Carro da Hispania F1 2011
A Hispania apresentou o carro com espaços que praticamente imploravam por um patrocinador

Que a F1 é cara todo mundo sabe. Assim como é cliche falar das dificuldades das equipes menores para arrumar patrocinadores. A maior prova disso é o novo layout da Hispania com aquelas enormes bolotas vermelhas onde está escrito “o seu logo aqui”, ou “espaço legal”. Talvez a solução para essa busca de investidores seja a flexibilização da regra no que diz respeito aos esquemas de pintura.

O regulamento da F1 proíbe que uma equipe tenha layouts diferentes em cada um dos carros, assim como não permite que um mesmo carro tenha um visual camaleônico  – mudando de cores e estilo – prova após prova. Não tenho certeza, mas creio que a razão dessa regra seja mantes a identidade dos times e facilitar para os fãs menos assíduos da categoria diferenciar quem é quem na pista.

Já que a F1 está aberta a tantas bobagens como chuva artificial e asa traseira móvel, talvez não fosse uma má ideia permitir que os times pudessem mudar a pintura em alguns GPs do ano. A vantagem disso seria atrair empresas locais para investir nos times. Por exemplo, em 2010, Lucas Di Grassi foi patrocinado pela Sorocred (a temporada toda) e pela Bombril (apenas no GP do Brasil). Só que essas marcas ocupavam um espaço mínimo do carro. Para se ter uma ideia, o logo da Sorocred era impossível de se ver pela televisão. Acho que, ao invés de exibir a marca corrida após corrida em um espaço semi-invisível, seria muito mais interessante a Virgin pintar o carro apenas na prova brasileira com as cores da Bom Bril e da Sorocred.

 

Carro da BAR na F1 1999
Em 1999, a BAR tentou de todas as maneiras correr com carros diferentes (embora tanto 555 quanto Lucky Strike fossem da mesma empresa), mas foi vetada

Outro exemplo é a Sauber. Ano passado eles exibiam o logo do Burger King nas corridas de rua. Talvez o carro todo pintado com as cores dessa rede de fast food pudesse trazer um retorno ainda maior. Isso serviria também para a Telmex, esse ano. Os mexicanos dividem o espaço da equipe suíça com a Claro, embora as duas marcas pertençam à mesma empresa. Como aqui no Brasil apenas existe a Claro, o retorno por conta de um carro alvirrubro seria maior levando em conta o público consumidor brasileiro. Por outro lado, em países que opera apenas a Telmex (tem algum além do México?) o carro passaria a ser albiceleste. Em outras provas, ficaria essa mistura toda. Ou até mesmo no GP do Japão, o Kobayashi poderia arrumar algum investidor a mais que teria todo o carro a disposição.

Voltando à Hispania, no lugar das bolotas vermelhas, a equipe poderia bolar esquemas de pintura geniais para patrocinadores específicos dos países em que a F1 compete. Lembrando que o time espanhol conta com um designer de Hollywood, então seria certeza que as marcas seriam ainda mais valorizadas.

Essa ideia não é uma novidade no automobilismo nem no mundo dos negócios. Chama-se crowdfunding, onde ao invés de se procurar um grande investidor, um projeto passa a ser bancado por várias e várias pessoas, na maioria anônimos. É o que a Wikipedia faz, quando exibe aquele “ouça o apelo de Jimmy Wales, criador da wikipedia”.

 

Carro da Penske de Ryan Briscoe
Para 2011, além dos carros alvinegros, a Penske também terá modelos específicos para os diferentes patrocinadores, como a PPG, de Ryan Briscoe

No automobilismo não tem muito como você pedir para os fãs juntarem centenas de milhões de dólares para que uma equipe possa competir a temporada toda. Isso até existe, mas é naquele esquema de, em troca de uma doação, você ganhar um pequeno pedaço do carro com o seu nome, por exemplo. Por outro lado, a ideia aqui não seria recorrer ao batalhão de anônimos e, sim, a várias empresas dispostas a investir no lugar de uma marca principal.

Um bom exemplo desse investimento pontual é a Indy. A Penske, uma das grandes equipes da categoria, inspirada na Nascar, anunciou uma série de patrocinadores para 2011, que não estarão presentes nos carros em todas as corridas. Pelo contrário. Em pouquíssimas etapas o equipamento da equipe será inteiramente pintado com as cores de determinada empresa investidora. Nas demais corridas, outro patrocinador e assim por diante. Nas etapas em que o carro não exibe as cores da empresa, o logo em geral fica exibido em espaços muito pequenos e são chamados de ‘patrocinadores associados’.

A Penske usou essa estratégia para aumentar a receita em 2011 e poder investir ainda mais no time para tentar acabar um jejum de títulos, que dura desde 2007. Enquanto, na Nascar, pilotos populares e experientes como Tony Stewart, Jeff Gordon e Dale Earnhardt Jr usam esse mecanismo para garantir o orçamento necessário para participar de todas as 36 etapas da longa temporada.