Albert Park
O belo Albert Park é o local da abertura da temporada 2011 da F1. A pista é essa estrada maior ao redor do lago. Os pits estão na parte inferior esquerda

Começou. A temporada 2011 da F1 enfim está iniciada. Nos últimos meses, você pôde comemorar o título de Sebastian Vettel, acompanhar o drama de Robert Kubica, a crise política no Bahrein e, é claro, ler o World of Motorsport. Agora, tudo isso – menos ler o blog – é passado e já faz parte dos livros de história. O novo capítulo da F1 começa agora com o GP da Austrália, em Melbourne.

A pista de Albert Park pode estar recebendo a F1 pela última vez. Como a corrida é realizada dentro de um parque, os ambientalistas conseguiram aos poucos tirar a prova do local. Contribuiu para isso o fato de o GP gerar prejuízo na cidade australiana. O que é uma pena, já que a etapa no país da Oceania é uma das melhores.

A principal característica do circuito é justamente essa citada acima. Como a pista é usada apenas para a corrida da F1 ao longo do ano, na sexta-feira ela começa muito suja, mas vai ficando muito mais rápida ao longo do final de semana. Uma dificuldade e tanto para quem tiver problemas de aderência. Outra, com o pneu macio da Pirelli se esfarelando muito rápido, a tendência pode ser pelo uso do pneu duro na corrida, o que necessita de um melhor equilíbrio do carro.

Outro fator sempre presente na Austrália são as chuvas nessa época do ano. Como sempre existe a previsão, e se ela se confirmar, a prova pode ser decidida pelo momento certo de fazer a parada assim como aconteceu em 2010, com a vitória de Jenson Button.

O GP da Austrália, em geral, é uma amostra bastante fiel do que será a temporada. Quem vai bem, costuma seguir assim nas corridas seguintes, enquanto os atrasados sempre têm anos difíceis. Por isso, o resultado da corrida deve ser um panorama bastante claro das próximas etapas.

Embora ainda seja cedo para falar qualquer coisa sobre ordem de forças das equipes, com base na pré-temporada, é possível dizer que Ferrari e Red Bull estão em um primeiro patamar e são favoritas à vitória na pista australiana.

Mais atrás, Mercedes, Williams e Renault aparecem em um segundo grupo. As três chegaram a liderar sessões durante a pré-temporada, mas como é difícil especificar como cada carro esteve em termos de quantidade de combustível e pneus novos quando foram à pista, essas posições não determinam verdades absolutas. Na soma dos tempos – quando em geral as equipes obtêm a melhor marca em configurações bastante parecidas – esses três times foram bem e talvez não seja impossível falar em vitória, mesmo que em situações bastante especiais.

Michael Schumacher, por exemplo, entra em 2011 depois de uma péssima temporada passada. Só que nos treinos do inverno europeu, o alemão foi bem e a Mercedes está bastante otimista para o novo campeonato. Todo mundo sabe do que o heptacampeão foi capaz no início da década de 2000 e, dessa vez, ele pode brigar pelas vitórias.

No entanto, é outro alemão que causou verdadeiro frisson no início de ano: Nick Heidfeld. Por algum motivo, todo mundo quer ver o Quick Nick quebrar o jejum de triunfos. Seja porque a Renault está merecendo depois de fazer um bom trabalho de reconstrução de imagem, seja porque o piloto parece ser um injustiçado, ou seja até mesmo pela aura de Robert Kubica, mas o fato é que se o carro negro da Lotus Renault vencer uma corrida, será uma das conquistas mais comemoradas. É difícil, mas não impossível.

Por fim, Rubens Barrichello também merece destaque. A Williams trabalhou duro para fazer inovações capazes de tornar o FW33 um carro vencedor. E isso gerou um monte de problemas durante os testes. Só que os ingleses dizem que está tudo consertado. O carro, que já era rápido sem o Kers, ganhou o novo artifício, a caixa de câmbio é uma das melhores de toda a F1 e os pilotos são bastante talentosos. Vencer é difícil, mas o time pode almejar bons resultados.

Apesar de eu ter falado dessas três equipes de um modo geral, a realidade é a mesma em se tratando do GP da Austrália. Pelas condições especiais descritas lá em cima, não seria nada inesperado se uma das três sair com a vitória.

Na sequência, aparecem Sauber e Toro Rosso. As duas equipes fizeram um excelente trabalho nos testes, terminando entre os primeiros diversas vezes. Para o campeonato, o objetivo vai ser marcar pontos sempre. Em um primeiro momento, Kobayashi tem mais chances na Austrália, assim como o time italiano deve optar por uma estratégia mais conservadora para tentar colocar os dois carros na zona de pontos.

Dando prosseguimento ao grid, a Force India contratou Paul Di Resta e Nico Hulkenberg, dois dos pilotos mais promissores. Só que, até o momento, o carro se mostrou ruim. Devem brigar com a Lotus de Kovalainen durante a corrida. Para terminar, carro ruim mesmo é a Virgin, que ainda tem azar de ter Timo Glock operado do apêndice às vésperas do GP. Essa não tem jeito e ainda pode correr o risco de ficar de fora com a volta da regra dos 107%.

A Hispania é uma incógnita, pois não foi à pista em momento algum e vive uma crise financeira terrível. Existe a possibilidade de milagrosamente o carro ser um foguete e ganhar corridas. Como as chances disso acontecer são menores do que eu – que nem jogo – ganhar na loteria, então o time espanhol, caso se classifique para a corrida, deverá traçar uma dura batalha com a Virgin sobre quem é mais inútil.

No entanto, faço um alerta para Narain Karthikeyan. Embora não pareça, ele é um bom piloto. No auge, talvez até melhor do que o demonstrado por Bruno Senna e Karun Chandhok até agora. No entanto, os tempos são outros e ‘Nana’ já está velho. Mas não subestimem o cara que levou a Carlin a ser o que é nas categorias de acesso e venceu várias corridas em A1GP e F-Superliga. Ah sim, ele também tem a maior torcida da F1, com cerca de 1,4 bilhão de fãs.

Mas e a McLaren?, você atento vai perguntar. Bom, essa é uma tremenda dúvida. Eles criaram um carro genialmente ruim. Aplicaram soluções inovadoras que fizeram a máquina quebrar constantemente durante a pré-temporada e, às vésperas do GP da Austrália, resolveram maneirar e mudar tudo. Martin Whitmarsh, por exemplo, falou que o time deve ganhar 1s em atualizações. 1s? Ninguém percebeu enquanto criava o carro que todas as novidades deixaria a máquina 1s mais lenta? Balela. O carro foi ruim mesmo, mas pode eventualmente brigar com Ferrari e Red Bull. Olho neles.

Antes dos palpites tortos, eu aviso que o textinho aqui saiu um pouco grande porque é início da temporada. A partir do GP da Malásia, voltam ao tamanho padrão de 2010. Além disso, os números da F1 estão de volta e devem ser postados aqui na terça-feira depois de cada GP. São imperdíveis. Indo aos palpites genialmente furados. Vettel vence, seguido por Alonso e Massa. Mas a minha torcida vai para o Schumacher.