Talladega
O super-oval de Talladega é o palco da sétima etapa do Chase da Sprint Cup

Vou aproveitar esse final da temporada da Nascar – e também uma certa falta de assunto, já que boa parte das categorias terminaram – para dar alguns pitacos sobre o que pode acontecer nas últimas etapas do ano. Para ficar mais fácil de contextualizar, basta clicar aqui e você verá o meu texto sobre a etapa de Martinsville, que além de contar a história da última corrida ainda mostra a situação na tabela de pontos.

Antes de falar dos possíveis cénarios, falemos da pista. Talladega é o maior oval da Nascar – e, conquentemente, do mundo – com 2,66 milhas de extensão e curvas com uma inclinação de 30º. Por essa características é a pista mais veloz em que a categoria passa. Como não seria muito prudente permitir que os carros corressem livremente, a Nascar obriga que as equipes coloquem uma placa restritora na entrada de ar do carburador para limitar a velocidade dos carros. E essa limitação na velocidade é o que acaba causando as famosas filas de carro.

Com essa forma peculiar da corrida se desenrolar, onde o importante é saber utilizar a técnica do bumpdraft e do draftlock, acaba que alguns pilotos se especializam em corridas em super-ovais. Jamie McMurray e Dale Earnhardt Jr são dois bons exemplos disso. Entre os três que disputam o Chase – Jimmie Johnson, Denny Hamlin e Kevin Harvick – apenas o tetracampeão não é um forte concorrente nesse tipo de pista.

Kevin Harvick em Talladega
Kevin Harvick aposta todas as fichas para tentar ser campeão em Talladega. A vitória na prova do início do ano sugere que ele tem chances

Essa dificuldade acaba gerando uma curiosa inversão na tabela de pontos. Até agora, Hamlin e Harvick mantiveram um discurso semelhante de tentar perder o menor número possível de pontos em relação a Johnson nas pistas em que o piloto da Hendrick era franco favorito. Visto que agora a diferença entre os dois primeiros na tabela é de apenas seis pontos, quem passou a adotar a prática de minimizar os prejuízos é Johnson.

Para o líder do campeonato, quanto menos pontos os concorrentes marcarem, melhor. Dessa forma, até um Top10 pode ser considerado um bom resultado. Por outro lado, na campanha do tricampeonato, Talladega conspirou a favor do piloto do carro número 48. No momento em que Carl Edwards tirou Greg Biffle (os dois adversários na época) e metade dos carros da corrida, o piloto da Chevrolet pôde adotar uma pilotagem mais conservadora, pois sabia que o título havia sido decidido ali.

Esse não é um cenário impossível de acontecer na corrida de domingo. Com tanto Harvick quanto Hamlin precisando somar o maior número de pontos, é natural que ambos prefiram um estilo de pilotagem mais agressivo para se manterem nas primeiras posições. E aí esta a complicação, já que os acidentes em Talladega são frequentes e costumam envolver uma série de carros. O último fator importante são os bônus por liderar uma volta e o maior número de voltas. Com a diferença entre os líderes na tabela de pontos sendo tão pequena, vai ser interessante observarmos como vão se comportar na pista.

Antes de encerrar o texto, chamo a atenção para o fato curioso de que apesar do favoritismo de Johnson nas últimas quatro etapas, é justamente na parte final que os concorrentes conseguiram somar mais pontos nas campanhas anteriores. Voltando à curta diferença entre os dois primeiros, em 2010, o piloto da Hendrick não pode deixar Denny Hamlin levar vantagem.

Com base na expêriencia dos anos anteriores, arrisco dizer que para continuarmos com um campeonato em aberto, será importante Hamlin e Harvick saírem de Talladega com uma vantagem de uns 50 pontos para Johnson. Caso contrário, a chance de termos um pentacampeão ao final da temporada aumenta.