Jules Bianchi
Jules Bianchi quer ser campeão da GP2 Asia de qualquer jeito

A crise política no Bahrein e o consequente cancelamento das etapas restantes da GP2 Asia no país ergueram um enorme ponto de interrogação sobre a categoria. Seria Jules Bianchi campeão depois de disputar apenas duas corridas em Abu Dhabi? E seria esse o campeonato mais curto, mais sem graça e com menos ultrapassagens da história?

Pois bem, para responder algumas dessas perguntas, a organização da GP2 Asia decidiu expandir o calendário um pouco mais para que não o título ficasse resumido a apenas duas provas. Só que a brilhante decisão acabou sendo fazer uma rodada extra na pista de Ímola, na Itália (!), onde é quase tão difícil ultrapassar quanto em Abu Dhabi. Quer dizer, o campeonato já começou todo errado e vai terminar tão errado quanto.

Ciente das limitações geográficas da pista, Jules Bianchi resolveu se preparar para poder consumar o título que, de certa forma, lhe foi tirado. Como as categorias de acesso à F1, em sua maioria, sofrem de uma padronização quanto aos circuitos em que correm, quase nenhum dos pilotos da GP2 participou de alguma prova na pista italiana. Por conta disso, o francês da ART acabou tomando uma decisão importante: iria voltar à F3 para participar de uma sessão de treinos coletivos coincidentemente marcada para a antiga sede do GP de San Marino.

Apesar de curioso, não é algo completamente novo isso de retroceder campeonatos para conhecer uma pista. Quanto a etapa de Valência estreou na F1 – e consequentemente na GP2 –, muitos dos pilotos que disputavam o certame de acesso foram participar de uma etapa da F3 Espanhola para se habituarem à pista. Se a minha memória não falha, o vencedor da corrida foi Jaime Alguersuari.

Se voltar uma categoria não é algo estranho, então quer dizer que eu só fiz esse post por falta total de assunto? Não! Bianchi arrumou uma vaga em um dos carros da Prema, da F3 Italiana, para participar do treino. Os pilotos da categoria já tinham andado um dia de testes e estavam aclimatados à pista. Mesmo assim, lá foi o francês. Resultado: foi o mais veloz colocando 0s8 no segundo colocado, o brasileiro Victor Guerin, e 1s4 em Raffaele Marciello, companheiro no Ferrari Driver Academy e que vai disputar a F3 em 2011.

A efeito de comparação, Stefano Coletti e Michael Herck, também da GP2, seguiram Bianchi e foram participar dos treinos. O primeiro foi apenas o décimo, cerca de 3s2 mais lento, enquanto o segundo terminou quatro colocações depois e terminou quase 5s, vou repetir só para dar ênfase 5s (!!!) atrás do líder. Herck tomou tempo até da F-Abarth, um carro levemente mais veloz que um F-Renault. 5s!!!

Aí certamente alguém pode dizer que o Bianchi estava mais leve e fez volta de classificação para marcar esse tempo. Certo ele. A pista é estreita e quem largar na pole-position da primeira corrida tem grandes chances de receber a bandeira quadriculada. Então Bianchi não fez mais que a obrigação em se acostumar a andar o mais rápido possível, nem que seja por apenas uma volta. Dêem logo a taça ao rapaz.

P.S.: Clicando aqui você pode encontrar os resultados completos dos treinos em Ímola.