Romain Grosjean
Em baixa ao sair da F1, Romain Grosjean soube dar a volta por cima

Falei de Romain Grosjean aqui algumas vezes. O ex-piloto da Renault parece estar no caminho certo para voltar à F1. Depois de FIA GT, GP2 e afins, o francês enfim conquistou um título em 2010. Mesmo participando de apenas metades das corridas, Grosjean se sagrou campeão da AutoGP.

Grosjean me lembra um jogador de futebol que desde os tempos de categorias de base é tratado como um futuro craque. Não apenas um bom jogador que poder vir a vestir a camisa da Seleção Brasileira, mas sim como alguém que vê o título de melhor jogador do mundo ser apenas uma questão de tempo. Não estou traçando uma semelhança com Neymar, só que o caso é relativamente parecido com o de outro jogador do Santos nos últimos anos.

Digo isso porque o francês sempre foi tratado como a grande esperança do país na F1. Como pressão pouca é bobagem, a Renault espertamente o contratou para o programa de jovens pilotos. É claro que o Renault Driver Development sempre foi uma furada. Basta ver que Heikki Kovalainen e Nelsinho Piquet foram os que chegaram mais longe no time, e nenhum teve tranquilidade para terminar uma temporada. Por outro lado, gente como Robert Kubica acabou sendo mandada embora.

Além de ser o futuro da França na F1, Grosjean passou a ser também a maior esperança da Renault em ter um piloto do país correndo pelo time. Fora isso, ele foi apontado como sucessor de Fernando Alonso – que já tinha acertado com a Ferrari – e teria como objetivo vencer o campeonato de F1 em um futuro breve. E todas essas expectativas recaíam sobre o piloto logo no momento decisivo de formação, que é na disputa da GP2.

Grosjean até teve bons resultados na categoria: foi quarto em 2008 e liderou a tabela na temporada passada até ser superado por Nico Hulkenberg uma etapa antes de estrear na F1. Quando Nelsinho caiu fora do time, o francês sabia que teria uma carroça como disposição. O carro era muito ruim e o time trabalhava para Fernando Alonso. Por outro lado, se recusasse, estaria sumariamente fora de qualquer nova chance para estrear na categoria.

O resultado todos vimos. Corridas e mais corridas ruins – tomando tempo monstruosos de Alonso – que impediram o francês de permanecesse para a temporada 2010. Para não ficar parado no ano, o cara resolveu correr de um monte de coisa, ficou longe de confusões e mostrou que poderia ser competitivo ao liderar o FIA GT, fazer boas corridas na GP2 (apesar do costumeiro imã para acidentes sem culpa), e ser campeão da AutoGP mesmo estrando na quinta corrida de um campeonato com 12 etapas e levando o título com uma prova de antecipação. A tudo isso, devemos somar a experiência testando 0s pneus da Pirelli.

Se tudo deu errado na estreia na F1, a sorte esteve do lado do piloto na atual temporada. Mesmo não planejada a recuperação e a evolução foram meteóricas. O Grosjean cabisbaixo após os maus resultados na F1 e o ostracismo no FIA GT deu lugar a um piloto verdadeiramente empolgado com cada novo passo e cada nova vitória.

Como resultado, Grosjean assinou com a Gravity, que faz gerenciamento de pilotos e é a sócia majoritária da Renault na F1, por coincidência. Levando em conta que Jerôme D’Ambrosio pode ir para a Virgin, são boas as chances do francês ser o piloto reserva da equipe, caso não acabe sobrando com a vaga de titular, no lugar de Vitaly Petrov.

Voltando ao exemplo do jogador de futebol, Grosjean teve a frieza e a calma de aproveitar todas as oportunidades que surgiram enquanto ficou sem categoria. Não forçou para permanecer na F1, tampouco bateu no peito dizendo que um futuro melhor do mundo não poderia ser tratado de tal forma. Enquanto isso, ainda há jogadores brasileiros que forçam a transferência de uma equipe para outra a cada ameaça de ir para o banco de reservas. E mesmo assim continuam com o plano de se tornarem o melhor do mundo.