Dale Jr e Kevin Harvick
A exemplo da Califórnia, Kevin Harvick voltou a aparecer do nada e ganhou a corrida ao assumir a liderança nas voltas finais

Se você acompanha aqui esses textos da Nascar, viu que na semana passada eu afirmei que a corrida da Califórnia é sempre muito legal para comentaristas e palpiteiros porque os favoritos sempre ganham e a gente pode fingir que entende alguma coisa de automobilismo. Aí no mesmo texto, eu falei que pneu não é tão importante assim em Martinsville como foi em Auto Club.

Claro que só para provarem que eu estou errado, a Goodyear fez um pneu horrível,  que não durava 100 voltas, que se degradava o tempo todo e é claro que quem os economizasse melhor teria vantagem. Aí eu, que minimizei os compostos na semana passada, vou escrever o que aqui? Pelo bem ou pelo mal eles foram bem importantes na prova e quase decidiram o resultado. Aliás, se você não sabe como foi a corrida em Martinsville, basta clicar aqui e ler a história com a qualidade de sempre.

Só que é chato isso, pois é a segunda vez em três semanas que a Goodyear errou feio. Em Bristol, eles precisaram substituir o composto da sexta-feira para o sábado porque tava se desgastando desse mesmo jeito. Em Martinsville, a situação não foi tão ruim e a corrida aconteceu.

Mas afirmar que não foi ruim, é eufemismo. Na Califórnia, com os pneus funcionando bem, a diferença entre um carro mais acertado, que economizou os compostos para outro no auge do desgaste era uns 0s6, 0s8 por volta. Só que a pista de Auto Club tem 2 milhas de comprimento, cada volta lá são 40s. Em Martinsville, tinha vezes que essa mesma diferença era entre 0s9 a 1s1. Neste caso, é um circuito de 800m, com voltas feitas em 20s. O drama é um pouco maior.

Só que essa não foi a preocupação dos carros principais. Voltando à mesma tecla dos outros textos, os favoritos de sempre: Kevin Harvick, Jimmie Johnson, Kyle Busch e Denny Hamlin poupam o equipamento relativamente da mesma forma durante a corrida. Há poucas variações no caso. Busch, por exemplo, chega às últimas voltas com o carro mais desgastado que Johnson, mas em posição melhor.

 

Richard Childress
Com essas vitórias seguidas, a equipe de Kevin Harvick tem ficado mais íntima do champanhe. Na foto, Richard Childress, o patrão, bebemorando

Por outro lado, é assustador o que Harvick vem fazendo. O carro número 29 é um foguete nas últimas voltas e ele passa todo mundo, literalmente, com uma extrema facilidade. Em Martinsville, nas primeiras 200 voltas parecia que ele não tinha condições de repetir um bom resultado pois tomava 0s5 por volta do líder e perdia posições direto.

Aí, o que aconteceu. O time optou por esticar a janela de paradas do carro apostando em bandeiras amarelas no momento chave. A ideia seria aproveitar as interrupções para não perder tempo em relação ao pelotão, quando os demais carros – recém-saídos dos boxes – estavam mais velozes e, em seguida, descontar o tempo perdido e avançar com pneus mais novos. Deu mais do que certo e Harvick caçou todo mundo e venceu a segunda corrida seguida na Sprint Cup depois de passar os líderes nas últimas voltas.

O resultado é muito bom por dois motivos. Primeiro é que ele está no Chase. Com a regra de que os dois pilotos com mais vitórias entre a 11ª e a 20ª posição se classificam para a fase final do campeonato, praticamente qualquer um que tiver duas vitórias deve estar dentro. E do jeito que ele está andando, é muito difícil imaginar que fique de fora.

O segundo ponto é que ele está ganhando corridas. Voltando a 2010, um dos fatores que custou o título do próprio Harvick foram os pontos perdidos dentro do Chase. Em Phoenix, por exemplo, Jimmie Johnson chegou na frente mesmo quase combustível. Em Talladega, Clint Bowyer ganhou pro alguns centímetros. Coisas assim que fazem a diferença.

 

Kyle Busch, Kevin Harvick e Juan Pablo Montoya
Kyle Busch, Kevin Harvick e Juan Pablo Montoya têm se destacado nesse início de temporada 2011

Nessas duas últimas corridas, Kevin Harvick não as perdeu. Jimmie Johnson, por outro lado, foi derrotado. Ainda que fosse possível argumentar que em Auto Club o pentacampeão não tinha o que fazer ante aos ataques do adversário, em Martinsville ele foi punido por estar rápido demais nos boxes faltando dez voltas para o fim. Isso é culpa do piloto. É jogar a corrida fora.

Fazia muito tempo que eu não via o carro 48 ser punido dessa forma. O que foi bastante curioso, afinal a penalização prejudicou o próprio Harvick, que, apesar de ganhar uma posição, foi obrigado a largar pelo lado de fora da pista, onde não existe traçado, e despencou um monte de posições ali no fim da prova.

Falando de outros pilotos. Ao menos esse início de campeonato parece ficar entre Kyle Busch, Johnson e Harvick. Mesmo com os últimos resultados, o desempenho de Busch está muito forte e cedo ou tarde o piloto deve desandar a vencer. Assim como os outros dois, que vão continuar na briga por vitória em todas as semanas.

Outro que não tem muito destaque mas faz um bom ano é Juan Pablo Montoya. O colombiano é bastante criticado por nunca ter vencido em oval, mas em seis provas até agora chegou duas vezes entre os cinco primeiros e quatro vezes entre os dez. A marca é ainda mais importante se levarmos em conta o fato de que ele correu em uma imensa variedade de pistas e foi bem em todas. Quem também está com bons resultados é Dale Earnhardt Jr que, por pouco não venceu no domingo.

A próxima etapa, no Texas, deve marcar a volta da Ford na briga pelo campeonato. Não descarte Carl Edwards, Greg Biffle e Matt Kenseth como possíveis vencedores em Forth Worth. Acredito que os principais adversários vão ser os carros da Hendrick, principalmente o 248, além de Harvick e Kyle Busch, nas demais equipes.

Ah, para não deixar passar, grande corrida do Miguel Paludo em Martinsville. Chegou perto de um Top 10, mas conseguiu algumas marcas importantes. É interessante ver que, apesar de o brasileiro ser um novato, ele está entre os dez primeiros do campeonato mesmo tendo corridas horríveis como Phoenix e Darlington.