Brasil em destaque na F3 Inglesa

 

Felipe Nasr
Felipe Nasr encabeça (belo trocadilho com a imagem, hã hã) a lista de pilotos brasileiros na F3 Inglesa

Na apresentação oficial da temporada 2011 da F3 Inglesa, no site da categoria, o destaque ficou todo com os pilotos brasileiros. Com o grid enxuto e sem nenhum grande nome entre os ingleses, a populosa delegação brasileira, com cinco representantes, ficou em evidência.

Esse espaço maior destinado ao Brasil acontece por três grandes motivos. Em primeiro lugar, a falta de algum jovem que por si só atraia o interesse da mídia internacional. Nos últimos anos, a categoria se aproveitou do investimento feito pela Red Bull na equipe Carlin, coisa que não vai haver nessa temporada porque nenhum dos pilotos rubrotaurinos conseguiu subir para a F3. Em outras épocas, Sergio Pérez levava o dinheiro da Telmex, enquanto Marcus Ericsson atraia o grande contingente de fãs nórdicos, que moram no Reino Unido.

Essa falta de destaque dos pilotos pode ser explicada pelo pouco número de títulos de expressão que eles levam para o certame. O principal triunfo dentre os inscritos é o da F-BMW Europeia, de Felipe Nasr, em 2009. Além dele, Yann Cunha conquistou a F3 Sudam; Jazeman Jaafar, a F-BMW asiática; Kevin Magnussen, a F-Ford da Dinamarca; Hywell Lloyd, a F-Renault BARC e Scott Pye é o atual campeão da F-Ford inglesa. Com menos destaque, William Buller e Lucas Foresti já levaram o F3 Brazil Open. A maioria portanto, títulos de segundo escalão.

Além disso, ao contrário dos últimos anos, o Reino Unido não tem nenhum pilotos com chances de conquistar o campeonato. Inegavelmente, Jack Harvey, da Carlin, é o que está em melhor posição, mas nos treinos o jovem apoiado pela Racing Steps Foundation foi constantemente o mais lento dentre os companheiros de equipe, chegando a ser superado por carros da Hitech e da Double R. Rupert Svendsen-Cook, companheiro de Harvey, sofre do mesmo mal da maioria dos pilotos ingleses que chega à categoria: a falta de dinheiro. Mesmo mais rápido, Svendsen não tem o mesmo lobby do companheiro de equipe e seguirá relegado à posição de coadjuvante.

 

Jack Harvey
Ao contrário de Oliver Turvey e James Calado, Jack Harvey não deve brigar pelo título no primeiro ano de F3 Inglesa correndo com as cores da Racing Steps Foundation

Os demais ingleses, Buller, Lloyd, Menasheh Idafar e Harry Ticknell servem para encher as estatísticas somente. Um dado bastante curioso é o fato de a delegação britânica só superar a brasileira por conta de Idafar correr com a uma licença do UK apesar de ter nascido no Bahrein. Do contrário, seria cinco pilotos para cada lado.

O último fator que faz o Brasil ganhar destaque na Inglaterra é que, na realidade, somos o único país no mundo que ainda aposta nesse certame. Todos os outros – e de certa forma até mesmo o Reino Unido – ou preferem investir nos próprios campeonatos caseiros, ou acham que a melhor saída é a GP3. Se vermos os novatos do atual grid da GP2, são quatro pilotos com passagem pela GP3 – Estaban Gutierrez, Pal Varhaug, Stefano Coletti, James Jakes – enquanto ninguém fez a transição saindo diretamente da F3 Inglesa.

No entanto, Sergio Pérez, Jaime Alguersuari, Bruno Senna, Lucas Di Grassi, Karun Chandhok e Daniel Ricciardo são nomes de alguns pilotos que recentemente chegaram à F1 depois de fazer a carreira quase que exclusivamente no campeonato inglês. Claro, que, por outro lado, ninguém da GP3 chegou na principal categoria. É difícil julgar uma categoria conta a outra para ver quem prepara melhor, talvez vendo o desempenho de ex-GP3 contra ex-F3 Inglesa nessa temporada da GP2 dê para chegar a alguma conclusão.

Voltando aos motivos de os pilotos brasileiros optarem pela F3 Inglesa, são dois em principal: o seat time disponível e a tradição. Foi nesse certame que Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Ayrton Senna e Rubens Barrichello começaram, logo fica uma ideia de que esse é o caminho certo para quem quiser ter sucesso na F1. Vale lembrar que Felipe Massa passou bem longe da Inglaterra na carreira.

 

Pipo Derani
Pipo Derani teve problemas nos treinos em Rockingham, mas esteve entre os mais rápidos nos testes em Silverstone

Quanto ao seat time, a F3 Inglesa oferece 30 corridas (!) por temporada além de 25 dias de treinos no ano. No entanto, não há treinos livres nos finais de semana de corrida, enquanto na GP3 o treino livre é resumido a uma pequena sessão de cerca de uma hora.

Por esses dois fatores principalmente e levando em conta motivos como a aclimatação e a proximidade com as fábricas da F1, o fato é que o Brasil juntou cinco dos principais pilotos do país para a temporada 2011 da F3 Inglesa. E os organizadores da competição sabem disso. Nasr é favorito ao título ao lado do colombiano Carlos Huertas e de Magnussen. Pipo Derani, Pietro Fantin e Lucas Foresti estão superando os companheiros de equipe com facilidade e Yann Cunha têm um excelente histórico.

Talvez falando um pouco como torcedor, mas o Brasil conseguiu acertar na mão ao menos uma vez em se tratando de automobilismo e juntou um grande geração de pilotos, digna dos velhos tempos, e não se tratando somente de acesso à F1.

P.S.: clicando aqui você pode ver o resultado dos treinos da categoria em Silverstone, onde não teve domínio brasileiro, mas teve os pilotos do país com um excelentre retrospecto no geral

Um comentário sobre “Brasil em destaque na F3 Inglesa

  1. Já comentei no post passado e vou comentar nesse também, só pra dizer… até que enfim um blog que fala do que interessa no automobilismo! Agora, sobre o grid da F3, foi uma pena a criação da GP3 mesmo. É ótimo que tenha mais uma categoria – adoro “certames de acesso” -, mas a GP3 foi o tiro que faltava pra matar de vez a F3. A Europeia praticamente já era (o ano passado teve 13 carros na maioria das corridas) e a Inglesa tá indo pro mesmo buraco. Talvez a única alternativa seja a unificação em um campeonato internacional, mas nem sei se isso é viável.

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