Dakar: o deserto vence os brasileiros

 

Carlos Sainz
Carlos Sainz superou Nasser Al-Attiyah por apenas 9s

A sexta-feira, dia 7, do Dakar foi marcada pelas imensas dunas do Deserto do Atacama entre as cidades de Iquique e Aria. Ao todo, os participantes percorreram 721 km, dos quais 456 km eram cronometrados. A exemplo de ontem, deixo os próprios participantes e que chegaram ao final – o que não foi o caso de alguns brasileiros – comentarem como foi a especial.

Motos: Ruben Faria: “Eu comecei no meu próprio ritmo, então até o reabastecimento eu perdi algum tempo. Depois disso, acelerei. Faltando 200 km para o final, ultrapassei Cyril Despres, Marc Coma, Helder Rodrigues e Chaleco Lopez. Como fiquei junto com eles, devo ter ganhado [a especial de hoje]. Como carregador de água de Cyril, eu sempre sou cauteloso, mas tem vezes que posso tirar vantagem da situação. Acho que Cyril vai ficar feliz [pela minha vitória]”.

Hélder Rodrigues: “Foi uma excelente especial para mim. Eu comecei atrás de Despres e Coma, mas eu os ultrapassei”.

Cyril Despres: “Eu tive vibrações no motor no km 220, então no restante do dia a máquina o piloto não estavam bem. Depois do reabastecimento, a moto começou a vibrar e eu não sabia se deveria parar ou não, para não estourar o motor. Eu diminuí e terminei a corrida. Honestamente, é um milagre que eu tenha terminado”.

Ruben Faria acertou sobre a vitória. O piloto português terminou a especial de hoje 50s a frente do compatriota Helder Rodrigues. Mesmo com os problema, Cyril Despres encerrou em terceiro e descontou 1min26s para Marc Coma, o quarto. Stefan Svitko completou os cinco primeiros. Jean Azevedo foi o 16º e Vicente de Benedictis, o 82º. Já Zé Hélio não teve sorte e abandonou o rali ao sofrer uma queda e fraturar a clavícula depois de se chocar com uma pedra.

Na classificação geral, Marc Coma tem uma vantagem de 8min48s para Despres. A terceira posição é de Lopez Contardo, com um déficit de 22min12s em relação ao líder. Com a dobradinha de hoje, Helder Rodrigues e Ruben Faria avançaram para o quarto e quinto posto, respectivamente. Jordi Viladoms, Jonah Street, Frans Verhoeven, Javier Pedrero Garcia e Stefan Svtiko completam os dez primeiros. Jean Azevedo ocupa uma excelente 13ª  posição, enquanto De Benedictis é o 78º.

Quadricilos: Alejandro Patronelli: “Aconteceu de tudo comigo hoje. Eu caí, mas não danifiquei o quadriciclo nem me machuquei. Eu nunca tinha caído antes e nesse Dakar isso já aconteceu duas vezes. No meio de tanta poeira, a luz do Sol me impediu de ver a sinalização, então devo receber uma penalização por excesso de velocidade. Depois disso, eu acelerei o máximo que pude para me recuperar da punição. Minha motivação é chegar em Buenos Aires e comemorar com a multidão no pódio”.

Mesmo com tanta certeza, a punição de Patronelli ainda não foi confirmada e o piloto aparece como vencedor da especial com uma vantagem de 15min04s para Tomas Maffei. Josef Machacek terminou 48min01 atrás. Na classificação geral, Patronelli ampliou a vantagem para Maffei para 16min31s. Sebastian Halpern é o terceiro, mas aparece 1h48min atrás.

 

Ales Loprais
Ales Loprais venceu o "exército russo" e quebrou uma seca de quatro anos sem triunfos no Dakar

Carros: Stéphane Peterhansel: “Hoje não foi nada bom. Eu perdi um posto de controle e precisei voltar, levando 4 ou 5 minutos nisso. Depois disso, nossos pneus furaram várias vezes. Quatro no total e só tínhamos três estepes. Então tivemos que parar varias vezes para encher o pneu murcho”.

Nasser Al-Attiyah: “Eu alcancei Peterhansel em algum momento, mas então ele parou com algum problema. Depois disso, eu o deixei passar. Então ele teve problemas novamente em um lugar muito ruim para ter um pneu furado. Mas a partir daí eu já estava acelerando até o final. Eu não gostei da especial pois foi muito arriscada”.

Carlos Sainz: “Nós alcançamos Peterhansel e Nasser Al-Attiyah, que estavam juntos. Daí eu vi Peter parar. Fiquei na poeira de Nasser e acabei tendo um pneu furado e perdi muito tempo”.

Na realidade, Sainz apenas imaginou ter perdido tempo. O espanhol lutou bravamente com o companheiro de equipe durante toda a etapa e terminou o dia com uma vantagem de apenas 9s para o qatari, aberta no trecho final. Por conta dos problemas de Peterhansel, a Volkswagen dominou o estágio. Ginniel De Villiers finalizou em terceiro, seguido por Mark Miller. Stéphane foi apenas o quinto. Entre os brasileiros, Guilherme Spinelli encerrou na nona colocação e Marlon Koerich, em 19º.

Na classificação geral, Sainz tem uma vantagem de apenas 2min30s para Al-Attiyah. Será que, a exemplo de 2010, o Dakar deste ano se tornará uma disputa particular entre os dois? Stéphane Peterhansel é o terceiro, com um déficit de 14min51s para o líder. Ginniel De Villiers é o quarto e Krzysztof Holowczyc, o quinto. Mark Miller, Orlando Terranova, Guilherme Spinelli, o MINI de Guerland Chicherit e Chirstian Lavielle completam os dez primeiros. Marlon Koerich é o 18º.

Caminhões: Ales Loprais: “Os pilotos do Kamaz são muito fortes e têm uma técnica excelente. [Depois do abandono de André Azevedo, que bateu em um barranco] somos apenas um Tatra contra um exército russo de seis caminhões, mas vamos continuar acelerando. Nós trabalhamos para não ter um pneu furado e, assim, alguns dias as coisas dão certo e hoje foi um dia desses”.

Ales Loprais pôde comemorar a vitória na especial ao derrotar os Kamaz de Kabirov e Chagin. O triunfo de Loprais acabou com uma seca do piloto de quatro anos sem vitórias. Kabirov terminou 3min55s atrás do líder, enquanto Chagin teve um atraso de 9min39s. André Azevedo abandonou logo no início do dia ao bater em um morrinho e danificar o caminhão. As regras do Dakar impedem que os pilotos continuem no rali se não puderem participar de uma especial mesmo que consertem o caminhão.

Na classificação geral, Kabirov tem uma vantagem de 19min20s para Chagin, já Loprais cortou o déficit e está 21min25s atrás o líder.

No sábado, os pilotos vão ter um dia de descanso, enquanto no domingo começa a volta para a Argentina. Eles irão percorrer 839 km, dos quais 611 serão cronometrados entre Arica e Antofagasta, ainda no Deserto do Atacama.

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