Mikhail Aleshin
A Carlin comemorando o título de Mikhail Aleshin

Com 2010 chegando ao fim, mas meses longe da temporada europeia de automobilismo começar, está na hora de fazer algumas retrospectivas de diferentes categorias. Atendendo a alguns pedidos, a World Series by Renault será o assunto deste primeiro post.

O ano começou com as equipes da World Series montando os planteis para a disputa do campeonato. Com a ida de Jaime Alguersuari para a F1 e de Oliver Turvey, Charles Pic e Adrian Zaugg para a GP2, os times tinham bons motivos para atrair pilotos. No entanto, havia um certo temor em relação ao futuro da competição, já que Bertrand Baguette, campeão de 2009, não conseguira assinar com a F1 nem com a GP2 – meses mais tarde o belga fecharia contrato com a Conquest, na Indy.

Ainda assim, uma série de pilotos campeões em 2009 assinaram para correr na World Series. Entre eles estavam Daniel Ricciardo (vencedor da F3 Inglesa), Daniel Zampieri (F3 Italiana), Albert Costa (F-Renault europeia) e Nathanael Berthon (F-Renault francesa). A esses garotos se juntaram Jean Eric-Vergne, Walter Grubmuller, Mikhail Aleshin e Brendan Hartley, que terminaram entre os três primeiros onde haviam competido.

 

Junior Lotus
A equipe Junior da Lotus esteve presente na categoria com Nelson Panciatici e Daniil Move

Curiosamente, a temporada 2010 da World Series teve a presença de três equipes juniores dos times da F1. A Red Bull permaneceu na categoria, mas trocou de scuderia, passando a apoiar a Tech 1 e não mais a Carlin. A P1 ganhou o apoio da Renault (Gravity) e a malaia Mofaz tornou-se a Junior Lotus. Ao todo eram treze equipes inscritas. Eram. Uma semana antes da primeira corrida, a SG Formula fechou as portas, deixando Jean-Eric Vergne – um dos destaques da pré-temporada – a pé. O francês acabou disputando apenas a F3 Inglesa, embora a intenção inicial fosse participar das duas categorias simultaneamente.

A corrida de abertura da temporada 2010 da World Series foi disputada no dia 17 de abril no novo Motorland Aragón, em Alcaniz, debaixo de muita chuva. As condições climáticas fizeram com que apenas nove pilotos terminassem a corrida vencida pelo russo Mikhail Aleshin. Os novatos Daniel Zampieri e Daniel Ricciardo completaram o pódio. Na prova do domingo, as condições não foram muito melhores, mas dessa vez 16 dos 24 carros receberam a bandeira quadriculada. O estoniano Sten Pentus levou a melhor e conseguiu a vitória. Ricciardo terminou em segundo e assumiu a liderança da competição, pois nem Zampieri nem Aleshin somaram pontos.

A chuva esteve novamente presente na segunda rodada do campeonato, disputada em Spa-Francorchamps. Com menos acidentes que na etapa anterior, a terceira corrida do ano teve Aleshin triunfando novamente. A equipe ISR não estava apta a participar da primeira prova, no sábado, mas o argentino Esteban Guerrieri provou que os problemas haviam sido superados ao vencer no domingo. Ricciardo teve um final de semana muito difícil com um quinto lugar apenas e, assim, Aleshin pulou para a ponta da tabela.

Daniel Ricciardo
Daniel Ricciardo liderando em Mônaco, seguido de perto por Mikhail Aleshin

Apesar de ter vencido a corrida anterior, Guerrieri fora substituído pela ISR para a etapa de Mônaco. No lugar, correra o americano Alexander Rossi, que abandonou a prova. Líderes na tabela de pontos, Ricciardo e Aleshin duelaram a corrida toda e o australiano terminou na frente, com Albert Costa completando o pódio. Depois da corrida única no principado, a rodada seguinte aconteceu em Brno, na República Tcheca, casa da ISR. A equipe local esperava conseguir um bom desempenho na frente da torcida.

O time não fez feio. O piloto da casa, Filip Salaquarda, largou na pole-position, ao passo que ambas as corridas do final de semana foram vencidas por Guerrieri, que estava de volta ao cockpit e queria provar que a substituição na etapa anterior havia sido uma besteira. Os fracos resultados de Aleshin e de Ricciardo – cuja melhor posição havia sido um quinto lugar – colocaram o argentino na briga pela liderança da tabela de pontos.

O circuito de Nevers Magny-Cours foi o palco da quinta rodada, que marcava a metade do campeonato. Guerrieri se firmou como sensação do ano ao largar na pole-position. Na primeira corrida, no entanto, o portenho acabou sendo superado por Aleshin. Correndo em casa, Nathanael Berthon obteve a primeira vitória na categoria, na prova do domingo, quando Ricciardo terminou em segundo. O trio – Aleshin, Ricciardo e Guerrieri – seguia firme na disputa nos pontos, mas os carros da ISR pareciam imbatíveis.

Em Hungaroring, houve a suspeita de que o time tcheco estivesse burlando as regras para melhorar o desempenho. Depois da primeira sessão de treinos livres, os carros da equipe foram obrigados a passar por uma segunda inspeção, onde foi constatada uma rachadura no assoalho. Por questões de segurança, a direção da categoria obrigou o time a enviar o equipamento para a Itália, onde a Dallara faria os reparos necessários. Com essa confusão, tanto Guerrieri quanto Salaquarda não puderam participar das corridas pois o equipamento já estava em translado em plena Europa. O ocorrido beneficiou Ricciardo, que venceu a primeira disputa do final de semana, sendo seguido por Aleshin. Na prova do domingo, Sten Pentus obteve o segundo triunfo do ano e ultrapassou Guerrieri na tabela.

A ISR voltou às corridas na etapa da Alemanha, disputada em Hockenheimring. O argentino estava com sangue nos olhos por conta da punição imposta à equipe. Depois de dominar os treinos livres, o portenho foi batido por Ricciardo que não só obteve a pole-position para a etapa como também a venceu. Coube ao hermano o segundo lugar na prova do sábado. No domingo, o australiano não foi bem, finalizando em 11º, e Guerrieri pôde enfim ganhar uma corrida como forma de desabafo. Com o fraco desempenho de Aleshin durante todo o final de semana, o argentino estava de volta à briga pelo título.

Na penúltima etapa, em Silverstone, correndo em casa, Jon Lancaster conquistara a pole-position. O piloto, porém, fez uma das maiores barbeiragens da história da categoria e acertou Daniel Ricciardo logo na largada – conforme você pode ver no vídeo acima. Fim de prova para o australiano e vitória de Esteban Guerrieri. Só que mais uma vez o regulamento impediu a ISR de comemorar. O argentino acabou sendo desclassificado da corrida pois a equipe fez reparos ilegais no carro que, segundo a categoria, comprometiam a segurança do piloto.

Sem ter nada a ver com a situação, Jean-Eric Vergne – já campeão da F3 Inglesa e que fazia a terceira corrida apenas pela Tech 1 – herdou a primeira colocação. Aleshin novamente foi muito mal e a briga pelo campeonato seguiu embolada. No domingo, Guerrieri venceu novamente e dessa vez o triunfo foi validado. Ricciardo se recuperou e completou o pódio ao lado de Vergne.

Esteban Guerrieri
O circulo vermelho marca o problema que resultou na desclassificação de Esteban Guerrieri em Silverstone (clique na imagem para ampliar)

A decisão do campeonato ficou para etapa final, em Barcelona. Aleshin iniciara o final de semana com uma vantagem de apenas três pontos para Ricciardo. Com todos os problemas, Guerrieri ainda tinha uma chance de ser campeão já que eram 16 pontos de déficit, mas 30 em disputa. O domínio de Ricciardo na primeira corrida, entretanto, eliminou o portenho da briga. Com o segundo lugar de Aleshin, os dois pilotos entraram na corrida final empatados nos pontos, mas com o australiano levando vantagem por ter vencido mais vezes ao longo do ano.

Na última corrida, Guerrieri mais uma vez foi o piloto dominante, com Jean-Eric Vergne e Daniel Ricciardo – ambos da Tech 1 – andando a maior parte do tempo em segundo e terceiro. Aleshin não conseguia, em condições normais, se aproximar do rival. Sabendo disso, a Carlin decidiu usar a estratégia para tentar garantir o título. A equipe pediu a Jake Rosenweig, companheiro do russo, para adiar ao máximo a parada obrigatória nos boxes com o objetivo de segurar Ricciardo o maior número de voltas possível, permitindo a aproximação de Aleshin.

A tática deu certo e os dois rivais estavam colados quando o americano foi finalmente para os boxes. Faltando três voltas para o final, Aleshin conseguiu a ultrapassagem que garantia o título. O australiano, vendo a derrota de perto, resolveu partir para o tudo ou nada e, na última volta, deu o troco no rival ao retardar uma freada. No entanto, a manobra fez com que o carro da Tech 1 patinasse e Ricciardo acabou rodando, entregando o título para o adversário. Guerrieri venceu e reclamou muito das punições ao longo do ano que lhe tiraram as chances de conquistar o campeonato. Aleshin terminou em terceiro e comemorou a conquista.

 

Mikhail Aleshin
Como prêmio pelo título, Mikhail Aleshin testou com o carro de F1 da Renault no treino dos novatos, em Abu Dhabi

No final, Aleshin acumulou 138 pontos contra 136 de Ricciardo, que mesmo rodando encerrou a última prova em quarto. Guerrieri, disputando quatro corridas a menos fora a desclassificação em outra, foi o terceiro com 123. Sten Pentus e Albert Costa completaram os cinco primeiros na tabela de pontos. Com a conquista da Carlin, a escrita de nove equipes diferentes terem vencido as últimas nove temporadas foi mantida.

Para 2011, Aleshin sondou algumas vagas na F1, mas ainda não anunciou planos. Ricciardo vai ser piloto reserva da Toro Rosso, onde guiará o carro nos treinos livres da sexta-feira. O australiano, porém, pode retornar à categoria para tentar conquistar o campeonato. Guerrieri deve disputar a Indy Lights. Entre os pilotos já confirmados para 2011, Jean-Eric Vergne poderá finalmente disputar a temporada completa desde que a Tech 1 não quebre a exemplo da SG. Daniel Zampieri vai competir pela BVM Target, já que o pai do piloto é um dos dirigentes do time. Pelo mesmo motivo, Filip Salaquarda deve permanecer na ISR. A KMP já anunciou o russo Anton Nebylitskiy.

Sem brasileiros nos dois últimos anos, 2011 pode ser diferente. Campeão da F3 Italiana, César Ramos negocia com algumas equipes assim como André Negrão, vindo da F-Renault, que pode parar na Draco.