Felipe Massa é apenas um rascunho do piloto que já foi.

Um pouco mais atrás, a Williams parece ter um carro bem nascido e, se não voltar a enfrentar problemas nem ver os pilotos cometerem erros, pode almejar um bom resultado. Quem sabe até pódio. Afinal, Vitaly Petrov, também de uma equipe mediana, provou que é possível. Falando no russo, a pressão na Renault agora ficou toda em Nick Heidfeld, que, evidentemente, não conseguiu um bom resultado na Austrália depois de ter o R31 seriamente danificado ainda na primeira volta. É claro que é muito cedo para avaliar o alemão, afinal, estamos falando da segunda prova do ano. Nick tem todas as condições de fazer mais durante o ano.

Outra que merece um comentário é a Sauber. Sergio Pérez superou o badalado Kamui Kobayashi com muita facilidade e, se o mexicano conseguir poupar novamente pneus – fazer duas paradas, por exemplo – já dá para buscar algo além do sétimo lugar. Lembrando que, por outro lado, o alucinado japonês jamais terminou entre os cinco primeiros em uma etapa da F1.

Na briga do final do pelotão, eu sou um defensor da teoria de que, pelo apresentado na Austrália, o carro da Hispania é melhor que o da Virgin. Veja bem, a HRT mal deu 20 voltas com o modelo novo durante o ano, somando os dois pilotos, e ficou apenas 1s atrás da rival, que treinou eras. Seria um vexame muito feio se os ingleses tomarem tempo da fraca rival em Sepang. Pior ainda seria ser Liuzzi fizer a prova e D’Ambrosio/Glock não.

No palpite furado, vai cair um toró e Jenson Button será o vencedor. A minha torcida, entretanto, será para uma vitória de Nick Heidfeld nessas mesmas condições.