Budweiser Shootout
Quem trabalhou em dupla no Budweiser Shootout - como Kasey Kahne e Carl Edwards - rapidamente se destacou do pelotão

O Budweiser Shootout, disputado na noite do último sábado, dia 12, em Daytona, mostrou ao mundo a nova maneira que os carros da Nascar se comportam nesse tipo de pista. Talvez pelo novo asfalto ou pelas mudanças aerodinâmicas para a temporada 2011, trabalhar em dupla se mostrou essencial.

As longas filas de carros, tradicionais no super-oval da Flórida, deram lugar a parcerias quase que fixas entre dois pilotos, o chamado ‘draftlock’. Essa técnica já havia sido usada amplamente em Talladega, mas não de forma tão intensa. Outra diferença foi que na pista do Alabama as filas de carros ainda continuaram a existir. Para entender esse draftlock em uma explicação usando o CFD, clique aqui.

Talvez pelo Shootout ser uma corrida tão curta – apenas 75 voltas – os pilotos se arriscaram a ficar em duplas desde o início. Na Daytona 500, isso não deve acontecer ainda mais que a Nascar vai limitar a refrigeração do motor, impedindo que o draftlock seja feito repetitivamente.

No Shootout, aliás, a parceria entre Jeff Burton e Kevin Harvick, talvez a mais forte da noite, foi separada a partir do momento que o motor de Harvick ameaçou estourar. Mais tarde, trabalhando com Jeff Gordon, o piloto de Richard Childress não pôde mais passar tanto tempo empurrando o parceiro.

Como a Daytona 500 é uma corrida bem mais longa, a tendência é que apenas nas voltas finais os pilotos passem a abusar do draftlock. Antes disso, muita gente deve usar essa técnica para avançar posições, garantir o bônus por liderar uma volta, formar parcerias e mostrar o patrocinador. Competitivamente, o que aconteceu no Shootout não deve ser repetir até o final da 500.

 

Juan Pablo Montoya e Jamie McMurray no Budweiser Shoototut
O draflock funciona com o carro de trás literalmente empurarrando o da frente por voltas e voltas, completamente colados

Aí que está o problema. Caso realmente esse trabalho em dupla não seja usado durante toda a Daytona 500, como será que os pilotos irão se comportar? Teremos o retorno das tradicionais linhas de carro, ou a corrida será uma entediante prova em single file até os últimos giros?

Apesar da nova técnica, Daytona ainda guarda algumas especificidades. Como a pista é muito estreita e mal comporta três carros lado a lado, será muito interessante ver como as ultrapassagens e trocas de parceria serão negociadas. Principalmente quando houver um retardatário mais lento próximo. Dessa forma, ainda destaco as paradas nos boxes como momento fundamental, afinal, ficar sem parceiro quando elas forem feitas em bandeira verde, pode significar até mesmo perder a volta do líder.

O final da corrida de sábado, com Denny Hamlin superando Ryan Newman na linha de chegada, prova que poderemos ter final de corridas mais emocionantes. Antes, era comum que apenas os dois carros que puxavam as filas chegassem em condições de brigar pela vitória nos metros finais.

Para finalizar, como a Nascar resolveu mudar a refrigeração dos carros após o Shootout, acredito que os Gatorade Duels, nessa quinta-feira, vão manter o espírito da corrida promocional: várias duplas e muitas mudanças de liderança. Afinal, os pilotos precisam testar o equipamento para que tudo dê certo em Daytona.

Em tempo: para quem não sabe como funcionam os treinos em Daytona e ficou meio perdido com os termos Budweiser Shootout e Gatorade Duels, sugiro ler esse post aqui que eu fiz ano passado. As regras são as mesmas, mas os exemplos usam o grid de 2010.

Em tempo 2: Quanto à corrida da ARCA, que teve o Miguel Paludo, digo que nunca vi uma corrida tão chata em Daytona. Independente do problema mecânico que o brasileiro teve, será que ninguém leva em conta que Bobby Gerhart – o vencedor da corrida – sempre vence com tática nos boxes? Por que ninguém fica de marcação nele? Eu faria isso. E teria conseguido um TOP 5. Para ler como a corrida foi, basta clicar aqui.