DTM à brasileira

 

Mercedes-Benz
No Brasil, vamos ter agora uma competição da Mercedes, para empresários

O DTM é uma categoria bastante interessante e que está passando por mudanças para se adequar a uma nova realidade, se tornando ainda mais chamativa. Por exemplo, mesmo com a saída de Paul Di Resta, alguns nomes de destaque como Rahel Frey, Filipe Albuquerque e Edoardo Mortara chegaram à categoria. Além disso, em 2012, a BMW se juntará ao campeonato – que também pode atrair a Opel – e que ainda passará por uma equalização com o SuperGT japonês e a GrandAM americana para que os certames possam fazer provas, ainda que de exibição, em conjunto.

Claro que o automobilismo brasileiro, sabendo de como o DTM tem se tornado uma prioridade para as montadoras germânicas, resolveu entrar nessa barca. Em cerca de 15 dias, duas novas categorias brasileiras foram anunciadas: o Mercedes-Benz Grand Challenge e o DTCC Audi. Coincidentemente, ou não, essas são as duas montadoras participantes do DTM.

Só que ao contrário do que acontece na Alemanha, aqui no Brasil as duas fabricantes vão participar de campeonatos diferentes, exclusivos e monomarcas. Outra diferença é que, ao invés de pilotos já conhecidos – com até gente ex-F1 – que o DTM atrai, esses dois torneios são destinados aos gentleman drivers. Um nome bonito que designa empresários dispostos a gastar as fortunas para passar um dia no autódromo se sentindo um verdadeiro piloto.

Separadas, essas duas categorias são extremamente enfadonhas. Sinceramente, tirando a Porsche Cup, que consegue fisgar alguns bons nomes, esses campeonatos de uma marca só não têm apelo nenhum ao público, para isso é só ver os casos do finado Trofeo Maseratti e do Mini Challenge. Já aquela tarefa de colocar carros bonitos e poderosos na pista cabe ao GT Brasil, que bem ou mal faz esse papel.

 

Audi
... e um campeonato de Audi, também só para empresários. E com portões fechados

Sabendo disso, aliás, o campeonato da Mercedes vai servir justamente como preliminar do GT Brasil. O torneio da Audi, nem isso. Ele passará em uma emissora de tv a cabo e – pasmem – com portões fechados nos autódromos. Sobre esse posicionamento da montadora de quatro argolas, eu tenho duas hipóteses. Ao que cabe menção aqui, a estratégia de marketing da Audi é tornar a marca ainda mais exclusiva e propagar ela ao público que interessa: os respectivos gentleman drivers e os amigos VIPs, além daqueles que têm tv fechada – muitos -, mas que vão perder algumas horas da vida para ver os endinheirados correndo em uma pista – poucos.

Só que essa minha hipótese sobre a Audi é meio furada. Eles optaram por usar na competição o modelo A3 que não é tão caro assim. Pelo menos comparado aos demais carros da marca. No DTM, por exemplo, eles usam o A4. Aí fica difícil saber qual é o objetivo dessa nova categoria.

Por outro lado, se Mercedes e Audi se juntassem por aqui, claro que não construiriam um DTM, mas algo mais interessante surgiria. Por exemplo, a disputa entre marcas dentro da pista poderia refletir fora dela, talvez até nas concessionárias. Fora que um duelo entre montadoras é muito mais interessante que brigas entre empresários endinheirados.

Até mesmo falando pela mídia. Se algum dia esses dois campeonatos tiverem destaque ou é por tragédia – que pode acontecer em qualquer lugar, não estou agourando – ou apenas por algum press release recebido em uma redação em um dia de pouco movimento. Juntos, mesmo com os tais gentleman drivers, a competitividade poderia ser um ponto a favor dos certames.

Outra justificativa seria o número de competidores. A Mercedes-Benz Grand Challenge promete um grid de 22 participantes, enquanto a Audi espera contar com 16. Isso são 38 carros, mais que o dobro do DTM! Separados vão ficar naquele 15 a 20 máquina como em qualquer outo certame sem apelo.

E esse é o nosso DTM particular. Afinal, curioso como o grande, rico e próspero Brasil comporta dois campeonatos, enquanto a pobre Alemanha tem apenas um (!) e ainda precisa recorrer a pilotos profissionais.

P.S.: que nome rídiculo DTCC Audi. TCC, para quem não sabe, é a denominação de Touring Car Championship, ao redor do mundo. Antes dele, entram o prefixo da região. No WTCC, W de World (mundial), no BTCC, B de British (britânico) e no DTCC não é nem Touring Car Championship – esses multimarcas – nem D, porque aqui seria BR, ou algo assim.

8 comentários sobre “DTM à brasileira

  1. cara, esse campeonato nao tem o menor interesse em fomentar o automobilismo ou qualquer coisa parecida, é so mais um que vem premiar uns mauricinhos , que tem tempo e dinheiro de sobra e que são os que vão comprar e divulgar essas marcas, sao “pilotos” que vao la so pra se divertir e aparecer pros amigos endinheirados, mas a culpa maior ao meu ver continua sendo da nossa competentissima cba e das suas afiliadas regionais, enquanto esses campeonatos ficam aparecendo por ai so pra satisfazer uns poucos , nossos kartódromos , autódromos e categorias que realmente formariam alguma coisa continuam padecendo.
    tanto é verdade que nem publico eles estao preocupados em levar aos autodromos.

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    1. so pra complementar sei do que to falando ja que a sete anos eu e um amigo meu organizamos um campeonato de kart no rio de janeiro que foi referencia nesse periodo ja que a faerj nem camponato fazia, tinhamos em média 30 a 35 pilotos por etapa e infelismente corriamos num estacionamento imporvisado ja que nao tinhamos kartodromo no rio , recentemente volta redonda foi reformado, ficou muito bonito, mas os custos inviabilizaram a organizaçao de campeonatos não oficiais la. sobrou guapimirim que esta sendo reformado, mas isso nada tem haver com os nossos competentes dirigentes , ja que é uma pista particular e administrada por uns poucos abnegados.

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  2. A lógica se dificulta bastante. Se não há campeonatos, reclama-se da falta de campeonatos. Se há campeonatos, reclama-se de seus formatos, jeitos, tiques, do modelo do carro, da cor do pneu. Parece que o negócio é reclamar. Na minha opinião, um dos grandes problemas no Brasil é que a qualquer tentativa, aparece um exército de entendidos para apontar o dedo a pseudo defeitos. E sempre entendidos que mal sabem como se organiza um campeonato. A crítica é válida, mas desde que seja equilibrada e aponte soluções, criticar até o nome dos eventos me parece atitude reacionária e quem sabe, invejosa.

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  3. Nao concordo com sua teoria,com relacao às Mercedes. O automobilismo no Brasil esta cada vez mais esquecido, a ponto, de ja se afirmar que nao teremos pilotos na F1 em breve.Nada contra as monomarcas, pelo contrário, já tivemos ótimos campeonatos regionais e ótimos pegas com categorias monomarcas como Corsa,Pick-UPCourier,Clio, Uno, etc, onde pilotos “desconhecidos” da midia,davam verdadeiros show na pista. Só pra lembrar alguns, Amadeo, Paioli, Bia,Burti, Córdoba, só pra citar, correram em categorias monomarcas. Falta apoio da midia escrita e televisiva, pois nosso automobilismo, independente da categoria, precisa é de apoio e de divulgacao, pra que meia duzia de pessoas nao continue achando que é só umesporte elitista e de empresarios ricos, tem muita gente boa,gastando o suor do trabalho pra fazer o automobilismo no Brasil andar.

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    1. Wilson, obrigado pelo comentário!

      Acho muito legal quando gente que pensa diferente posta por aqui. Só penso que é a sua comparação entre campeonatos de Uno, Corsa ou Clio com Mercedes deveras exagerado. É bem diferente quem consegue pagar para correr de Mercedes e de Uno.

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  4. Realmente, a concorrência talvez nunca seja a prioridade das marcas no Brasil. Tenho uma breve teoria de que isso se faz possível aqui pelo fato do consumidor brasileiro ser pouco exigente, pra não dizer muito abestado em pagar uma grana preta em qualquer carro.

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  5. *facepalm*

    Também não entendi. O pior não é nem fazer um campeonato pros endinheirados ficarem correndo (o que realmente seria problema deles e beleza). O foda é desperdiçar a oportunidade de ter um bom multimarcas em terras brasileiras. 😦

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