Começou a F3 Sudam 2011

 

F3 Sudam 2011
Largada da segunda corrida da F3 Sudam no Velopark. Reparem no carro azul menor, é Bruno Bonifácio, da Light. O cara passou os dois companheiros de equipe, que têm carros mais potentes

Esses dias eu fiz um post falando sobre a F3 Sudamericana, que começava 2011 sem nenhuma informação, com site muito mal atualizado e etc. Evidentemente, quando uma categoria não divulga muito o que acontece nos bastidores é porque, de fato, não acontece nada. E essa é a verdade. O campeonato começou neste sábado, dia 26, no Velopark, e eu não entendi se eram nove ou dez (ou onze) pilotos inscritos. Mas, na realidade, apenas seis correram. Um sucesso.

Essa primeira etapa mostrou que a temporada será disputada entre duas equipes, literalmente. Não estou aqui dizendo que há duas equipes principais, que concorrem ao título, mas sim que só dois times alinham carros: a Hitech – a mesma da F3 Inglesa – e a Cesário.

A Cesário chega em 2011 depois de ter perdido o campeonato de 2010 de forma surpreendente. O equipamento do time era muito superior ao da Bassan, que contava com Yann Cunha, mas o piloto brasiliense conseguiu fazer a diferença na pista e levou o título contra Bruno Andrade da rival.

Mas parece que a Cesário não assimilou muito bem a derrota. No novo campeonato, eles inscreveram três pilotos na categoria principal, que são bem limitados, digamos assim. Um deles é Fernando ‘Kid’ Rezende, atual campeão da F3 Light. Ele é nascido em 93, então ainda é cedo para ser avaliado no automobilismo. Salvo o título citado – quando competiu praticamente sozinho – não tem nenhum grande feito. Aliás, no Velopark, Kid teve uma atuação para ser esquecida. Mesmo conseguindo dois pódios, não foi protagonista em momento algum.

Os outros dois são garotos um pouco mais velhinhos. Fabiano Machado tem 24 anos, o que mostra que a carreira dele não foi construída voltada para a F1 e demais campeonatos grandes (e isso não é uma crítica, é uma constatação. Cada um é livre para seguir a carreira que quer, mas aqui a análise é feita focando F1/Indy). Ele é o mais habilidoso do trio, muito graças à experiência. Por último, Ronaldo Freitas. Um veterano.

 

Guilherme Silva
Guilherme Silva, da Hitech, talvez seja um destaque na F3 Sudam

A outra equipe é a Hitech que inscreveu os jovens João Leme e Guilherme Silva. Lembro de ter lido em algum lugar que os dois têm 16 anos. Aí sim, já é desenvolvimento voltado para as grandes categorias. Isso não é por acaso, afinal o time britânico usa a F3 Sudam como parte do programa de jovens pilotos, que um dia possam subir à F3 Inglesa. Dessa forma, esses dois garotos se espelham em Pietro Fantin, que fez parte do programa de desenvolvimento de pilotos em 2010, correu algumas etapas da F3 Sudam e agora está liderando a equipe – que também conta com o experiente Riki Christodoulou – no Reino Unido.

Quanto ao João Leme não deu muito bem para ver o potencial levando em conta apenas a prova do Velopark. Foi tão discreto quanto Kid, embora menos experiente. Por outro lado, Guilherme Silva ganhou as duas corridas desse sábado (e a do domingo) com enorme facilidade. É verdade que ele cometeu erros, mas ao mesmo tempo é o piloto mais jovem do certame. Em geral, a F3 Sudam não revela ninguém faz anos. Talvez esse garoto seja um pouco melhor que os participantes recentes. Outra hipótese, é o fato de a qualidade do restante da geração atual ser tão ruim que ele ganhou por ser o menos pior. Via das dúvidas, olho nele.

O último que merece algum destaque é Bruno Bonifácio, da Cesário Júnior, principal nome do final de semana. Esse daí também tem 16 anos, mas corre na Light, ao contrário da dupla da Hitech, que participa da divisão principal apesar da pouca idade. Só que  foi Bruno quem conquistou a pole-position para o final de semana (embora tenha ficado parado no grid da primeira corrida). Ainda assim, uma marca expressiva. Na segunda prova, ele largou em terceiro, atrás de dois carros da Cesário na divisão principal, e ultrapassou a ambos na curva 1. Aqui vale o mesmo que o dito sobre o Guilherme Silva. Pode ser que ele seja bom, ou pode ser que os outros são muito ruins. Cedo para dizer, mas também vale acompanhar.

O próprio Guilherme, aliás, deu uma explicação muito boa sobre o domínio de Bruno no Velopark. Segundo ele, o carro da categoria Light é mais rápido que o da principal nas retas, por conta da menor downforce, então por isso o garoto sobrava.

Para finalizar, vamos à bagunça. A princípio, Leonardo de Souza, Jonathan Mello, Lázaro Selegar e Ricardo Landi estavam inscritos para a corrida. Selegar sequer treinou e depois sumiu de qualquer destaque, Mello treinou, mas não participou dos treinos classificatórios nem das corridas, Leonardo bateu no treino, destruiu o carro e mal conseguiu correr e Landi, veterano das pistas no Sul, apareceu do nada no final de semana e deu tantas voltas quanto a Hispania na Austrália.

Em tempo: no domingo a coisa piorou. Jonathan Mello apareceu e correu, assim como Ricardo Landi. A eles se uniram Matheus Stumpf e Roberto Savério, que, creio eu, assim como Landi estavam no Velopark para outros eventos, mas acabaram competindo na F3 para que a corrida com transmissão ao vivo da Rede TV tivesse um grid um pouco maior. Ê beleza..

E com esses seis, ou sete (ou onze!) carros começa a principal categoria de monopostos por aqui. É…

4 comentários sobre “Começou a F3 Sudam 2011

  1. Estive no Velopark no fim de semana. Tenho uma equipe de Fórmula 1.6. Nesta prova alinhamos 16 carros com 18 inscritos. Na primeira prova do ano passado eram 7 carros.
    Se nós conseguimos reverter a situação num ano, a Fórmula 3 também pode.
    É preciso saber(e ter certeza) de quais são os problemas e achar as soluções. Percebi que,
    com exceção de duas equipes, os demais carros, são muito mal cuidados e isto numa categoria top, não pode acontecer. Isto é um dos problemas. Ouvi à boca pequena que os chefes de equipe ainda não se deram conta que precisam baixar os custos para que ela se torne atrativa para mais pilotos, pois nos custos atuais vale mais à pena ir para a Europa e concorrer num grid de 30 carros, a ai sim aprender alguma coisa. De qualquer forma, para quem é apaixonado pelas formulas é angustiante ver um grid de 7 carros com mais dois enxertados de ultima hora. A categoria tem em mãos o mais dificil e importante, que é um patrocinador grande e transmissão pela televisão. Tem que saber usar este enorme diferencial a favor do grid.
    (copiado do blog do Victal)

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    1. Carlos obrigado pelo comentário de alguém que esteve presente no Velopark.
      Acho que um dos principais problemas da F3 é que não tem ninguém novo entrando no esporte. Salvo a Hitech, que já tem uma enorme estrutura, não temos equipes novas faz tempo.

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  2. Triste a situação da F3 Sudam, mas pelo menos o campeonato ainda não morreu, ainda há esperanças. Bom quanto ao comentário de que o carro da Light é mais rápido em reta, pelo o que já li a mais tempo isso realmente acontece, pois o modelo mais novo gera muito mais downforce, e em um circuito como o Velopark, que basicamente são duas retas, a falta de downforce passa a ser aliada.

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  3. Hoje acompanhei parte da transmissão da F3 Sudam através da RedeTV e realmente impressiona como está esvaziado o grid. Ao menos, as equipes principais estão utilizando carros atualizados, o que mostra um certo interesse.

    Infelizmente, o interesse e investimentos em categorias de monopostos caiu drásticamente durante os anos 2000. Creio que porque a exposição e publicidade passou a valer muito, a ponto de as empresas preferirem investir em categorias que passaram a ter suas etapas transmitidas por “uma certa emissora”.

    Saudade dos anos 1990, que a F3 tinha grids cheios e variedade de chassis e motores e lançavam no “mercado” vários pilotos com chances de sucesso em categorias internacionais. Claro que muitos fizeram carreira no Brasil, o que de forma alguma, dimimui o talento e dedicação destes.

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