João Paulo de Oliveira
João Paulo de Oliveira ou ジョアン.パオロ.オ.リベイラ busca o bicampeonato da F-Nippon

Em 2010, João Paulo de Oliveira conquistou o título mais signficativo dentre os pilotos brasileiros ao levantar a taça da F-Nippon, que, como o nome já indica, é o principal campeonato de automobilismo no Japão. Este ano, o paulista está de volta na busca pelo bicampeonato, mas irá encontrar uma categoria um pouco diferente da que triunfou.

A realidade é que o triunfo de JP não pegou bem por lá. Nada de xenofobismo ou algo assim, estou falando de critérios competitivos. Na campanha do título, o brasileiro correu com um carro com motor Toyota e talvez seja desnecessário explicar a rivalidade entre Toyota e Honda, as duas principais montadoras do país. Portanto, título de uma, crise na outra.

As demais equipes da Toyota também não gostaram nada de ver a Impul retornando ao topo, depois de o time ter dominado a última década quase na totalidade. Para evitar um novo domínio e voltar a ter um campeonato equilibrado, os times de dentro da própria montadora também se mexeram para dificultar um pouco mais o caminho de JP e do companheiro Kohei Hirate.

Com os dois lados precisando se reestruturar, a lista de inscritos da F-Nippon para a temporada 2011 traz um monte de novato e apenas três pilotos estrangeiros, os chamados gaijin. Além do próprio campeão, o alemão Andre Lotterer – vice-campeão na temporada passada – está de volta na TOM’S e o suíço Alexandre Imperatori entra na categoria pela SGC by KCMG, depois de fazer carreira na F3 Japonesa.

A F3, aliás, teve boa parte da geração 2010 subindo de categoria. O campeão Yuji Kunimoto, por exemplo, estreia pela Projectu/Cerumo Inging. Koki Saga, por sua vez, se mantém na La Beasset, mas também avançando de campeonato. Aos dois, se junta Imperatori, citado acima. O brasileiro Rafael Suzuki, que terminou em terceiro em 2010, não foi anunciado e segue sem vaga para a nova temporada. Para terminar os time da Toyota, a TOM’S substituiu Kazuya Oshima por Kazuki Nakajima, que desistiu de vez da F1.

Kazuki, aliás, será adversário do irmão Daisuke, que vai correr na equipe do pai, a Nakajima (!), com motores Honda. O caçula da família estava na F3 Inglesa e entra no lugar de Naoki Yamamoto. Na Dandelion, principal time da Honda, houve a maior surpresa da pré-temporada: o francês Loic Duval, destaque na A1GP e que já foi campeão da categoria, perdeu a vaga no time para Koudai Tsukakoshi, que teve uma carreira bastante boa na F3 antes de voltar à terra do sol nascente.

Ainda há uma vaga em aberto, mas dificilmente ela será do Rafael Suzuki, que eu nem sei se está negociando. Eu apostaria em Hideki Mutoh (ex-Indy e que contava com apoio da Honda), mas é uma equipe da Toyota, então fico sem ideias.

De uma forma geral, acho que a categoria deu um passo atrás trazendo muitos nomes midiáticos – como é o caso dos Nakajima – e perdendo nomes importantes como Loic Duval e Benoit Treluyer (embora este tenha saído antes). Os jovens vindos da F3 são boas aquisições, mas ainda precisam provar que são grandes pilotos e, visto o tamanho da crise que o título da montadora rival pode trazer, eu diria que eles não terão muito tempo para isso.

Veja a lista de inscritos completa e clique nela para ampliar (e tornar legível):

entry list da F-Nippon