André Negrão
André Negrão pilotando o carro de 2010 da Draco nos testes coletivos da World Series by Renault

No final do ano passado, ao lado do categórico Felipe Paranhos, tive que fazer uma pauta para a Revista WarmUp sobre os pilotos brasileiros que competiam em categorias menos conhecidas. Na realidade, valia praticamente qualquer campeonato que o Grande Prêmio só cobriu por conta desses pilotos.

Entre os entrevistados estavam Victor Carbone, Pipo Derani e André Negrão. Vejam bem: na terça-feira, Carbone foi anunciado pela Sam Schimdt da Indy Lights; na quarta-feira, foi a vez de Derani fechar acordo com a Double R para a F3 Inglesa e, na quinta-feira, Negrão anunciou os planos para 2011. Acho que é a primeira vez na vida que eu sou pé-quente em alguma coisa. Ah, para quem quiser ler a reportagem na íntegra basta clicar aqui.

Quanto a André Negrão, depois de participar da F-Renault europeia em 2010, o piloto irá competir na World Series by Renault. Um salto e tanto se levarmos em conta que, no último ano, o brasileiro praticamente fez a estreia nos monopostos, encerrando o campeonato na 13ª posição apenas, com 23 pontos somados e uma pole-position obtida.

Negrão será piloto da equipe Draco, que conquistara o título da temporada 2009 com o belga Bertrand Baguette, atualmente na Indy. Para 2011, a equipe italiana também anunciou o monegasco Stéphane Richelmi, vice-campeão da F3 Italiana. Os dois substituem Omar Leal e Nathanael Berthon, que negociam com a GP2. O francês, aliás, é especulado na DAMS.

 

Bertand Baguette
Correndo pela mesma Draco, Bertrand Baguette foi o campeão da World Series by Renault em 2009

A grande vantagem de André no acordo com a Draco é ter nascido no Brasil. Nos últimos anos, os brasileiros encontraram na Itália – país de origem do novo time do piloto – o caminho mais fácil até a F1. O próprio Negrão já tinha competido pela italiana Cram, em 2010, enquanto César Ramos conquistou o título da F3 local no mesmo ano.

Se não bastasse isso, a Draco, fundada por Adriano e Nadia Morini, também tem um histórico de acolher os brasileiros. Desde Eduardo Neto, em 1989, o casal ficou impressionado com o talento e com a simpatia, digamos assim, dos pilotos nascidos por aqui. Além de Neto e Negrão, nomes como Rubens Barrichello, Felipe Massa, Ricardo Zonta, Bruno Junqueira, Gualter Salles, Marco Campos e Augusto Farfus já passaram pelo time. Claro que não só na World Series by Renault, mas também na F-Opel e na F3000.

Voltando a André Negrão, não acredito que ele tenha boas chances em 2011 muito por conta do grid ser formado por pilotos muito mais experientes. Acho que o fundamental vai ser se adaptar à categoria e evoluir durante o campeonato. Ele pode se espelhar em Baguette, por exemplo, que ficou três anos na World Series e passou de um 17º lugar como estreante para o título na última temporada. Como o brasileiro é da geração de 92, ele ainda pode passar dois ou três anos na categoria sem perder o timing para a F1.

Em 2011, o World of Motorsport vai continuar a acompanhar o que acontece na World Series by Renault, incluindo o panorama do campeonato e a retrospectiva ao final da temproada.