Ricardo Teixeira
Ricardo Teixeira pode ser o companheiro de Narain Karthikeyan na F1

Antes de começar o post, preciso avisar que o assunto aqui é o piloto luso-angolano poder ter fechado contrato com a equipe de F1 e não sobre uma eventual viagem do dirigente da CBF ao país europeu, tampouco negociações dele com a Federação Espanhola de Futebol.

Dito isso, o Verde, que faz posts tão longos quanto o long cat no blog Bandeira Verde, alertou para a presença do piloto angolano Ricardo Teixeira em Valência, durante os testes de pré-temporada da F1, para negociar uma vaga na Hispania para a disputa da temporada 2011 da categoria.

Para quem não sabe, Teixeira nasceu em Lisboa, mas possui tanto a nacionalidade portuguesa quanto a angolana. O piloto de 26 anos é apoiado pela Sonangol, petrolífera estatal do país africano, e deve estar levando bastante dinheiro para a equipe espanhola. O que não é nenhum problema, já que Collin Kolles, chefe da Hispania, já declarou estar buscando por pilotos que pudessem dar uma mão no orçamento da equipe. Dessa forma, a HRT já havia assinado com Narain Karthikeyan, que conta com o patrocínio da montadora indiana Tata.

Se o indiano já parecia não ser um piloto empolgante, o angolano é muito menos. Até hoje, em seis anos de carreira internacional com passagens por F3 Inglesa, GP2 e F2, Teixeira tem um quinto lugar como melhor resultado na história! Além disso, ele é mais conhecido (??) por ser homônimo do dirigente da CBF e pelo vôo no Marracos, como você pode ver clicando aqui.

 

Ricardo Teixeira na F2 no Marrocos
Essa corrida no Marrocos foi o grande destaque da carreira de Ricardo Teixeira. Ele é o piloto com dificuldades em saber o caminho certo na pista

Ficou preocupado? Pois é. A entrada do piloto africano na F1 pode ser ainda pior. Nessa, ele pode afetar as bases de duas categorias. Primeiro, o angolano poder ser o primeiro a conseguir fazer a transição da F2 para a F1. O que deveria ser uma coisa boa, mas soa bastante irônico para falar a verdade. A F2 foi criada como uma alternativa de baixo custo para que os jovens pudessem seguir carreira no automobilismo. Só que aquele que deve vir a servir como a exemplo a futuros participantes acabou comprando a vaga na categoria principal, ou seja, em momento algum ele foi alguém sem dinheiro que precisou da F2 para seguir.

Para encerrar, ele pode ser ruim para a própria F1. Eu escrevi no final do ano passado um post chamado “A expansão da F1 pode estar matando a categoria”, que você pode ler clicando aqui. Nele, eu critiquei a decisão da F1 em ampliar o calendário para 20 corridas me baseando em uma declaração do Max Mosley. Para não repetir tudo o que disse na ocasião e que considero bastante atual, vou reproduzir apenas uma frase:

“Se fazer 20 corridas em um ano parece interessante, pode ser um tiro no pé se apenas pilotos como [Pastor] Maldonado, Ricardo Teixeira, Sakon Yamamoto, Dani Clos, Rodolfo Gonzalez e Vladmir Arabdzhiev conseguirem participar da categoria”. É… não sou apocalíptico, mas está acontecendo.

Em tempo: Nosso brother Ricardo Teixeira testou o carro da Lotus, nesta sexta-feira, dia 4, em Valência. Talvez eu possa ter errado a equipe, mas como tudo ainda é possível nessa última vaga da Hispania, não vou alterar o post.