O resgate do automobilismo francês

 

Romain Grosjean e Jules Bianchi
Romain Grosjean e Jules Bianchi são provas de que o automobilismo francês ressurgiu

Alguns anos atrás, o automobilismo francês destinado à F1 estava em frangalhos. Depois de Alain Prost, os gauleses tinham apenas Olivier Panis e Jean Alesi para torcer na categoria. O que não é lá muita coisa já que o duo só conseguiu duas vitórias, somados.

Depois disso, a exemplo de nós brasileiros que procuramos o novo Ayrton, os franceses sempre viam o novo Prost em quem surgia nas categorias de base com algum destaque. E nessa cruzada messiânica, gente como Sebastien Bourdais, Alex Premat, Nicolas Minassian, Franck Montagny e, mais recentemente, Romain Grosjean acabaram se queimando.

Nada muito diferente do que acontece por aqui. Deles para Bruno Senna, Lucas Di Grassi, Diego Nunes, Luiz Razia, Sergio Jimenez, Nelsinho Piquet e Xandinho Negrão praticamente só mudam os nomes.

Nicolas Minassian
Nicolas Minassian na F3000. Vice-campeão de Bruno Junqueira, em 2000, para a F1, o francês não vingou assim como o brasileiro

Todos os citados até aqui falharam na missão de dar a um país acostumado com títulos recentes na F1 – com Prost e Senna – a chance de voltar a subir no degrau mais alto do pódio ao final da temporada.

Ao menos, ao contrário dos franceses, nós brasileiros ainda temos Felipe Massa e Rubens Barrichello na ativa, que dão alguma esperança de bons resultados.

Só que se formos pensar no futuro, uma hora Massa e Barrichello irão deixar a F1. E, a exemplo da França na atualidade, o Brasil não terá mais nenhum representante na categoria visto que as principais promessas nas últimas temporadas não vingaram.

Aí que a França está um passo na frente do Brasil. Com um trabalho realmente eficiente nas categorias de base, contando com a criação de campeonatos baratos e apoio maciço de montadoras e organizações governamentais, os franceses reergueram as esperanças do país voltar a ter um piloto de ponto na F1.

Se tomarmos o ano de 2010 como exemplo, Jean-Karl Vernay foi campeão da Indy Lights, enquanto o quase xará Jean-Eric Vergne venceu a F3 Inglesa. Os dois estão buscando alcançar a Indy e a F1, respectivamente, ainda este ano mesmo que em testes. Além deles, Arthur Pic foi vice-campeão da F-Renault e Loïc Duval segue sendo uma referência no Japão, assim como JP de Oliveira é para o Brasil lá no Oriente.

 

Olivier Panis
Olivier Panis foi um dos últimos franceses na F1

A grande prova dessa renovação francesa é a atual geração da GP2. Dos favoritos ao título, três nasceram na terra de Napoleão: o já citado Romain Grosjean, que quer recolocar a carreira nos trilhos depois de uma passagem bastante ruim pela F1; Jules Bianchi, da Lotus ART e piloto de testes da Ferrari; e Charles Pic, na sempre poderosa Addax.

Se levarmos em conta o resultado da corrida de abertura desta sexta-feira, dia 11, em Abu Dhabi, a previsão sobre o resgate do automobilismo francês parece se realizar. Grosjean largou na pole-position, mas perdeu a liderança para Bianchi ainda antes da primeira curva. Os dois fizeram a dobradinha com o ex-piloto da Renault ainda marcando a volta mais rápida da corrida.

O Brasil bem que poderia seguir o exemplo francês no automobilismo e começar a se preocupar com a renovação de pilotos na F1. A França ficou anos sem ninguém no grid e parece estar saindo desse martírio. Já o Brasil depende de ações pontuais, como a F-Future de Felipe Massa, ou do surgimento de algum talento individual, como Felipe Nasr, para sair dessa lama. Talvez para nós não dê tempo.

2 comentários sobre “O resgate do automobilismo francês

  1. Olá Felipe! Eu gosto muito das coisas que você escreve, sempre acompanho pelo twitter e dentre os jornalistas de automobilismo que tenho no meu twitter, pra mim vc é o melhor, dá pra ver que vc tem mesmo conhecimento e não se perde, muito menos se confunde nas coisas como os outros que só ficam falando um monte de besteiras. Parabéns! Você é muito bom mesmo!!
    Abraços,
    Ana Lígia.

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