Mike Rockenfeller
Em 2011, Mike Rockenfeller vai ter equipamento de ponta da Audi pela primeira vez na carreira

A temporada 2010 do DTM fez com que as montadoras precisassem se movimentar durante o inverno europeu para reforçar o plantel para o novo campeonato. O domínio da Mercedes, que terminou o ano com os três primeiros colocados, pegou mal para a Audi.

A montadora das quatro argolas logo anunciou uma faxina geral no plantel. A princípio, evitou falar em dispensas, mas, salvo os intocáveis Mattias Ekstrom, Timo Scheider e Mike Rockenfeller, todos estariam a perigo.

Na Mercedes, a situação era a inversa. A euforia do triunfo depois de três títulos consecutivos da adversária fez a montadora das três pontas ser mais cautelosa na hora de contratar. Tecnicamente, eles poderiam ser adeptos do chavão de time que está ganhando não se mexe, entretanto a ida do campeão Paul Di Resta para a F1 forçou a turma de Norbert Haug a correr atrás de um substituto.

Voltando à Audi, o time anunciou as dispensas de Alexandre Premat, Markus Winkelhock e Katherine Legge. O francês já sabia que não estava nos planos do time desde o final de 2010, enquanto os outros dois – mesmo com passagens por F1 e Champ Car, respectivamente – não agradaram a direção da fabricante.

Para as vagas abertas, a Audi trouxe o italiano Edoardo Mortara, campeão da F3 Euro Series e bicampeão da prova de Macau da F3. Sem chances na GP2 depois de uma temporada irregular na categoria e um duvidoso retorno à F3, Mortara aproveitou o teste pela montadora das quatro argolas como prêmio pelo título nos monopostos para garantir uma das vagas no time.

Filipe Albuquerque DTM
Filipe Albuquerque já era piloto da Audi no turismo alemão

O segundo piloto contratado foi o português Filipe Albuquerque, vencedor da Race of Champions de 2010, portanto melhor piloto da temporada. Albuquerque tem passagens positivas pela World Series by Renault e pela A1GP, mas estava competindo pela própria Audi no turismo italiano. O título na ROC colocou Filipe de volta à mídia e selou o contrato para o DTM.

A última contratada foi Rahel Frey, que estava no FIA GT, depois de correr na F3 Alemã. A troca de Katherine por Rahel é apenas um belo seis por meia dúzia, mas justificado se levarmos em conta que a ex-piloto de Champ Car não se adaptou à categoria. Além dos novos contratados, a Audi promoveu Rockenfeller à equipe principal pela primeira vez na carreira devido aos bons resultados do piloto no endurance – principalmente pelo triunfo nas 24h de Le Mans.

Sem a mesma pressa que a rival para montar o plantel, a Mercedes resolveu levar seis jovens pilotos para testar no Estoril. Uma espécie de vestibular pela vaga de Di Resta – ainda que o escolhido deva ir para uma equipe satélite da HWA.

Alberto Valério no DTM
Alberto Valério pode acertar com a Mercedes no DTM

Dos seis, dois não tem a mínima chance: Valtteri Bottas e Luciano Bacheta. O primeiro já está fechado com a Lotus ART para correr na GP3 e ainda é piloto reserva da Williams, ele só vai estar na pista portuguesa por receber a mesma premiação que Mortara teve pela Audi. Bacheta, por sua vez, vem de uma ótima temporada na F-Renault, mas o pulo para o DTM parece ser muito grande. Além disso, o garoto poderia tentar o sucesso em outras categorias.

Mais experientes, Winkelhock, dispensado pela Audi, e o tcheco Tomas Kostka, que correu pela equipe de Collin Kolles antes de o dirigente ir para a Hispania na F1 e fechar o time, também vão testar. No entanto, assinar com um desses seria um passo atrás para a Mercedes, que busca substituir um campeão.

Os dois pilotos que sobram são Renger van der Zande e Alberto Valério. O holandês é experiente na F3, passou muito mais que a metade da carreira nessa categoria, mas teve os resultados piorando com o tempo. Em 2010, na GP3, sequer conseguiu somar pontos e não deve conseguir fazer a carreira avançar à GP2, restando o DTM como uma ótima opção.

Valério fez quase três temporadas na GP2 alternando altos e muitos baixos. O brasileiro até venceu uma corrida e fez outras boas apresentações, mas o comum foi vê-lo no final do grid. Ainda assim, das opções da Mercedes é o de currículo melhor.

Se Valério demonstrar na pista o favoritismo que tem no retrospecto, dificilmente a montadora de três pontas irá escolher outro nome. A menos que apareça alguém mais interessante ($). Ainda assim, para substituir Paul Di Resta e levando em conta que o time já conta com pesos mortos como Cong Fu Cheng e Susie Stoddard, além de David Coulthard e Ralf Schumacher, que se mantém muito por conta do histórico na F1 e não no desempenho atual, o nível dos selecionáveis parece estar aquém do necessário.