Dakar: encurtando o longo dia

Antofagasta
Mais uma vez o Dakar chega à Antofagasta

Apesar de o sábado, dia 8, ter sido um dia de descanso para os participantes do Dakar, muitos dos competidores só chegaram ao acampamento durante a madrugada, esgotados e com avarias sérias nos equipamentos. Vendo a situação desses pilotos, a organização da competição decidiu encurtar a especial deste domingo, entre Arica e Antofagasta, ainda no Chile.

Estavam previstos 938 km para a disputa, sendo que 631 km seriam cronometrados. Este seria o maior estágio da competição. Ainda no sábado, os participantes foram surpreendidos com a notícia que a especial passaria a apenas 272 km, o que correspondeu ao trecho inicial do dia.

Motos: Francisco López Contardo: “Tinha muita poeira no início. Eu fui um pouco mais rápido, mas acabei perdendo o meu escapamento mais ou menos na metade do estágio. Então, depois disso, eu fiquei com medo de meu motor estourar. Por sorte, hoje foi a especial mais curta desde o início, caso contrário teria perdido o motor. Semana passada eu fiquei gripado, mas estou bem agora. Eu ganhei e é isso o que importa”.

Cyril Despres: “O dia de descanso foi bom tanto para a máquina quanto para o homem. Hoje foi uma das melhores etapas de motos que eu já tive em toda a minha vida. Foi um belo dia também em termos de resultado [já que cortei 1min24s da diferença para Marc Coma. Pela manhã, pensávamos se apenas 272 km poderia matar a nossa fome e a resposta é SIM!”

Marc Coma: “Eu sofri na primeira parte porque estava atrás de Ruben Faria e fiquei preso na poeira. Foi difícil ultrapassar. Mas na parte final, nas dunas de areia, eu pude seguir no meu próprio ritmo”.

López Contardo tem uma máxima. Sempre quando o presidente chileno visita o acampamento do Dakar, o desempenho melhora. Em 2011 não foi diferente e o piloto da casa dominou a especial mesmo com os problemas no motor. Cyril Despres terminou o dia na segunda colocação, 2min21s atrás do líder. O resultado, porém, não foi de todo ruim, já que Marc Coma finalizou em terceiro, com todas as dificuldades explicadas pelo próprio piloto.

Os portugueses Hélder Rodrigues e Ruben Faria voltaram a apresentar um bom rendimento e finalizaram em quarto e quinto, respectivamente. Paulo Gonçalves, recuperado do problema na última especial encerrou em sétimo e colocou o terceiro luso entre os dez primeiros. Entre eles, Stefan Svitko foi o sexto. O grupo dos dez melhores ainda contou com Pal Ullevalseter, Frans Verhoeven e Juan Pedrero Garcia. Jean Azevedo finalizou em 13º, enquanto Vicente de Benedictis foi o 101º.

Na classificação geral, Coma permitiu que Despres se aproximasse, mas a diferença entre ambos é de 7min24s a favor do espanhol. Com o triunfo de hoje, Lopez Contardo tem um atraso de 18min27s em relação ao líder. Rodrigues e Faria repetiram a posição da etapa no geral. O sexto lugar é de Frans Verhoeven, enquanto Svitko aparece em sétimo. Em seguida, Jordi Viladoms, Pedrero Garcia e Ullevalseter. Jean Azevedo ocupa um excelente 12º posto, enquanto De Benedictis é o 81º.

Quadriciclos: O dia foi tão complicado para os líderes Alejandro Patronelli e Tomas Maffei, que ambos não quiseram falar. Com inúmeros problemas, Patronelli ainda conseguiu salvar uma 11ª posição com mais de 1h de atraso para o vencedor Sebastian Halpern. Por sua vez, Maffei comandou boa parte da especial, mas falhas mecânicas o deixaram na nona posição 58min51s atrás do ganhador.

Ainda assim, na classificação geral, a briga embolou. Maffei lidera com 3min03s para Patronelli. Halpern descontou mais de uma hora com o triunfo de hoje e está apenas 26min45s atrás.

Orlando Terranova
Orlando Terranova em dificuldades para seguir no caminho certo. O argentino precisou ser resgatado de helicóptero, já o carro perecerá para sempre no deserto

Carros: Nasser Al-Attiyah: “Nós rapidamente nos aproximamos de Carlos Sainz, mas era impossível ultrapassá-lo por conta da poeira. Decidimos, então, segui-lo de perto. Ainda assim recuperamos 1min20s dele e eu estou feliz em ter vencido a especial de hoje. A partir de agora terei que atacar e evitar pneus furados. Ano passado [ao perder por apenas 2min12s] tive seis, este ano estou me controlando”.

Carlos Sainz: “Estou feliz. Não foi fácil seguir hoje. Tinha uma duna muito traiçoeira no caminho, mas o Lucas [Cruz, navegador] fez um grande trabalho”.

Stéphane Peterhansel: “No início, um dos Volkswagens teve problema [o de Mark Miller] e terminamos na poeira dele. Foi difícil dirigir a 20km/h pois não havia vento. Depois de 15 km, tivemos um pneu furado, foi o suficiente para perder a confiança pelo restante do estágio. No final do rali, 2º, 3º ou 4º é tudo a mesma coisa, queremos a vitória final, mas com certeza ela está indo embora”.

Com a estratégia de seguir o companheiro de equipe de perto, Nasser Al-Attiyah conquistou um importante resultado na etapa deste domingo do Dakar. O piloto do Qatar venceu a especial e descontou 1min20s para o espanhol, segundo colocado. Ginniel De Villiers completou o domínio da Volkswagen ao terminar em terceiro, enquanto Stéphane Peterhansel segue em uma maré de azar, finalizando apenas em quarto, 7min40s atrás do líder. Também da BMW, Krzysztof Holowcyzc completou os cinco primeiros mas teve um atraso de 10mins em relação ao companheiro de equipe. A BMW ainda teve uma baixa na etapa, o argentino Orlando (ORLY?) Terranova capotou no trecho final e foi obrigado a abandonar o Dakar.

Christian Lavielle levou o Nissan a um heróico sexto lugar, enquanto Ricardo Leal dos Santos foi o sétimo. Guilherme Spinelli, Nani Roma e Tonni van Deijne completaram os dez primeiros. Marlon Koerich continua fazendo uma boa exibição no Dakar e finalizou em 14º.

Na classificação geral, a vantagem de Sainz para Al-Attiyah caiu para apenas 1min22s. Pelo segundo ano consecutivo a batalha entre ambos deve ser decidida na casa dos segundos. Peterhansel é o terceiro, 21min11s de atraso. De Villiers aparece em quarto, enquanto Holowczyc é o quinto. Mark Miller, Guilherme Spinelli, Lavielle, Leal dos Santos e Mattias Kahle, num buggie SMG, completam os dez primeiros. Koerich ocupa uma respeitável 13ª colocação.

Caminhões: Ales Loprais: “Quando nós não temos pneus furados, podemos vencer. O estágio foi difícil e, por causa das dunas, a navegação teve bastante trabalho. Eu vi o jovem russo [Vladimir Chagin] perder meia hora aqui, então alcançar o primeiro lugar não é impossível. Estamos 16mins atrás de Kabirov, mas podemos competir contra ele. O problema é Chagin, que não está muito atrás e é muito mais rápido, caso não cometa tantos erros”.

Loprais venceu a segunda especial seguida e apenas a terceira da carreira. De qualquer forma, quem se habituou a ver o domínio dos Kamaz, ficou surpreso com o desempenho supremo do tcheco da Tatra. O piloto venceu com uma vantagem considerável de 5min03s para Kabirov. Chagin terminou em terceiro depois de enfrentar inúmeros problemas, com 14min05s de atraso para o vencedor.

Na classificação geral, Kabirov detém uma vantagem de 16min22s para Loprais, o novo segundo colocado. Vladmir Chagin aparece em terceiro 28min22s atrás do líder, mas ainda não pode ser desconsiderado.

Na segunda-feira, os competidores permanecem em solo chileno e vão percorrer 768 km entre as cidades de Antofagasta e Copiapó, sendo 508 km cronometrados. Será um percurso de altos e baixos por conta do relevo local. Os veículos vão passar por antigas rotas mineiras e terminarão o dia em meio às nada amigáveis dunas.

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