Largada do F3 Brazil Open
O F3 Brazil Open de 2010 foi esvaziado, mas teve um bom duelo entre André Negrão e William Buller

Nesta quinta-feira, dia 20, começa o F3 Brazil Open. Aquela competição extra-campeonato da F3 Sudamericana que acontece no autódromo de Interlagos para, além de dar ritmo aos pilotos brasileiros em um momento de pré-temporada, também fazer parte das comemorações do aniversário da cidade de São Paulo, no dia 25.

Antes de falar da competição em si, vale uma reclamação. Como tudo o que envolve a F3 daqui – e o automobilismo no Brasil em geral – esse torneio é tratado nas coxas. Foi uma dificuldade saber quem vai correr. No site do evento, a parte dos pilotos, a mais importante, está atualizada – e creio que somente por causa dos releases de assessores – mas ninguém até hoje percebeu que os pilotos se repetem. Ou talvez tenham percebido e não quiseram mudar para encher o grid na marra.

Mesmo com os problemas até amadores na organização, é inegável que o Brazil Open cresceu. Talvez a competição tenha surgido em 2010 com o intuito de ser comparada às corridas de F3 em Zandvoort ou em Macau. Longe desse objetivo e com os pés no chão, agora é possível afirmar que neste ano o evento conseguiu amadurecer.

A mentalidade de tentar trazer os melhor pilotos do mundo disponíveis foi deixada para trás, até porque, na edição  inaugural, isso se resumiu a William Buller, André Negrão e Vittorio Ghirelli, que no decorrer do ano não conseguiram nenhum destaque. Para 2011, parece que a postura adotada foi mais cautelosa e o objetivo passou a ser formar o melhor grid possível entre pilotos brasileiros que disputam a F3 e categorias logo abaixo.

Pipo Derani
Com experiência na F-Renault norte-europeia e na F3 Alemã, além de competir pela equipe atual campeã, Pipo Derani é o favorito para o F3 Brazil Open

Para um primeiro passo, a ideia deu certo e os pilotos confirmados mostram uma parte do que o Brasil tem de melhor no automobilismo. Para abrir o grid, vale ressaltar a presença de Pipo Derani. O jovem de 17 anos surpreendeu a todos ao confirmar a participação no Brazil Open. Embora tenha assinado com a Double R para a F3 Inglesa, o garoto vai correr pela rival Hitech. Com dois anos de automobilismo europeu nas costas, um amadurecimento forçado e destaque nos treinos de pós-temporada, Pipo é o favorito para a competição. Completando a dupla da equipe inglesa está Guilherme Silva de 16 anos, que está começando a carreira no automobilismo.

Se em 2010 o título foi disputado entre os pilotos da Hitech (Buller) e da Cesário (Negrão), o time brasileiro entra como principal concorrente pelo campeonato. Para isso, são três carros inscritos: um para Victor Guerin, que disputou a F3 Sudam Light antes de competir na F-Abarth; outro para Fabiano Machado, vindo da própria F3 Sudam, mas que é nascido em 1986; e o último para Lucas Foresti, que se prepara para uma segunda temporada na F3 Inglesa.

Não seria surpresa se Foresti se tornar o principal adversário de Derani para a conquistana disputa do Brazil Open. Aliás, muita gente esperava que a temporada 2010 da F3 Sudamericana fosse vencida por um piloto da Hitech ou por um da Cesário, exatamente como acontece agora. No final, nenhuma das duas grandes equipes triunfou. O campeão foi Yann Cunha, da Bassan. Já acertado com a T-Sport na F3 Inglesa, Yann espera repetir o desempenho da temporada regular para tentar conquistar mais esse título – se conseguir, será o quarto em quatro competições seguidas desde o triunfo sul-americano.

Yann Cunha
Yann Cunha chega ao F3 Brazil Open credenciado pelos títulos da F3 Sudamericana, da 500 milhas da Granja Viana e das 6h de Brasília

Equipes com menos recursos, mas já tradicionais na F3 Sudamericana também estarão presentes. A Kemba vai alinhar um carro para o veterano Leonardo de Souza, enquanto o outro será do estreante João Jardim, que disputou o título da F-Future até a corrida final. Já a Dragão inscreveu Lu Boesel e Matheus Laba, ambos pilotos do time na temporada passada. Ainda há a presença de dois carros da Cesário para a categoria Light, para Bruno Bonifácio, de 16 anos, e para Rapahel Abbate, vindo da USF 2000.

Mesmo com um grid de 12 carros – dez se não contarmos os Light – o Brazil Open sequer conseguiu ainda o objetivo de atrair as principais promessas do país. Por vários motivos que variam desde a preparação para a temporada europeia à negociação por um lugar aonde correr, gente como César Ramos, Rafael Suzuki, Felipe Nasr, Gabriel Dias, Adriano Buzaid e Victor Corrêa – principais pilotos do Brasil na F3 – passaram longe do evento. Outra ausência sentida, ao menos por enquanto na lista de inscritos, é a de Pietro Fantin, piloto em desenvolvimento da própria Hitech, mas que chegou a participar dos treinos coletivos em Interlagos, no início do ano.

Só que como a coisa mais difícil é arrancar algum tipo de informação sobre o evento, pode ser que com os treinos de amanhã, Fantin ou outro piloto apareça correndo sem ter sido confirmado previamente. Se isso acontecer, em futuros posts aqui no blog, falarei sobre. De resto, além de corridas agitadas, o Brazil Open vai servir como uma prévia para vermos o que Foresti, Cunha e Derani vão poder fazer na F3 Inglesa na próxima temporada.