Anfield Road, sede do Liverpool
Enquanto propriedade de George Gillett, o Liverpool não conquistou títulos e quase pediu concordata

Na sexta-feira passada, dia 15, a equipe do Liverpool, que disputa a Premier League do futebol inglês, foi enfim vendida. A justiça cassou todas as liminares dos antigos donos, Tom Hicks e George Gillett, para autorizar a venda do clube para o consórcio americano New England Sports Venture.

O time estava em uma crise sem precedentes tanto dentro quanto fora de campo. Enquanto amarga a 18ª posição no campeonato com apenas seis pontos somados, fora das quatro linhas, o Royal Bank of Scotland acusava Hicks e Gillett em não cumprirem o pagamento da dívida várias vezes renegociada.

Com a mudança do dono, parte da dívida foi paga e o Liverpool não precisou pedir concordata, mas os antigos proprietários não se deram por vencidos e estudam processar a equipe pelos problemas causados durante a operação financeira.

Porém, alguém acabaria perguntando o que a venda do time inglês tem a ver com o automobilismo. O problema se encontra em George Gillett, que além do Liverpool, também é dono de outras organizações como o Montreal Canadians, na NHL, e a Richard Petty Motorsport, na Nascar.

Nesta quarta-feira, dia 21, a RPM anunciou a liberação de Kasey Kahne das últimas etapas da Sprint Cup. O piloto, assim, já em Martinsville vai poder estrear na Red Bull onde irá competir na temporada 2011. Kahne não estava feliz com o desempenho da equipe ao longo do ano. Ele ocupa apenas a 21ª posição no campeonato, sem ter vencido prova alguma.

Kasey Kahne Red Bull
Kasey Kahne deixou a equipe quando ocupava apenas a 21ª posição na tabela e adiantou a transferência para a Red Bull

A situação entre piloto e equipe piorou em Charlotte, quando Kahne acertou Sam Hornish Jr em uma batida causada por conta de um problema mecânico. O piloto da RPM afirmou que ao pisar no pedal do freio, a peça simplesmente afundou e não fez o carro parar, provocando o acidente. O segundo, em três corridas. Mesmo com a equipe consertando o carro voltas depois, o piloto se recusou a voltar, alegando estar doente, e foi substituído por J.J. Yeley.

Ainda que por cima, a crise parecia ter sido resolvida. Hoje, quinta, dia 22, foi divulgado que a liberação de Kasey Kahne aconteceu porque a equipe lhe devia uma boa quantia em dinheiro. Só que a situação é muito pior. O piloto não é o único – nem o principal – credor. A RPM também não pagou a Roush-Fenway, que constrói e prepara os Ford Fusion utilizados nas corridas.

Assim, a Roush mandou que os caminhões, que já estavam a caminho de Talladega, retornassem à Carolina do Norte. Segundo a Fox Sports, alguns empregados da RPM afirmam que tão logo a bandeira quadriculada seja mostrada ao vencedor da etapa de Martinsville, eles estarão desempregados.

Em meio à crise, a única resposta da equipe foi: “Não há muito o que comentar”, vindo de uma das assessoras do time.

AJ Almendinger
A.J. Allmendinger achou que teria um fim de temporada tranquilo na carreira. Achou.

Em 2010, a RPM competiu com quatro carros na Sprint Cup: Kasey Kahne, Elliott Sadler, A.J. Allmendinger e Paul Menard. Kahne já estava acertado com a Hendrick para 2012, correndo com a Red Bull na próxima temporada; Sadler já tinha sido avisado que não teria o contrato renovado e é especulado na equipe de Kevin Harvick da Nationwide e Paul Menard já tinha anunciado competir pela equipe de Richard Childress na próxima temporada. Allmendinger não seguiu a tendência e renovou o contrato com o time durante o verão americano e, mais uma vez, se vê sem emprego para o próximo ano.