Traçado de Suzuka
A chicane Casio Triangle antes da reta é um dos pontos mais famosos da pista. É um local de grandes confusões

Faltando apenas quatro etapas para o final da temporada 2010 da F1, a categoria chega ao Japão para uma das mais tradicionais provas do calendário. Suzuka é sinônimo de decisão de título. Certamente, qualquer fã da F1 tem na memória os duelos de Alain Prost e Ayrton Senna, mesmo que estes tenham durado apenas meia reta.

Dessa vez, o título não vai sair no Japão. Mas a cor da moda da F1 está presente na bandeira japonesa: o vermelho. A Ferrari, com Fernando Alonso, venceu três das últimas quatro corridas e por isso é a favorita para a corrida asiática. Só que a equipe de Maranello está tendo de administrar uma crise desnecessária. Segundo um jornal alemão, Felipe Massa garantiu que não será um novo Rubens Barrichello. O piloto da Scuderia desmentiu o ocorrido, mas sabe que terá de trabalhar como um escudeiro do espanhol nas etapas finais.

Quem pode se aproveitar da confusão ferrarista é a Red Bull. Sebastian Vettel é o atual vencedor do GP do Japão e espera poder voltar a vencer, lembrando que em Cingapura o alemão só não conseguiu ultrapassar Alonso por causa das características da pista de difícil ultrapassagem. Correndo por fora está a McLaren de um pressionado Lewis Hamilton, que abandonou três das últimas quatro corridas, por coincidência as mesmas em que Alonso venceu.

Em Suzuka, a Williams não deve ter o mesmo desempenho de Cingapura, quando Rubens Barrichello duelou com Renault e Mercedes. O carro é bom, mas tem se adaptado melhor em pistas que precisam de mais downforce. Apesar disso, em Silverstone, o brasileiro fez uma boa corrida, enquanto Hulkenberg terminou em sétimo em Monza.

Na equipe britânica, boatos apontam que o alemão pode cair fora em 2011 para a entrada de Pastor Maldonado. A mudança poderia ocorrer pelo fato de a equipe ter perdido quatro patrocinadores ao passo que o novato resolveu pedir aumento salarial. A resposta do time seria o desejado aumento caso Nico arrumasse alguns patrocinadores alemães. Enquanto isso, Maldonado e o dinheiro venezuelano da PDVSA teriam sondado a possível vaga.

Lucas Di Grassi continua fora do carro da Virgin no primeiro treino livre da sexta-feira. Jerôme D’Ambrosio, que andou com a Renault em uma exibição na Coreia do Sul, volta ao assento do brasileiro. O tempo de Di Grassi para chamar a atenção de alguma outra equipe para 2011 está terminando e a lista de pilotos que afirmam negociar com a Virgin aumenta a cada semana.

Bruno Senna não sabe se corre no Japão. A Hispania enviou a inscrição para a etapa com os dois pilotos sendo “a definir”, ou TBA. A verdade é que pegou mal para o brasileiro ter sido superado por Christian Klien com extrema facilidade em Cingapura. Por isso a equipe cogita colocar o austríaco de volta. A ideia seria sacar Yamamoto, mas como a corrida é no Japão, o piloto local poderia acabar arrumando algum patrocínio extra e garantindo o lugar no time, além de um maior equilíbrio nas finanças.

Quanto à pista, Suzuka é uma das mais legais. É de alta velocidade, mas bastante técnica. Como a maior parte do calendário da F1, é capaz de fazer corridas que serão lembradas por anos, assim como existem provas que nós brasileiros lamentamos acordar de madrugada para acompanhar.

Acredito que essa é a pista onde fãs e pilotos são mais próximos. A torcida japonesa se empolga com facilidade em relação à F1, mesmo quando não há nenhum piloto do país no grid – e dessa vez tem Kobayashi. O segredo para atrair o público é o famoso ‘jogar pra galera’, como Ayrton Senna fazia espontaneamente. Nesse quesito, Koba e Jenson Button – cuja namorada é japonesa – saem na frente.

A previsão do tempo para a corrida é digna de um certo narrador cujo fake é bem presente nas redes sociais. Pode chover, ou não. E acreditem, isso é oficial. Em caso de chuva, vence Vettel, caso contrário dará Webber. Com Alonso e Hamilton completando o pódio em ambos os casos, mas claro isso é apenas mais um palpite furado.