O caso de amor entre a ART e a F-BMW

Nico Hulkenberg
Nico Hulkenberg foi o primeiro piloto da recente safra de campeões da F-BMW a ter sucesso na ART

Nos últimos anos, a ART Grand Prix se tornou sinônimo de sucesso nas categorias de acesso à F1. Pilotos como Lewis Hamilton, Sebastian Vettel, Adrian Sutil, Kamui Kobayashi e Nico Hulkenberg foram lapidados primeiramente na equipe francesa antes de ganharem o destaque na principal categoria do automobilismo.

Atuando na F3 Euro Series, na GP3 e na GP2, a equipe de Frederic Vasseur e Nicolas Todt convive com o antagonismo de todo time dominante nas categorias de acesso. Enquanto praticamente escolhem a dedo os pilotos que querem, precisam conquistar títulos para manter a credibilidade no desenvolvimento de jovens talentos.

Em se tratando de conquistas, a ART até agora tem mantido um vasto currículo. Falando apenas nos campeonatos de pilotos, foram três triunfos na GP2, um na GP2 asiática, um na GP3, o hexacampeonato da F3 Euro Series, além de destaques em F-Renault menores.

Para ampliar o rol de conquistar, o time francês estabelecido na cidade de Villenueve-la-Guyard passou a adotar nas últimas duas temporadas uma estratégia bem simples – mas eficiente – na questão escolha dos pilotos. As principais vagas do time são reservadas apenas aos campeões da F-BMW e da F-Renault.

Essa tática talvez seja explicada pelo sucesso de Nico Hulkenberg. Embora o atual piloto da Williams não tenha sido o primeiro a conquistar um título nas categorias menores antes de assinar com a ART e seguir para a F1, foi o dono da carreira mais meteórica. Em uma época de raras vagas na F1, Hulk chegou à categoria com apenas 21 anos.

Alexander Rossi
Alexander Rossi foi um dos campeões da F-BMW que ganhou uma chance na ART

Para repetir o sucesso do alemão, a ART poderia testar vários e vários pilotos para tentar achar um novo fenômeno. Ou então, poderiam poupar tempo e apostar apenas nos que de fato já conquistaram um título. Salvo Kamui Kobayashi e Valtteri Bottas – que venceram a F-Renault – todos os demais vieram da F-BMW.

Nico Hulkenberg venceu a F3 em 2008 e se mandou para a GP2, embora tenha permanecido na equipe francesa. O time apostava as fichas em Jules Bianchi, que terminara a temporada de estreia na terceira posição, porém o restante do plantel não agradava. Jon Lancaster e James Jakes fizeram um ano muito abaixo das expectativas, terminando apenas em 12º e 13º respectivamente, com 19 pontos somados, sendo que cada um venceu uma prova.

No ano seguinte, Vasseur e Todt resolveram fortalecer o time com o que tinha de melhor no mercado. Além de Bottas, o time contratou também Esteban Gutierrez, campeão da F-BMW europeia. A outra vaga foi preenchida por Adrian Tambay. Como resultado, Bianchi foi campeão, Bottas terminou em terceiro, Gutierrez finalizou em nono e Tambay não somou pontos, pois passou boa parte da temporada machucado e não conseguiu retomar o melhor nível do início do ano.

Com a equipe na F3 Euro definida com a manutenção de Bottas para 2010, além da contratação de Alexander Sims, que terminara atrás do finlandês no ano anterior, o time passou a focar na montagem do plantel da GP3.

Novamente foram atrás do melhor que o mercado poderia oferecer. A primeira aposta foi em manter Esteban Gutierrez, que deveria usar a experiência adquirida na F3 para liderar o time na nova categoria. A segunda vaga acabou com o americano Alexander Rossi, campeão da F-BMW Americas em 2008, e que se mostrou um forte concorrente ao título ao liderar quase todos os treinos de pré-temporada. A última vaga ficou com Pedro Nunes.

Esteban Gutierrez
A aposta em Esteban Gutierrez se revelou acertada e o mexicano foi um dos destaques do automobilismo em 2010 ao vencer a GP3

Apesar de a equipe ter naufragado na F3, na irmã-menor da GP2 a estratégia voltou a dar certo. Gutierrez foi o campeão dominante, enquanto Rossi terminou no quarto posto, com duas vitórias durante o ano. Nunes foi o 24º em um ano inconsistente.

Para 2011, a equipe já sabe que não vai poder contar nem com Gutierrez nem com Rossi, já que ambos esperam alcançar a GP2. Nessa semana, os primeiros treinos coletivos visando a próxima temporada estão sendo realizados. Adivinhem onde a ART foi buscar os pilotos? É, na F-BMW.

O primeiro a testar foi Rio Haryanto, que conquistou a F-BMW do Pacífico na temporada passada e finalizou a GP3 em quinto, competindo pela Manor. O indonésio terminou o treino da manhã na 18ª posição, enquanto foi apenas o 26º durante a tarde.

Como algumas categorias ainda não foram decididas, alguns pilotos ficaram de fora desse primeiro treino da GP3. Um deles foi Gabby Chaves. O colombo-americano já está acertado com a ART para treinar no próximo teste, já que as atividades da F3 Italiana não permitiram que ele estivesse presente nessa semana em Estoril. Para constar, Chaves é o atual campeão da F-BMW Americas.

A ligação entre ART e os campeões da F-BMW parece ter sido amor a primeira vista. Assim, quem sabe, Felipe Nasr, Robin Frijns e – a que tudo indica – Richard Bradley, não acabem ganhando uma chance com o time. Afinal, faltam só os três para completar a lista de campeões da F-BMW de 2008 para cá a pelo menos testar pela equipe francesa.

Esse ‘romance’ entre ART e os vencedores da F-BMW infelizmente não vai ter final feliz. A categoria deixou de existir no final deste ano, obrigando ao time francês a procurar os reforços para as próximas temporadas em outros lugares.

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