Simona De Silvestro
Só no Guia da Indy do World of Motorsport você vê tudo o que os outros guias não mostram

A temporada 2011 da Indy começa neste final de semana em São Petersburgo, que fica na Flórida, apesar do nome. Para celebrar a abertura do campeonato, o World of Motorsport preparou um guia especial para você. Digo especial, porque ele não é igual aos demais guias. Vou tocar em assuntos que ninguém está falando, mas que fazem parte do novo ano da Indy.

Pilotos e equipes:

Ok, parece incoerente falar que vai ser um guia diferente e começar por um tema tão batido. Mas isso acontece porque eu não vou falar dos pilotos e equipes da Indy. O Borgo, melhor pedreiro que o Grande Prêmio já teve, fez isso muito bem no blog dele que você pode ler clicando aqui.

Aliás, falando no Borgo, tem uma história bastante interessante. Ele cobre a USF2000 in loco. Na festa de lançamento da Cape Motorsports, o colega estava lá entrevistando os pilotos e faltava falar com Shannon McIntosh. O Borgo então se aproximou de uma bela moça de salto alto e vestido de festa e soltou um ‘Olá, você sabe quem é esse tal de McIntosh?’ Ela sorriu e disse que era ela. O Borgo, sem graça, saiu de fininho e resolveu abrir um blog para não passar mais por isso.

Grid da categoria:

Quando a previsão é de 28 carros correndo a maior parte das etapas, é difícil falar que a Indy não está no caminho certo do crescimento. No entanto, essa marca é um pouco fantasiosa. Se contarmos apenas Penske, Andretti e Chip Ganassi – as principais equipes do certame – temos nada menos que 11 carros. Isso é um pouco mais de um terço do total.

Em outras palavras, significa que em condições normais as demais equipes começam brigando pela 12ª posição do campeonato. Claro que a situação não é exatamente essa, mas se compararmos ao auge da CART, quando a categoria atraia um número similar de participantes, na ocasião, os times desse campeonato chegavam a ter três carros.

A Indy está no caminho certo do crescimento, mas a competitividade ainda não é tão grande assim. Dificilmente algum piloto fora das três equipes citadas acima consiga ganhar uma corrida. Eu apostaria em Justin Wilson, Sebastian Boudais, Tony Kanaan e James Hinchcliffe como eventuais zebras, só que ainda assim é muito pouco. Talvez com a mudança de regras a partir de 2012, a situação melhore.

Renovação brasileira:

Pode parecer estranho falar em renovação brasileira na categoria sendo que só temos um(a) estreante em 2011: Bia Figueiredo. Só que se vermos de uma forma mais ampla, os cinco pilotos do país – Helio Castroneves, Tony Kanaan, Bia, Vitor Meira e Rapha Matos – possuem longo histórico nos Estados Unidos e estão em condições de representar bem o Brasil.

Essa situação é a oposta dos últimos anos quando pilotos como Mario Moraes, Mario Romancini e Jaime Câmara tiveram passagem pela categoria sem muito destaque – além do fraco desempenho de Matos na De Ferran Dragon –, o que colocou em cheque a renovação do Brasil por lá.

Seria positivo para o país, se outros pilotos brasileiros resolvessem seguir para os Estados Unidos, seja correndo na Indy, seja correndo nas divisões de acesso. E nomes não faltam. Lucas Di Grassi, por exemplo, a que tudo indica está desempregado. Idem a Rafael Suzuki, Gabriel Dias e Adriano Buzaid. Se alguns deles tentassem ir para os EUA, não seria impossível formar uma geração tão vitoriosa quanto foi Castroneves, Kanaan, Da Matta e Junqueira, além de Gil de Ferran, que era um pouco mais velho.

Tony Kanaan
Tony Kanaan é um dos cinco representates verde-e-amarelos (brasileiros tá, não da Lotus) na categoria (clique para ampliar)

SMI X ISC:

Se você não sabe, essas siglas são das duas principais donas de pistas nos Estados Unidos. A SMI pertence a Bruton Smith, enquanto a ISC é da Nascar. A International Speedway Corporation, por ser de propriedade de uma categoria concorrente, endureceu as bases na hora de negociar com a Indy principalmente porque a categoria de monopostos começou a se aproximar da SMI.

Como não é interessante para a Nascar fortalecer a concorrente, aos poucos as pistas da ISC foram saindo uma a uma do calendário. Como, por exemplo, as etapas do Kansas, de Chicagoland, de Watkins Glen e de Homestead-Miami. Por outro lado, New Hampshire, que foi vendido para a SMI retornou ao certame.

Talvez você não lembre, mas antes da Indy anunciar Las Vegas – e a genial premiação dos US$ 5 milhões – como última etapa do campeonato, havia uma disputa entre essa pista e a da Califórnia para ser a sede da decisão. Quando Vegas foi anunciada, a justificativa foi por conta de a cidade ser mais interessante e porporcionar um maior entretenimento aos fãs. Na realidade, a pista de Las Vegas é da SMI e a da Califórnia é da ISC. Curioso não?

Indy Lights:

A Indy Lights parece estar vivendo uma temporada de reconstrução. A categoria conseguiu colocar quatro pilotos no campeonato principal, em 2011, e com isso garantiu o interesse de jovens de diversas partes do mundo. O certame de acesso começou hoje com 16 inscritos, sendo que apenas três – Gustavo Yacaman, Stefan Wilson e James Winslow – já haviam corrido antes. Além disso, do trio citado, apenas Yacaman participou da última etapa de 2010.

Essa renovação da Indy faz parte do programa patrocinado pela Mazda em fortalecer as categorias de acesso dos Estados Unidos. Um exemplo é Conor Daly, que, patrocinado pelo programa, já foi campeão da Skip Barber e da Star Mazda e esse ano vai correr tanto na Indy Lights quanto na GP3.

Televisão:

Depois de amargar a Versus nos últimos anos, a Indy vai ser transmitida na ABC em algumas etapas. Uma evolução sensacional. Em meio a picuinhas entre concorrência, a Versus pediu para que o streaming disponibilizado de graça na internet fosse extinto, uma medida financeiramente sensata, mas que talvez possa contribuir contra o crescimento do campeonato. Já aqui no Brasil, continuamos a depender do futebol para podermos assistir à corrida. Ainda bem que o Terra deve exibir também a temporada.