Jimmie Johnson
Depois de conquistar o pentacampeonato em apenas nove anos, Jimmie Johnson pode estar próximo de colocar o nome como o maior piloto de todos os tempos

Quando Michael Schumacher começou a pulverizar os recordes da F1, a comparação com Ayrton Senna e Alain Prost se tornou inevitável. Seria o alemão o maior piloto de todos na história da F1? Essa é uma discussão que se arrasta. Quem defende o atual piloto da Mercedes se baseia nos números para dar a opinião. Já os mais antigos garantem que o heptacampeão não tem o mesmo talento que a dupla citada acima.

Na Nascar, a situação é um pouco diferente. É cedo para colocarmos Jimmie Johnson no mesmo patamar que Richard Petty e Dale Earnhardt. Porém, somente pelo fato de ter a entrada ao grupo das lendas do esporte cogitada, o novo pentacampeão já se coloca em uma posição privilegiada. Ainda assim, é possível ir um pouco além na discussão e perguntar se o piloto pode vir a se tornar o maior de todos na Nascar.

É evidente que Johnson ainda não pode ser comparado a Petty e Earnhardt. A dupla conquistou sete títulos cada, enquanto o piloto da Hendrick, apenas cinco. O que levanta a possibilidade de o atual campeão poder superar os dois antecessores é a precocidade na conquista do quinto campeonato. Jimmie estreou na Nascar em 2002 e levou quatro anos para o primeiro triunfo. Em nove temporadas disputadas, acumulou cinco títulos.

Petty, por sua vez, conseguiu o primeiro campeonato na quinta temporada completa na Nascar. O pentacampeonato só veio no 15º ano em que competiu. Já Earnhardt foi campeão quando era apenas um segundanista da categoria, mas foram doze longos anos da estreia até o quinto triunfo. A rapidez de Johnson é ainda maior se considerarmos que ele teria conquistado a temporada de 2003 – quando também estava no segundo ano – caso o Chase existisse naquela época.

Aliás, falando no Chase. Vem daí uma das principais críticas em relação a Jimmie Johnson. Sem os playoffs, o piloto só teria conseguido dois dos cinco troféus. Obviamente, Petty e Earnhardt conseguiram todos os setes sem essa fase final do campeonato. Não acho que esse comentário seja pertinente. O piloto da Hendrick triunfou seguindo as regras impostas pela Nascar e tem o mesmo mérito por ter terminado na frente.

Johnson, por outro lado, fica atrás de Petty ao considerarmos os números. Enquanto o piloto que imortalizou o número 43 conquistou 200 vitórias na carreira, o atual pentacampeão tem apenas 53. Caso mantenha a mesma média, seriam necessários mais 24 anos de carreira para ultrapassar o ‘The King’. Só que quanto à merca bicentenária, vale um adendo: ela foi conseguida em uma época que uma temporada chegava a ter até 60 provas. Sendo muito mais fácil alcançar um bom número de conquistas.

Se fizemos a média de número de vitórias por corridas disputadas, Petty ainda leva vantagem. As 200 foram conquistadas ao longo de 1184 corridas. Uma média de 16,8%. Johnson conquistou os 53 em 327 provas, ou 16,2%. Em relação a Earnhardt, o piloto da Hendrick tem marcas superiores. O ‘Intimidador’ venceu 76 corridas, mas precisou de 676 etapas – 11,2% somente.

Earnhardt ainda tem um ponto positivo: a versatilidade. O piloto conseguia bons resultados em praticamente todas os tipos de pista. Só que o destaque mesmo era nos super-ovais. Adivinhem qual é o ponto fraco de Johnson. Pois é, justamente os super-ovais.

Johnson tem 35 anos. Ainda tem, pelo menos, uns dez anos de carreira. Se seguir dominando a Nascar, terá condições de Jimmie Johnson se tornar o melhor de todos os tempos.