Conor Daly
Conor Daly irá disputar a GP3 em 2011. E Conor Daly irá disputar a Indy Lights em 2011. Pode isso?

Quando a GP3 foi criada, trazendo mais 30 vagas para pilotos recém-saídos de categorias como F-Renault e F-BMW, é bem verdade que os times não conseguiram preencher todos esses espaços. Como as equipes são obrigadas a correrem com três carros em todos as etapas, elas foram obrigadas a buscar pilotos em lugares antes solenemente ignorados.

Prova disso foi a participação de Felipe Guimarães pela Addax, visto que o brasileiro já se preparava para seguir na Indy Lights. E esse nem foi o caso mais marcante. O russo Ivan Lukashevich estava havia um ano afastado das pistas – e sequer tinha uma vitória na carreira – quando foi contatado pela Status. E olha que essa lista poderia ficar ainda maior por conta de Daniel Morad, Pablo Sanchez López e Patrick Reiterer.

A situação não mudou muito em 2011. Até o momento o filipino Marlon Stockinger é o que há de mais exótico da lista de inscritos. Além dele, aparece também o neo-zelandês Mitch Evans, um velho conhecido de quem acompanha o blog. Se você não o conhece, clique aqui.

Mas o caso mais interessante é o de Conor Daly. Não achem que estou dizendo que o americano é um mau piloto. Pelo contrário. Pela forma com que conquistou a Star Mazda em 2010, Daly é uma das gratas promessas do país. No entanto, a contratação dele pela Carlin é curiosa por dois bons motivos.

Primeiro porque é algo incomum alguém fazer essa transição América -> Europa. Ainda mais em se tratando de um vencedor da Star Mazda, categoria até então pouco observada no Velho Continente. Quer um exemplo? Vejamos os campeões que antecederam Daly. A lista começa com o inglês Adam Christodolou e segue com John Michael Edwards, Dane Cameron, Adrian Carrio, Rapha Matos, Michael McDowell…

A grande maioria sequer teve sucesso nos próprios Estados Unidos. Daí a um americano conseguir vaga na GP3 por uma equipe tradicional como a Carlin – que não anunciou mais nenhum outro piloto até agora, o que significa que não está desesperada por gente – prova como foi estranha a mudança. Repito: isso é algo incomum, não estou desdenhando da habilidade Daly.

O segundo ponto da contratação de Conor é que ele foi liberado pelo time inglês para correr também na Indy Lights, nas etapas em circuitos mistos cuja agenda não seja conflituosa com os eventos na Europa.

Se a minha memória não estiver falhando, a última vez que um piloto competiu na Indy Lights e participou da F1 foi Cristiano da Matta, em situação muito diferente da de Conor Daly.

Conor Daly GP3
Conor Daly testando um carro da GP3

De qualquer forma, o acordo com a Sam Schmidt parece agradar a todas as partes. A Carlin passa a ter um piloto que terá mais seat time que qualquer outro na categoria pois irá participar de dois campeonatos distintos. Daly poderá somar o aprendizado das pistas dos Estados Unidos aos da GP3, afinal, quanto mais souber sobre os diferentes tipos de pista, melhor para ele. Além disso, o piloto também acaba tendo uma garantia de futuro caso a carreira na Europa não dê certo.

Por fim, a equipe de Sam Schmidt ainda conseguiu montar um plantel de respeito no principal carro do time. Além de Daly nos circuitos mistos, Bryan Clauson – vencedor da bolsa da Indy dada ao campeão da USAC – irá competir financiado nas pistas ovais. Lembrando que o brasileiro Victor Carbone será companheiro da dupla e fará a temporada completa da Indy Lights.

A opção da Carlin por Conor Daly mostra que o automobilismo dos Estados Unidos não está morto para o mundo e é bom o programa Road to Indy ter cuidado, senão os jovens talentos podem acabar se mudando para a Europa ao invés de seguir carreira na América.