Pista da Race of Champions no Ninho do Pássaro
Em 2009, a Race of Champions foi disputada no Ninho do Pássaro. A Alemanha (Michael Schumacher+Sebastian Vettel) venceu na Copa das Nações, e Mattias Ekström triunfou no evento principal

Final de ano em se tratando de automobilismo é sempre uma chatice. Tirando algumas categorias brasileiras que resolvem correr na primeira semana de dezembro, a maioria dos campeonatos encerra as atividades nos últimos dias do mês anterior. Antes ainda tinha A1 GP e GP2 Asia fazendo provas na Ásia em plena pré-temporada das categorias europeias, agora nem isso.

Esse marasmo é quebrado pela Race of Champions. Ao contrário do que o nome sugere, o evento não é mais disputado pelos campeões das diversas categorias ao longo do ano e sim por um bando de pilotos consagrados ao longo da história. Não que eu esteja criticando essa mudança no formato, mas é interessante notarmos a mudança que aconteceu.

Para quem não conhece, a Race of Champions é disputada por 16 pilotos de oito países diferentes. A bordo dos mais distintos carros preparados exclusivamente para o evento, eles competem em um circuito montado dentro de algum lugar famoso no mundo, em geral em estádios de futebol. Por muito tempo correram nas Ilhas Canárias, depois passaram pelo Stade d’France, pelo Ninho do Pássaro (na China) até chegarem a Dusseldorf, onde a edição 2010 vai ocorrer nos dias 27 e 28 de novembro.

Voltando à mudança nas regras, o Team France é um bom exemplo. Os dois representantes serão Sebastian Loeb, do WRC, e Alain Prost. É claro que a presença do tetracampeão da F1 chama a atenção, mas, evidentemente, ele não ganhou nada em 2010. Por outro lado, Yvan Muller, favorito ao título do WTCC não foi convidado já que a equipe estava completa. Agora sendo sincero, pensando em termos de público, espetáculo e vendagem, vale mais a pena vermos Prost ou Muller?

Disputas na Race of Champion
Um bom exemplo de disputa na Race of Champion. Um deles é Ginniel De Villiers, campeão do Dakar de 2009

Outro time que sofre do mesmo problema é a Australia. Das duas vagas, apenas uma está garantida: a de Mick Doohan. O campeão da MotoGP quando a categoria ainda se chamava 500cc irá disputar a competição. Mais uma vez foi uma ideia brilhante chamar alguém consagrado, porém Will Power e Mark Webber brigam pela vaga restante, se é que um dos dois vai participar. E olha que estamos falando de dois pilotos que poderiam ter sido campeões nas categorias de monopostos mais importantes.

Para finalizar, países não tão importantes também ganharam vaga na competição para expandir o interesse comercial da Race of Champions. Esse ano, Álvaro Parente e Filipe Albuquerque vão representar a equipe de Portugal – com Albuquerque ao longo do ano tendo participado do relevante turismo italiano – , enquanto a exemplo do tradicional Team Scandinavia, que conta com Tom Kristensen e Mattias Ekström desde sempte, foi criado o Team Benelux, com um piloto vindo da Bélgica e outro da Holanda.

Bem na verdade, nem se forçassem muito conseguiriam arrumar alguém de peso para representar esses países. Então os organizadores acharam a solução ao jogar mais uma vez para o público. Quem escolhe o representante de cada país é você, bastando votar no site da competição. Entre os holandeses disputam Robert Doornbos, Jeroen Bleekemolen e Tom Coronel. Enquanto pela Bélgica, é possível escolher Bertrand Baguette, Eric van de Poele e François Duval. Todos deveras relevantes para o automobilismo mundial, percebam. Com eles, creio que Prost e Schumacher irão tremer.

Para finalizar, repito que não achei a mudança de regras ruim. Como fã do esporte, é claro que eu gostaria de ver Alain Prost, Michael Schumacher, Mick Doohan, Andy Priaulx e Sebastian Vettel competindo um contra o outro em um mesmo evento. Mas chamo a atenção para o fato do torneio ter se descaracterizado. Virou uma disputa com os mesmos pilotos de sempre. A participação das lendas do esporte sempre existiu, mas vê-los na pista era tão interessante quanto acompanhar o embate entre os diversos campeões. Com a nova forma de convite somos obrigados a acompanhar os relevantes pilotos portugueses, belgas e holandeses, enquanto o pareamento não permite que dois gigantes do automobilismo se encontrem.

Quem quiser ver a lista de pilotos já garantidos, assim como votar nos astros de Holanda e Bélgica, basta clicar aqui.