Nico Hulkenberg em Interlagos
Na pista molhada, Nico Hulkenberg precisou secar os adversários para conseguir a primeira pole-position da carreira.

A pole-position de Nico Hulkenberg no GP do Brasil é uma daquelas situações improváveis que definem os esportes. Se tudo ocorresse conforme a lógica, não haveria graça em acompanhar esse tipo de atividade.

Eu também aproveitei para ir contra a lógica. Vim a São Paulo – onde passo as férias – para trabalhar na cobertura da etapa brasileira da F1. Só que não estou em Intelagos, na verdade passo os dias (as tardes e as noites) em uma redação no meio da cidade. É um trabalho duro, mas alguém tem que fazer, diria o chavão.

Pois bem, na redação acompanhávamos o fim do treino e, como é habitual nessas horas, todo mundo cravou os palpites. Pouco depois do Q3 começar, o colega João Paulo Borgonove apostou em Nico Hulkenberg e cravou que os pneus slicks iam ser a chave do treino. Acertou em cheio. Calçada para pista seca, a Williams do alemão começava a pulverizar os tempos na pista.

A primeira volta rápida de Hulk não foi tão boa, tanto é que Lewis Hamilton rapidamente o superou. Enquanto isso, começávamos a secar os demais nove pilotos, sendo um deles em especial. E deu certo. O acúmulo de água no Mergulho (que irônico, não?), responsável pela ultrapassagem de Hamilton em Timo Glock há dois anos, novamente esteve presente. Hoje, ele segurou os mais experientes e habilidosos pilotos da F1.

Reparem que eu falei sobre o aguaceiro ter atrapalhado os experientes. O novato, Hulkenberg, passou ileso e fez uma volta sensacional. Nos instantes seguintes, a torcida contra o restante do grid se intensificou. Como resultado, todo mundo acabou cometendo um erro ou outro, principalmente no Miolo, ao passar por algum trecho molhado na tentativa de melhorar a volta. Cada balançada de Alonso, Hamilton e Vettel para controlar o carro era seguida por comemorações no escritório.

Nico Hulkeberg e Williams em Interlagos
Nico Hulkenberg comemorou a pole-position em Interlagos com a Williams

Quando os pilotos da Red Bull, além de Kubica e Hamilton completaram a última volta rápida, a pole-position de Nico Hulkenberg parecia garantida. O piloto ainda aproveitou para tirar onda. Com pneus em melhores condições e uma pilotagem impecável, baixou o tempo da Red Bull em mais de 1s e confirmou que irá largar pela primeira vez na carreira na posição de honra.

Na hora, lembrei-me de Sebastian Vettel. Em uma situação tão absurda quanto a de hoje, o atual piloto da Red Bull conquistou a pole-position (e depois a vitória) quando ainda corria pela Toro Rosso, em Monza. O bom desempenho do alemão rendeu a passagem para a equipe principal de Dietrich Mateschitz, onde disputou o título nas duas últimas temporadas, incluindo a atual.

Nico Hulkenberg espera que o resultado também renda o carimbo no passaporte rumo a temporada 2011. Sem espaço na Williams desde a contratação de Pastor Maldonado, era quase certeza que acabaria indo para a Hispania por conta da parceria firmada com o time de Rubens Barrichello. Agora, com destaque dentro da F1 – e empresariado por Willi Weber -, a nova sensação da categoria pode barganhar vaga em um time melhor. Eu arriscaria dizer que Toro Rosso (oh! que ironico) e Force India passam a ser opções válidas.

Nos parágrafos acima, comparei Hulk com Vettel. Só que também lembrei de Johnny Herbert. Afinal, no GP da Europa de 1999, todos esperavam que a primeira vitória da Stewart fosse conseguida por Rubens Barrichello, mas quem ganhou foi o inglês.