Kevin Harvick e Clint Bowyer se cumprimentam em Talladega
Ao final da corrida, a Nascar não sabia quem tinha vencido em Talladega. Demorou, mas Bowyer foi anunciado vencedor e recebeu os cumprimentos da equipe e do companheiro Kevin Harvick, o segundo colocado

Os três ponteiros do Chase da Nascar Sprint Cup sobreviveram à etapa de Talladega. Faltando três corridas para o final do campeonato, Jimmie Johnson, Denny Hamlin e Kevin Harvick seguem separados por apenas 38 pontos. Ao contrário dos últimos anos quando o piloto da Hendrick chegava às etapas finais com o título praticamente assegurado, em 2010 é possível dizer que a disputa segue em aberto. Para quem não viu como foi a prova em Talladega, basta clicar aqui que poderá ler a história da corrida escrita por mim.

Com a imprevisibilidade recorrente de Talladega, a expectativa era que a tabela de pontos pudesse mudar de forma significativa, o que não acabou ocorrendo. Com o segundo lugar, Harvick se aproximou dos dois primeiros, enquanto Johnson ganhou míseros oito pontos em relação a Hamlin. Mas por muito pouco a disputa não ficou restrita a esses dois.

Durante a corrida, Marcos Ambrose tocou em Clint Bowyer e acabou rodando. No meio do caminho estava o carro de Kevin Harvick. O piloto da Chevrolet fez de tudo para evitar o contato, mas não teve jeito e a batida acabou acontecendo. Enquanto a transmissão brasileira decretava a despedida de Harvick da briga pelo título, a RCR tentava deixar o carro em condições de prosseguir na corrida, liberando o piloto para retornar à prova sem sequer perder a volta do líder.

E não é que depois de quase abandonar a chance de ser campeão, Harvick foi um dos protagonistas do final da corrida quando, graças ao empurrão de David Reutimann, esteve emparelhado com o companheiro Clint Bowyer no momento decisivo.

 

Final da corrida de Talladega
Momento decisivo em Talladega: empurrado por Montoya, Clint Bowyer esteve centímetros na frente de Kevin Harvick

É bem verdade que por décimos ou milésimos Harvick não ganhou a corrida. Foram significativos dez pontos perdidos que poderão fazer falta no campeonato. E essa não foi a primeira vez que o piloto desperdiçou pontos garantidos. Em Martinsville, na última semana, o carro 29 foi dominante, mas acabou apenas na terceira posição, quando – em caso de um possível segundo lugar – poderia ter somado cinco pontos a mais.

Abusando do clichê do copo meio vazio, ao analisar por essa perspectiva, Harvick perdeu duas chances de somar importantes pontos para a disputa do título. Com esses 15 a mais, estaria apenas 23 atrás do líder em uma situação bem mais confortável. Fora a moral que teria conseguido depois de uma vitória.

Ainda no clichê, também existe a ótica do copo meio cheio. Nesse caso, Harvick não só conseguiu terminar a prova de Talladega após aguentar um acidente em que foi protagonista, como também cortou quase pela metade a diferença para os principais adversários. Em Martinsville, mesmo tendo perdido posições para Hamlin e Mark Martin no final, o piloto conseguiu o primeiro TOP 5 da carreira no tal oval, assim como foi capaz de descontar mais alguns pontos para Johnson.

Não importando qual a perspectiva escolhida, o fato é que Kevin Harvick segue na briga pelo título e, se não contarmos a classificação inicial do Chase logo depois de Richmond, nunca esteve tão próximo dos adversários. Agora, a etapa do Texas se mostra decisiva para sabermos se o piloto de Richard Childress poderá erguer a taça no fim do ano.

Levando em conta a primeira etapa do ano no Texas, Harvick finalizou em sétimo, enquanto Hamlin e Johnson fizeram a dobradinha. Se o resultado neste final de semana for parecido, apenas esses dois pilotos devem continuar na briga pelo título.

Johnson mais do que nunca tem motivos para se preocupar. Mesmo tendo ganhado em Talladega oito pontos em relação ao principal adversário, o desempenho de Denny Hamlin nos ovais de 1,5 milhas tem sido superior. E era justamente nesse tipo de pista que o piloto da Hendrick garantiu os títulos nos anos anteriores. O carro 48 segue favorito para o campeonato, mas é possível dizer que nunca foi tão ameaçado.

Em tempo, mesmo tendo os piores números entre os três primeiros nos ovais intermediários, como o do Texas, é justamente na superação já mencionada em Martinsville (primeiro TOP5) e em Talladega (evitar o abandono após um acidente) em que Kevin Harvick aposta para ganhar terreno em relação aos outros dois concorrentes. Não será uma tarefa fácil, mas como fã de um campeonato emocionante até o fim é para isso que eu torço.